quinta-feira, 23 de abril de 2009

O grande mestre do nosso xadrez

Até pode ser que o dr. Jardim esteja inocente. Mas conhecendo a sua propensão para a mania da traição florentina, ele há-de compreender que a gente desconfie. Adivinharam. Falo de Sérgio Marques e do processo que levou ao fim da sua comissão de serviço no parlamento europeu. Para insistir na ideia de que terá havido no caso a aplicação de uma rasteira das antigas. Ou para admitir com esforço que, a não ser assim, isto é capaz de ter sido coisa do demo ou dos astros.
Recuperemos alguns factos. Não há muito tempo, Jardim levou a leilão o lugar que Sérgio Marques ainda ocupa. O facto ocorreu na solenidade sombria de uma reunião do politburo do partido. E, segundo rezam as crónicas, quase toda a gente foi apanhada de surpresa. Não admira. Semanas antes, tanto o partido como a opinião pública tinham como adquirida uma nova candidatura do deputado Marques.
As mais benignas interpretações conspirativas feitas na altura convergiram num único sentido: Jardim tinha a intenção de substituir Sérgio Marques para poder jogar com o seu nome no tabuleiro das autárquicas. O verdadeiro alvo da manobra seria, como é evidente, o demasiado independente Miguel Albuquerque. E o beneficiário exclusivo da dita seria o fantástico tandem formado pelo inefável dr. Cunha e pela sua notável chefe de gabinete.
Manda a verdade que se diga que em certos círculos se aventaram outras hipóteses. Em homenagem ao maquiavelismo pindérico do dr. Jardim, houve quem admitisse a possibilidade de estarmos perante um cenário ainda mais retorcido. O seguinte. O nosso crónico líder anda com o delfim Cunha pelos cabelos. A irracionalidade divisionista do dito ameaça pôr o partido em estado de sítio. E como o PSD nunca esteve tão à beira de se escaqueirar por dentro como depois da ascensão do inenarrável Cunha às alturas do mando, o peão Sérgio Marques poderia ser o nome certo para, de uma assentada, pôr em sentido o presidente do Funchal e o vice-presidente da Madeira.
Sabem. A incrível facilidade com que o dr. Jardim sabe jogar com os apetites alheios é já quase mítica. De maneira que não excluo nenhuma das hipóteses precedentes. Mas dada a forma como as coisas evoluíram, parece claro que o dr. Jardim se esqueceu de um pequeno pormenor. Não abriu o jogo com Sérgio Marques. E o resultado está à vista. Este não foi em cantigas. Resolveu ficar de fora do saco de pulgas em que o PSD se transformou. E lá se perdeu mais um putativo delfim às ordens submissas do chefe. Para alegria de Cunha. Para contentamento de Albuquerque. Para regozijo desse petit richelieu que aparece em todas e dá pelo nome de Guilherme Silva. Porém, para furioso embaraço de quem, já por vício, vai mexendo e remexendo os cordelinhos. Faz-se assim a política da terra. Com esta elegância. Com esta categoria. E o grande líder lá vai saltitando de jogada em jogada.
Bernardino da Purificação

5 comentários:

amsf disse...

Parece-me que o AJJ goza de uma inteligência e maquiavelismo que não possui!
A chave para perceber este imbróglio está no facto do SM ter sabido do 8º lugar não pelo AJJ mas por um jornalista. SM ao dizer não ao 8º lugar para a Madeira "ofendeu" o AJJ pois afinal fora este que negociara esse 8º lugar!

Manuel Soares disse...

Hoje, Assembleia do Marítimo:

Parece que se vai decidir entre um estádio de baixo perfil, com 10 mil lugares cobertos e dispostos a toda a volta do campo. Um projecto definido pelo Marítimo, como objecto do concurso, com capacidade comercial (20 mil metros quadrados para além da parte desportiva) e que custa 600 Euros por metro quadrado.
As propostas são várias (variantes ao projecto base). Algumas com custos de 600 Euros/m2. Maximizando o investimento feito. Recebe-se o que se paga. Mantendo o que o Marítimo quer (ambiente desportivo, com bancadas junto ao campo e grande possibilidade de animação à inglesa atrás das balizas - as claques vão adorar), as variantes constroem mais ou menos (adiam a construção dos espaços comerciais não os comprometendo) a custos de marcado compatibilizando-se com o apoio do governo e abrindo os espaços comerciais a interessados, agora ou no futuro.

E outro, igual ao do Nacional, aberto nas laterais, sem o ambiente desportivo que se pretende, com bancadas altas, sem capacidade comercial (a menos do bar dos amendoins) e que custa 1000 euros por metro quadrado.
Esta proposta (da AFA) ajusta-se ao apoio do Governo mas constrói pouco e caro. E é um projecto alternativo (o que não era permitido no concurso) pelo que até se estranha ainda estar em jogo...
É a proposta favorita de Rui Alves, pois assegura ao Marítimo, uma solução idêntica à que tem na Choupana: um “elefante branco” dependente de subsídios.

O Governo regional já definiu o apoio e libertou o Marítimo no que se refere à componente extra-desportiva (a construir agora ou no futuro a expensas próprias – dos investidores interessados). Esperemos que não escolham a proposta do Nacional que paga-se caro e que pouco mais garante que o tal bar dos amendoins…

jorge Figueira disse...

É óbvio que o raciocinio desenvolvido faz todo o sentido. Dividir para reinar foi hábito que lhe ficou desde os tempos em que, admirando Salazar,o nosso Pres. via sucederem-se os delfins do homem de Stª. Comba, começando em Antunes Varela e acabando no injustiçado Marcelo Caetano.
Cometeu um erro que lhe saiu caro, nele caindo pelo menos duas vezes. Frontalidade é coisa que não usa e recorre,cobardemente, à comunicação social para dar a conhecer,a quem não merece,atitudes muitas diferentes daquilo que pessoalmente informara. Há quem não aceite!SMarques foi um deles!
Os mastins da quinta já começaram, por enquanto com alguma parcimónia, a exercer a sua função mas agirão em força se S. M. ousar dizer um pouco mais do que aquilo que até agora lhe ouvimos.
Tenho dificuldade, apesar de ser do Maritimo, em perceber Manuel Soares neste contexto.

Anônimo disse...

Eu sou a unica pessoa importante do partido, vociferou da sua cátedra o nosso inegável Bokassa.

Depois desta, porquê nos preocuparmos com análises ou suposições.

Caros Amigos, nunca esqueçam, nós temos aquilo que queremos e mereçemos...tudo o resto é fado.

Shakanuno disse...
Este comentário foi removido pelo autor.