sábado, 31 de janeiro de 2009

Teoria da conspiração

Já toda a gente percebeu que a campanha eleitoral está em marcha. Nos meios habituais de comunicação de massas. A partir de directórios vários irmanando políticos e representantes de actividades diversas e, convenhamos, nem sempre correlativas. E percorrendo metodicamente os passos de laboriosas estratégias desenhadas em obediência ao princípio de que em política vale tudo. Gosto. Creio que, no fundo, gostamos todos. Não há nada como o cheiro a sangue para nos fazer regressar à natureza essencial de predadores engenhosos.
O ciclo eleitoral começa, como se sabe, dentro de aproximadamente quatro meses. E apesar da relativa incerteza que habitualmente envolve os escrutínios democráticos, há coisas que a sensibilidade geral tem já por adquiridas. José Sócrates perderá se o caso Freeport lhe arrasar por completo a reputação. Manuela Ferreira Leite ganhará se o dito caso a empurrar para uma posição que nada fez até agora por justificar.
Ou seja, mais arrepio, menos arrepio, a verdade é esta: no Portugal democrático em que todos temos a dita de viver, as decisões políticas que realmente interessam deslocaram-se para o sinuoso tabuleiro da Justiça. Pelo que devíamos ser gratos e capazes de dar um grande viva à democracia dos polícias, dos procuradores e dos juízes. Que à conta de interesses sem nome nem rosto por cá vai assentando arraiais. E que tem como armas jornais e televisões de cada vez mais desconhecido registo de propriedade e de interesses.
Devo confessar que olho para esta refrega político-judiciária com muito mais curiosidade do que paixão. Entendo que todas as suspeitas devem ser investigadas. Não tenho dúvidas de que se há crimes há culpados. E tenho como elementar princípio de justiça que não pode haver culpa sem castigo. Há, no entanto, coisas que me maçam. Esta mimosa originalidade que consiste em levar as disputas eleitorais para os esconsos corredores da Justiça é uma delas. Este método assassino de fazer pingar notícias a conta-gotas sobre matérias abrangidas pelo segredo de justiça faz-me urticaria. Esta sinistra recorrência com que certos media se presumem juízes de julgamentos populares tira-me do sério. Esta bovina resignação que nos leva a aceitar que uma investigação judicial possa ser contaminada por impulsos de motivações obscuras revolve-me as vísceras. E esta insuportável suspeita de que a escolha dos nossos representantes políticos está muito mais à mercê de centros de poder escondidos e não sufragados do que do voto consciente e livre dos cidadãos faz-me pensar que a democracia que temos se vai tristemente aproximando da badalhoquice das conversas da treta.
Ainda assim, bora lá despachar as investigações. Esta e todas as outras que repousam algures nas gavetas dos nossos novos, ilegítimos e inesperados decisores políticos. As de lá e as de cá. A menos que a Madeira seja a única parcela do país em que o poder político legítimo submete as togas ao seu ilegítimo controlo.
Bernardino da Purificação

7 comentários:

Anônimo disse...

E o pior de tudo é que, nestes jogos sujos, não há ninguém que possa lançar a primeira pedra. Ninguém!

Anônimo disse...

Há quem diga que os melhores políticos são os que não estão "lá".
Claro que há excepções.
Missionárias.Utópicas.
Porque, de resto, a realidade é bem outra.
Enchendo a boca de promessas,a bem da comunidade(!!!),após a eleição,o Bem Comum,restringe-se ao Proveito Próprio.
Só não vê quem não quer!
Pergunte-se a qualquer dos instalados, nos diferentes Orgãos de Poder, como sente a crise?!
Qual crise?!

Anônimo disse...

Leiam o que confirma JOSÉ PACHECO PEREIRA (PSD) no blogue ABRUPTO:

A "cabala" contra o PS no caso Casa Pia? Ainda está muito por esclarecer, mas se houve cabala, houve também contra-cabala. Troca-se, como nos cromos imaginários, a queda de Ferro Rodrigues (cabala contra o PS) pela libertação de Pedroso (protecção da Maçonaria). Aquilo de que José Sócrates foi vítima em 2005? Houve de facto uma "campanhazinha negra", com origem nuns imbecis do meu partido e do PP, a brincar às coisas sérias. Mas foi também uma obra de amadores tão grosseira que tinha todos os rabos de palha de fora e foi denunciada por muito boa gente do PSD na altura".

Anônimo disse...

O caso "Freeport" ? As contas bancárias de José Socrates ? Geraram um caso nacional ?

E por falar em "Freeport", qué do "Free" nos portos da RAM ? Talvez, "Sousasport ? Onde está o escandalo ?

E as contas bancárias dos nossos ricos governantes, tais como a do Dr. Garcês que num ano e pouco, construiu para a sua exclusiva fruição, dois grandes palacios. Saiu-lhe a lotaria ou existem muitos "freeportos" por descobrir na RAM ?

Anônimo disse...

O caso "Freeport" ? As contas bancárias de José Socrates ? Geraram um caso nacional ?

E por falar em "Freeport", qué do "Free" nos portos da RAM ? Talvez, "Sousasport ? Onde está o escandalo ?

E as contas bancárias dos nossos ricos governantes, tais como a do Dr. Garcês que num ano e pouco, construiu para a sua exclusiva fruição, dois grandes palacios. Saiu-lhe a lotaria ou existem muitos "freeportos" por descobrir na RAM ?

Anônimo disse...

Caro anonimo, "Freport" na Madeira, chama-se "Freemadeira".

Só lhes peço um exame de comparação entre as fotos dos iniciantes governantes e as actuais suas.

já não será "Freeport", mas talvez, "Freegordo".

Experimenteme verificar, não é por acaso, que nenhum, vezes nenhum, se encontra menos "Freegordo".

É a Mamadeira no seu melhor !

Anônimo disse...

Aviso à navegação, a insuspeita Sociedade de Desenvolvimento da Ponta Oeste, ao que consta, encontra-se a investir fortemente no Funchal, com vista à defesa de uns afilhados cuja sorte empresarial tem-lhes sido madrasta, nos ultimos anos a esta data.

Então, digam lá, se não tivessemos sociedades de desenvolvimento, como poderiamos salavr os nossos amigos...!

Onde pára a policia ?