Hoje não me contive. Ri-me como há muito não acontecia, graças à prosa deliciosa, inimitável e levemente impenetrável desse grande vulto do socialismo da Madeira que reivindica a autoria do Basta que Sim.
Francamente gostei do que li. Apesar, vou já dizendo de passagem, de um número apreciável de incongruências que não pude deixar de assinalar paredes-meias com uns quantos processos de intenção a que o dito recorre sempre que lhe apetece.
O cavalheiro em questão parece andar maçado com a forma como se apresenta o autor deste blogue. Como cada um se maça com o que quer, confesso que nem sei o que lhe diga. Por mim, pode continuar a maçar-se à vontade. Se não quiser fazê-lo, tem bom remédio. Como sei que gosta do que é genuíno da Madeira, recomendo-lhe um chá de alfavaca da serra. Dizem que faz bem. A quê não me pergunte. Mas, se experimentar, vai ver que é capaz de servir para alguma coisa. Faço questão, porém, de declarar desde já. Dispenso os agradecimentos. Só estou aqui para ajudar.
Retomando o fio à meada, temos então que o dr. Fonseca considera que o autor destas linhas tem todo o direito de se apresentar aos frequentadores da blogoesfera como muito bem quer e entende. Porém (ele há sempre um porém nas cabecinhas moralistas e inquisotoriais), o dito cujo considera ter igual direito de me colar uma suposta identidade e de me atribuir uma hipotética intenção.
Quanto à primeira, o dono do Basta que Sim, insinua uma imagem sugestiva. Eu terei andado um dia, no perclaro dizer de sua excelência, de caneta em riste. Pobre de mim! Gosto, é verdade, da sugestão quase épica - já me estou a ver cruzando montes, vales e terreiros da luta, montado em fogoso corcel e arremetendo contra os ímpios de caneta em riste. Enternece-me a deferência do dr. Fonseca. O problema (o meu, é evidente) é que se engana. O mais que até agora tive em riste chama-se outra coisa. E isso, como é bom de ver, não vem agora ao caso. Até porque (suspiro!!!) já foi há tanto tempo (que me seja perdoado o tom intimista e nostálgico da confissão) que quase nem dá para lembrar.
Posto isto, passemos à intenção que me é atribuída. Eu terei, diz o meu ilustre leitor e crítico, um qualquer problema com o sistema. Engana-se mais uma vez. Até porque o único sistema que faço questão de cuidar é o hidráulico, e esse vai andando bem com a graça do Senhor, do Grande Arquitecto, ou do Altíssimo, se vosselência preferir.
Não tenho problemas com nenhum sistema, pode crer. Nunca tive e garanto que nunca hei-de ter. Até porque sei que preocupações dessas são um exclusivo seu. Pode crer que tenho plena consciência de que só você tem autoridade moral, política, cívica e cultural para falar do que quer que seja. Sobretudo do sistema. Sempre foi assim. E assim há-de ser sempre. De maneira que lhe peço e sugiro que nos brinde com as suas brilhantes e doutas análises e deixe de atribuir identidades e intenções a quem não tem o desprazer de conhecer. Não perca tempo. Pelo menos comigo. Pode crer que não mereço. No entretanto, espero que me conceda o direito de andar por aí a escrever despretensiosamente com o parco sentido crítico que infelizmente me foi outorgado. Agradecido.
Bernardino da Purificação
