<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901</id><updated>2011-07-30T21:32:12.335+01:00</updated><title type='text'>Terreiro da Luta</title><subtitle type='html'>"All the world is a stage, and all men and women are merely actors" - William Shakespeare</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>203</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-3523145525922507534</id><published>2009-10-04T11:11:00.069+01:00</published><updated>2009-11-13T19:55:46.336Z</updated><title type='text'>Os quatro cavaleiros do apocalipse</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Apesar da chuva que nos entope as sarjetas e inunda de passeantes os centros comerciais, tenho andado a cismar na coragem física e política dos senhores doutores Albuquerque e Jardim. E já não tenho dúvidas: somos um povo com mais sorte que juízo. Porque temos ao leme um timoneiro que não vacila. E porque atrás dele há-de vir alguém da mesma igualha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Conservo na retina as gratas imagens que me ofereceu o jornal televisivo de sexta-feira. Recordo, por exemplo, que uma simpática e solícita menina nos informou que a população havia rechaçado as manobras provocadoras de uma horda apostada em maçar a paciência dos senhores doutores atrás citados. Retenho igualmente a imagem impressiva do edil funchalense, qual Guevara da nossa celebrada modernidade, jurando intrepidamente que nunca se deixaria intimidar. Mas visualizo, sobretudo, o garbo do nosso presidente quando, num píncaro de galhardia, e depois de temerariamente dispensar a protecção policial, resolveu fazer frente à terrível provação que o ameaçava. Senti orgulho, podem crer. E não pude deixar de pensar que, com líderes assim, o futuro só pode ser bom.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Imagino que os maldizentes do costume começaram já a fazer pouco. E como lhes conheço a propensão para a maldade, até lhes consigo adivinhar os argumentos. Vale uma aposta? Então tomem nota. Em primeiro lugar, hão-de dizer que o nosso senhor presidente estava muito bem acompanhado por uma turba ululante de mais de uma centena de pessoas previamente arregimentada. Depois, vão jurar que, apesar da ordem dada, a polícia não arredou pé, não fosse o desvario colectivo descambar em guerra civil. E hão-de garantir finalmente, com óbvios requintes de contradita, que não houve ameaça nenhuma. Como se quatro cavalheiros empunhando uma tarja com uns dizeres oportunos pudesse algum dia ser coisa pouca. Ou como se a câmara de vídeo que um deles agitava não devesse ser considerada uma arma perigosa, estratégica, letal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Receio bem que a nossa política de trazer por casa tenha resvalado de vez para o plano inclinado da confrontação física. Quando um exército de quatro (sublinho, quatro!) agentes subversivos decide perturbar a paz morna em que vivemos, acompanhando um acto público em espaço igualmente público, só podemos recear o pior. E se esse formidável exército de quatro belicosos samurais resolve juntar à expressão numérica que tem a utilização de tarjas e câmaras de vídeo (meu Deus, que refinada exibição de malvadez!), só podemos esperar que o terror se instale. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Felizmente, é com genuíno alívio que o digo, não foi isso que aconteceu. A pronta, democrática e tolerante acção popular (como quase nos disse a solícita menina do telejornal) conseguiu conter as primeiras arremetidas dos meliantes. Os senhores doutores no início referidos acabaram por fazer o resto. E se uns deram expressão física à ira legítima que os possuiu, os outros recorreram à contundência da coragem, da expressão e do verbo. O que vale, porém, é que todos se irmanaram na mesma histérica reacção. Unidos em fraterno abraço de preservação da ordem estabelecida. Abraçados no mesmo inflamado espírito de tolerância democrática. E os intrusos ficaram assim a saber que podem vir com quatro, com três, com dois ou com um. Nada conseguirá derrotar o ânimo desta singular aliança entre uma centena de dependentes arregimentados e o autocrático poder que temos. Nem tarjas. Nem câmaras de vídeo. Nem presenças impertinentes em actos públicos.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-3523145525922507534?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/3523145525922507534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=3523145525922507534' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/3523145525922507534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/3523145525922507534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/10/apesar-da-chuva-que-nos-entope-as.html' title='Os quatro cavaleiros do apocalipse'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-2369239848092225310</id><published>2009-09-30T23:18:00.124+01:00</published><updated>2009-10-23T13:43:12.567+01:00</updated><title type='text'>A verdade revelada</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Com a paciência dos crentes, o país deu ao presidente da República o tempo que sua excelência entendeu que precisava. Com a inquietação de quem se encontra à beira do desconhecido, a nação preparou-se para a hora da revelação suprema. Terá sido, porém, com a indignação dos enganados que percebemos que alguém com responsabilidades de Estado tem andado entretido a brincar com coisas sérias; que é muito maior do que pensávamos o lado paranóico da novela que alguém urdiu em Belém; que esta gente não tem, em suma, estatura adequada e bastante para a função que o nosso voto lhe deu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não exagero se disser que isto chegou segunda-feira ao ponto do absurdo. O Palácio anunciou-nos uma comunicação solene do presidente da República. O que nos ofereceu, todavia, não passou de um abstruso monólogo de um comentador político de quarta categoria. Fizeram-nos crer que nos dariam a chave reveladora da trama fandanga que nos impingiram. Só nos deram, porém, um espectáculo confrangedor e piroso de um presidente insolitamente atreito a dúvidas pueris e estados de alma preocupantes. Corrijo. Mais do que ao ponto do absurdo, chegámos, isso sim, ao cume do patético.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E que dizer das dúvidas angustiadas de sua excelência? Será crime, perguntou torturado o nosso dubitativo presidente, desconfiar da putativa existência de conspirações, vigilâncias, olhos escondidos na sombra, ouvidos indiscretos à escuta, ou outras malfeitorias quejandas? Claro que não, senhor presidente. Tranquilize-se. Nada disso é crime. Tal como o não é o medo do escuro. Tal como o não são os terrores nocturnos das almas atormentadas. Peço-lhe, portanto, que resista à inquietação e combata a angústia. Duvide as vezes que quiser. E procure, faça o favor, todos os fantasmas que o delírio lhe quiser deparar. Vai ver que lhe faz bem. Convém é que se abstenha de amplificar suspeitas tolas, ainda que por interposta pessoa. E, já agora, procure não cair na tentação de mandar publicar, mesmo que à socapa, os juízos caluniosos a que possam conduzi-lo os sobressaltos do espírito. Sabe, isso sim já pode ser considerado crime. Mesmo que o titular da acção penal se esteja nas tintas, se calhar por comiseração, para as embrulhadas em que nos possam colocar as dúvidas lancinantes do nosso supremo magistrado. Ou que se continue a fazer de conta que nada de anormalmente grave aconteceu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O país ensandeceu, vociferou o dr. Jardim. Então não é que desta vez o homem tem mesmo carradas de razão?! &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-2369239848092225310?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/2369239848092225310/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=2369239848092225310' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/2369239848092225310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/2369239848092225310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/09/verdade-revelada.html' title='A verdade revelada'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-585401407242911772</id><published>2009-09-28T11:36:00.064+01:00</published><updated>2009-10-05T20:00:11.177+01:00</updated><title type='text'>Nem alternativa nem oposição</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Os socialistas madeirenses lá continuam alegremente a caminho da irrelevância absoluta. Como parecem deliciados com a proeza, faço votos de que façam boa viagem. E porque quase sempre me doem as penas alheias (ai, este espírito cristão!), espero que vão leves e não desesperem: por este andar, a excursão não há-de ser nem pesada nem longa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Palavra que tenho dificuldade em compreender tamanha demonstração de insensatez colectiva. Os maus resultados sucedem-se, com a mimosa particularidade de serem cada vez piores. A influência do partido vai-se esvaindo, como se a hemorragia não tivesse cura possível. E, o que é pior, a fronteira entre a seriedade e a anedota parece ter sido irremediavelmente ultrapassada. Não obstante, as suas principais figuras assobiam para o lado. Agem como se apenas se preocupassem em controlar os movimentos uns dos outros. E deixam o campo aberto para que Serrões, Gouveias e Cardosos (sempre sabiamente acolitados por excelentíssimas hordas de ajudantes dedicados) engalanem os currículos pessoais à custa da falência do partido em que por acaso militam. Em suma, um prodígio. De fraternidade política. De solidariedade partidária. De apego às causas que juram defender. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Manda a prudência que não avance sem um breve parêntesis. Não me incomoda rigorosamente nada que o PS continue a perder eleição atrás de eleição. As vitórias e as derrotas são a cara e a coroa das democracias. Mesmo das asfixiadas. O que me incomoda é a percepção de que a inércia do voto do povo soberano decorre também de uma preocupante ausência de alternativa. Como se vivêssemos em permanente clima de falta de comparência. Ou como se no arco da governação não houvesse mais do que um partido institucional, que nos mexicaniza a vida e sufoca a democracia, acrescido de uma cada vez mais apreciável dose de indigência e irresponsabilidade. É esse, de facto, o meu único cuidado. Ninguém nos oferece a possibilidade real de um dia sermos tentados a ensaiar caminhos alternativos. Andamos expropriados de escolhas. E isso, queiramos ou não, empobrece-nos a vida, as perspectivas, o futuro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não desvalorizo, podem crer, as subidas registadas por alguns partidos da oposição. Congratulo-os pelos ganhos. Até pelo quadro de dificuldades políticas em que têm de movimentar-se. Espero, no entanto, que se compreenda que há uma diferença substancial entre fazer oposição e ser alternativa. Ora, o problema deste PS é que já não consegue ser nem uma coisa nem outra.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-585401407242911772?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/585401407242911772/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=585401407242911772' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/585401407242911772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/585401407242911772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/09/nem-alternativa-nem-oposicao.html' title='Nem alternativa nem oposição'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-714328729998373159</id><published>2009-09-22T10:40:00.124+01:00</published><updated>2009-09-27T12:53:15.589+01:00</updated><title type='text'>A culpa sistemática do sistema</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Creio não estar a ser precipitado ou radical. Mas ninguém me tira da cabeça que Belém precisa de fazer muito mais do que mandar para o limbo do degredo protegido um assessor apanhado a esconder a mão. Um Lima no olho da rua, por mais desonesto e conspirador que tenha sido, não resolve o problema criado. E um palácio presidencial aparentemente expurgado da presença tenebrosa de um alegado produtor de inventonas não pode esperar que simplesmente esqueçamos a novela rasteira com que nos tem andado a distrair. Goste-se ou não da ideia, o presidente da República está objectivamente ligado ao facto político mais grave de que pode ter memória a democracia portuguesa. E deve por isso explicações ao país. Mesmo que não tenha absolutamente nada para nos dizer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não vou aqui repetir a bateria de argumentos que nos últimos dias traz sobressaltada a pátria. Não é preciso. Já toda a gente percebeu que o chefe de Estado não tem desculpa ou escapatória possível: se o governo o traz ilegalmente vigiado deveria ter sido pura e simplesmente demitido; se, ao invés, não passa tudo de uma acusação paranóica e destituída de fundamento, estamos em presença de uma inaceitável conspiração. Não obstante, passada a surpresa inicial e a indignação que se lhe seguiu, até parece que andamos todos unidos em benevolente esforço de contenção. Como se fosse coisa de somenos ter ao mais alto nível do Estado gente louca ou criminosa. Ou como se a presidência da República pudesse andar sem consequências na chafurdice da política de sarjeta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há, no entanto, coisas que quase me divertem. A prodigiosa singularidade de haver culpas sem culpados é uma delas. Outra é a notória atrapalhação com que os comentadores oficiais interpretam o guião dessa rábula indecente a que os cínicos dão o desgraçado nome de estratégia de controlo de danos. Para não falar, já se vê, de todas as manobras de diversão que, com notória desvergonha, procuram centrar a origem da trama o mais longe possível do palácio de Belém e respectivas adjacências. Ou na cavalheira atitude de prudente descaso com que a Procuradoria-Geral da República vem acompanhando semelhante festim. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um arraial, em suma. De cinismo. De tibieza. No fundo, de mal disfarçada cumplicidade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sabem. Tenho para mim que desta vez a culpa é mesmo do sistema. Por ser capaz de albergar e deglutir conspirações sem sobressaltos tontos nem estados de alma escusados. E por permitir que, ao arrepio dos avisos da nossa história recente, a República teime em manter-se fiel a essa notável construção político-institucional que dá pelo nome de semi-presidencialismo. Se o sistema se lembrasse de que todos os presidentes eleitos por sufrágio directo e universal se dedicaram, em certo período dos respectivos mandatos, à patriótica tarefa de mandar abaixo os primeiros-ministros com quem coabitaram, certamente recomendaria uma mudança de rumo. Mas como, pelos vistos, o sistema é cego, surdo e mudo, vamos continuar a fazer de conta que Soares não dedicou o seu segundo mandato à meritória proeza de liquidar a maioria absoluta de Cavaco (reparem que nem preciso de recuar ao tempo de Eanes); que Sampaio não correu com Santana só para contentar uma ou duas tribos do centrão mais ou menos ululantes; e que o verdadeiro problema entre Sócrates e Cavaco não radica no confronto entre duas agendas e mundividências distintas a que alegremente demos igual legitimidade. Não obstante, ninguém se quer dar à maçada de pôr o dedo na ferida. Curioso.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-714328729998373159?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/714328729998373159/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=714328729998373159' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/714328729998373159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/714328729998373159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/09/sistematica-culpa-do-sistema.html' title='A culpa sistemática do sistema'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-3003536424994058849</id><published>2009-08-28T10:10:00.083+01:00</published><updated>2009-09-18T12:46:37.062+01:00</updated><title type='text'>Para memória futura</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É oficial: o dr. Jardim virou (politicamente falando, entenda-se). O social-democrata que afirma ser acaba de renegar a social-democracia. O estrénuo defensor do asfixiante Estado máximo (em pensamentos, palavras e obras) anda rendido agora ao magnífico esplendor do Estado mínimo. O político de ideias próprias e costumes liberais resolveu emprestar o nome, a vozearia e as mãos aos próceres anacrónicos do beatismo conservador. O intrépido porta-bandeira da Autonomia em que se arvora aceita sem um pio o descaso a que a dita é votada pela direcção nacional do seu partido. E, para cúmulo dos cúmulos, o denunciante que sempre foi de projectos políticos pessoais (dos outros, já se vê, que tudo tem o seu limite) acaba de converter-se ao depurativo plano de salvação da pátria que o cavaquismo urde a partir dos esconsos gabinetes de Belém. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em suma, o cavalheiro mudou de campo. Seduzido eventualmente pela saborosa promessa de um prato de lentilhas qualquer. Ou, se calhar, derrotado pelo beco sem saída a que nos conduziu a sua política. Seja lá o que for, a cambalhota é vistosa. Ao ponto, imagine-se, de o vermos agora de mãos dadas com o liberalíssimo Pacheco Pereira, entretanto promovido a guru do garboso &lt;em&gt;tandem&lt;/em&gt; que Cavaco e Manuela airosamente montam...!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É claro que sei que o dr. Jardim é um artista da pirueta. Do mesmo modo que não ignoro que, para sua excelência, as ideologias não passam de uma espécie de pronto-a-vestir a que cinicamente vai ao ritmo das conveniências do momento ou à medida das imposições sazonais. Ainda assim, confesso: arrepia-me o descaro. Assinar por baixo, ainda por cima sem rir, um programa político situado nas antípodas da prática governativa de que se orgulha e defende só pode ser obra da falta de pudor. E mandar às urtigas todos os textos pretensamente doutrinários que usa dar à estampa não pode ser senão decorrência em linha directa da falta de vergonha na cara. Ou do desespero, vá lá a gente saber. Ou do maquiavelismo à moda da ilha, vá lá a gente adivinhar...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ok. Sabe-se que, em geral, os políticos têm uma relação atribulada com a rectidão das linhas direitas da coerência e dos princípios. Ainda assim, impressiona ver o dr. Jardim rendido à pacóvia sonsice cavaquista que sempre execrou; custa admitir que o súbito apoiante do endividamento tendencialmente zero e do orçamentalismo puro e duro que agora pretende ser é o despesista sem critério nem medida que sempre foi; faz duvidar que o nacionalista impenitente que faz de conta que é seja o mesmo indivíduo que tem como principal arma de combate a ameaça separatista; e faz lamentar que o autonomista estridente que sempre quis ser tenha publicamente aceite (sem uma nota de distanciamento ou reserva) partilhar o colo central-cavaquista com quem sempre viu na Autonomia uma excentricidade ou um luxo (já repararam que, ao contrário do que diz o dr. Jardim, a dra. Manuela não proferiu uma única palavra de compromisso com o aprofundamento autonómico na próxima revisão constitucional?).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Rejubilemos, no entanto. A partir de agora, é-nos ainda mais legítimo exigir ao novo dr. Jardim que deixe de asfixiar a nossa cada vez mais engasgada democracia. E que aceite diminuir o peso tentacular do estado, em cujas alturas se senta, em benefício das empresas, dos indivíduos, dos cidadãos. Isto, claro, se a coerência do dito cujo não passar de uma batata.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-3003536424994058849?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/3003536424994058849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=3003536424994058849' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/3003536424994058849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/3003536424994058849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/08/para-memoria-futura.html' title='Para memória futura'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-5621033687219972509</id><published>2009-07-03T09:57:00.060+01:00</published><updated>2009-07-13T09:39:41.236+01:00</updated><title type='text'>A autonomia dos padrões rasteiros</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Vamos a ver se consigo parar antes de cair no precipício moralista. Sabem. Abomino o discurso beato aplicado à análise dos comportamentos. E tira-me do sério a hipocrisia que faz habitualmente o seu curso paredes-meias com a sonsice da crítica lamecha. Não obstante, considero que a dialéctica política tem limites de decência que não devem ser diminuídos. Do mesmo modo que tenho como óbvio que há uma diferença abissal entre rebaldaria de taberna e confronto democrático urbano.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Falo, como se percebe, do caso político da semana. O ex-ministro Pinho perdeu a compostura no Parlamento. Entrou no terreno perigoso onde se misturam a intolerância, a falta de sentido de estado, a descortesia institucional e a falta de respeito pelos adversários. E acabou obviamente demitido. Como é evidente que deve acontecer sempre que alguém diminui a imagem pública da posição que ocupa no estado. Como é claro que só pode acontecer quando alguém rebaixa, por natureza ou por lapso, a dignidade da função que em nome do povo lhe está confiada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em suma, o ministro Pinho actuou como não devia e teve a sorte que mereceu. Ele próprio, honra lhe seja, prontamente o reconheceu. O primeiro-ministro soube de imediato traçar a linha que separa a responsabilidade pública dos imperativos da solidariedade política. E o presidente da Assembleia da República, a despeito da sua filiação partidária, soube colocar as coisas nos seus termos devidos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Houve, no entanto, exageros que não posso deixar de registar. Para além, como é evidente, de algumas gritantes e significativas omissões. Por exemplo, foram a meu ver despropositadas, para além de obviamente oportunistas, certas tentativas de conferir uma conotação partidária a um caso evidente de exclusiva responsabilidade pessoal. Assim como me pareceu exagerado que o presidente da República se tivesse dado ao trabalho de, um dia depois de consumado e resolvido o incidente, descer das alturas que habita para rasgar em público as vestes na severa condenação de um episódio pontual já entretanto sanado. Sua excelência quis, pelos vistos, também molhar a sopa. O problema é que se esqueceu de todas as caldeiradas a que tem assistido com a passividade das esfinges e o alheamento das múmias. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não tenho a intenção de fazer chover no molhado. Mas, com franqueza, a honra do parlamento nacional tem uma bitola de avaliação superior à que deve medir a dignidade da nossa assembleia regional? A pergunta, como se calcula, é meramente retórica. Porque é evidente que, resultando ambas da emanação da vontade popular, e mau grado as precedências que as separam na hierarquia das instituições políticas do país, a dignidade da primeira é exactamente igual à dignidade da segunda. Independentemente dos silêncios comprometedores do dito presidente de todos os portugueses. Bem como do insuportável atestado de menoridade que esses silêncios necessariamente comportam.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É claro que sei que somos nós os culpados da ofensiva indulgência com que o país lida com o achincalhamento permanente das instituições regionais. Ao ponto de, para nossa desgraça, ter sido necessária a ajuda de um incidente lamentável na Assembleia da República para nos darmos conta de como são aviltantemente baixos os nossos níveis de exigência, e de como são rasteiros os padrões de comportamento com que alegremente convivemos. &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-5621033687219972509?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/5621033687219972509/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=5621033687219972509' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/5621033687219972509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/5621033687219972509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/07/vamos-ver-se-consigo-parar-antes-de.html' title='A autonomia dos padrões rasteiros'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-1054821164499800828</id><published>2009-06-27T11:21:00.072+01:00</published><updated>2009-06-30T18:56:22.277+01:00</updated><title type='text'>Os aventais da política doméstica</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O dr. Jardim adora as histórias de aventura e mistério. A Trilateral povoa-lhe os sonhos. Com a Maçonaria tem uma relação de amor-ódio. E o clube de notáveis que alegadamente aspira governar o planeta e respectivos arredores exerce sobre ele fascínio idêntico ao da luz que se esconde por detrás das trevas. Reminiscências, presumo. Dos seus verdes anos de operacional de secretária. Ou, melhor dito, herança dos tempos em que, fujão, trocou a carreira de tiro que defendia para os outros pelas manobras arriscadas da acção psicológica. Acreditem. É de tal modo intensa a sua queda para o oculto que é nela que nascem e desaguam muitas das decisões políticas que toma. E assim não precisa de prestar contas a ninguém.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Querem um exemplo? Pois cá vai.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era uma vez um presidente de Câmara acidental caído de pára-quedas na função. Para sua eterna desgraça, o acaso que lhe indicou o caminho da política omitiu-lhe que teria de partilhar os Paços do concelho com os olhos e ouvidos de quem tudo pode. Um safado, como veremos, o dito acaso! Acresce que, ingenuamente alheado de tão ameaçadora circunstância, o fortuito presidente atribuiu-se, ainda por cima, o direito de achar que poderia nomear para chefe do seu gabinete alguém da sua confiança pessoal. De modos que um dia, sem olhar a sério para o terreno minado que pisava, resolveu sacar um nome do seu rol de relações. E talvez porque cumprisse um destino trágico, decidiu fazer seu lugar-tenente o motivo futuro (só mais tarde viria a sabê-lo) da sua presente desgraça.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Importa salientar que &lt;em&gt;olhos e ouvidos de quem tudo pode&lt;/em&gt; não passa de um modo eufemístico de dizer outra coisa. Em bom rigor, há bastante mais anatomia envolvida no caso. Porém, percebam. Não gosto de imiscuir-me nas histórias cor-de-rosa de ninguém. Até porque sei, de ciência certa, que as conhecidas razões que Pascal desconhecia conservam ainda, nos dias de hoje, a razoabilidade que as celebrizaram. É-me impossível, no entanto, deixar de convocar aqui tão delicada e pessoal matéria. Por uma razão simples, que passo a exprimir com a máxima elegância que a inspiração me dá: é público e notório que uma componente importante da política regional passa pelo leito clandestino dos serôdios arrufos presidenciais. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Importa, do mesmo modo, avançar algumas notas da biografia não pública do cavalheiro que o nosso improvável edil entendeu nomear seu acólito. Garante quem sabe (e a Quinta Vigia tem a certeza que sabe) que o cavalheiro em questão é dado ao esoterismo de certas práticas discretas. Usa avental, em suma. Obviamente fora das suas actividades profanas. E evidentemente à margem das suas obrigações profissionais. Mas, como se sabe, na Madeira é assim. Um maçon é, por definição, um suspeito. E se, ainda por cima, se dá ao desplante de se travar de razões com a mais-que-tudo da única pessoa importante da ilha, de suspeito passa de imediato à condição de condenado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora, para desgraça do futuro ex-autarca vicentino, foi exactamente assim que as coisas se passaram. O seu chefe de gabinete desentendeu-se com a notária da Câmara. Esta bateu com a porta e foi a correr chorar no ombro amante do nosso &lt;em&gt;capo di tutti capi&lt;/em&gt;. E este, furibundo e de coração dilacerado, accionou de imediato os mecanismos de punição. Num primeiro momento, mandou despedir o aventalado chefe de gabinete, a pretexto da sua putativa condição de maçon. No seguinte, despachou o ingénuo presidente da Câmara, por não ter percebido que, na Madeira, há uma política de travesseiro que se sobrepõe à política institucional. E assim foi feita justiça. E assim se vai escrevendo a política. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há, no entanto, algo que não consegui perceber ainda. O que é que terá sido tratado, no mês de Março passado, no cordial (fraterno?) e secreto encontro que Jardim manteve na Quinta Vigia com o Grão-Mestre da Maçonaria Regular portuguesa? Alguém poderá elucidar-me? Ou será este mais um dos mistérios que tanto animam o ócio do presidente? &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-1054821164499800828?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/1054821164499800828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=1054821164499800828' title='28 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/1054821164499800828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/1054821164499800828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/06/o-avental-da-politica-domestica.html' title='Os aventais da política doméstica'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>28</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-2815208310633158132</id><published>2009-06-22T11:39:00.040+01:00</published><updated>2009-06-27T11:12:32.406+01:00</updated><title type='text'>A inevitabilidade do regresso</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Regresso. Estimulado pelo doce contentamento que se tem quando se volta. Estarrecido, porém, com os estados de alma que surpreendi em boa parte dos comentários que li. Abreviando, a coisa mais parece uma montanha-russa. Com píncaros de incenso que de todo não mereço. Entremeados por chibatadas depressivas na alarve retoiça de um pelourinho que não esperava. Um retrato, em suma, da vidinha que levamos. Que me faz lamentar não ter percebido antes que fazer um blogue é o mesmo que aceitar o jugo de um contrato leonino (logo eu, que não escondo a minha militante condição de lampião empedernido..!) que só me traz obrigações. E que me leva a suspeitar que há por aí muita intolerância escondida por debaixo de um estaladiço (valha-nos isso!!!!) verniz democrático.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se bem entendi, há quem tenha passado a exigir de mim a aceitação do ritual diário da escrita e o cumprimento de uma agenda política qualquer. Como se me fosse negado o direito de escrever o que simplesmente me apetece. Ou como se alguns dos meus estimados seguidores reivindicassem para si o direito de me expropriarem de um espaço que eu próprio aceitei voluntariamente partilhar. Ignoro, como é evidente, onde é que esta gente vai legitimar semelhante conduta. Temo, no entanto, que os catecismos onde se inspiram possam ser versões usadas das cartilhas que dizem condenar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não é meu propósito tornar demasiado pesado o fim deste interregno. Até porque ainda respiro os fumos da Makumba (assim mesmo, com kapa e maiúscula, numa para mim deliciosa &lt;em&gt;private joke&lt;/em&gt;) que me levou ao retiro. Porém, não posso deixar de afirmar que ando farto dos penduras que aqui se instalaram de armas, rancores, bagagens e ressaibos. Cabem cá todos, como é evidente. E aqui ninguém é superior a ninguém. Mas já que falamos de estados de alma, concedam-me o direito de expressar também o meu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em suma, meus ilustres amigos, regresso para tentar ser o que sempre fui: um observador independente da política madeirense; um comentador de políticas e de condutas políticas; um homem livre que não cede a chantagens nem abdica do seu exercício diário de liberdade. Quando escreve e quando não escreve. E quem pensa que algum dia eu possa cair na tentação de ceder aos bruderes ou a outros cavalheiros quejandos bem pode esperar sentado. De preferência, sem chatear. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Agradecido.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-2815208310633158132?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/2815208310633158132/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=2815208310633158132' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/2815208310633158132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/2815208310633158132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/06/inevitabilidade-do-regresso.html' title='A inevitabilidade do regresso'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-8132758731894268065</id><published>2009-05-19T14:58:00.022+01:00</published><updated>2009-06-29T12:06:09.253+01:00</updated><title type='text'>O povo superior</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Para não variar, a histeria passou depressa. Jardim disse o que disse. Mas dois dias bastaram para que se esvaziasse o balão do descontentamento. Ainda bem que na Madeira é assim. As ofensas duram horas. E aos insultos mal se liga. Creio que neste particular o dr. Jardim tem carradas de sorte e de razão. Somos de facto um povo superior. Dotado de uma capacidade de encaixe virtual e virtuosamente ilimitada. Alegremente acomodado à frenética produção regional de ameaças e vitupérios. Olimpicamente condescendente com o sistemático atropelo da decência e das regras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os empresários do sector hoteleiro foram os alvos mais recentes dos humores incertos de sua excelência. Deram-se ao inenarrável desplante de almoçar com o primeiro-ministro do seu país. Terão mantido com ele um diálogo civilizado e eventualmente útil. E chegaram ao ponto de posar sorridentes para os flashes das câmaras dos fotógrafos. Um verdadeiro despautério, em suma. Que deixou o dr. Jardim de cabelos em pé. E lhe permitiu perceber uma realidade estarrecedora. A seguinte: na sua generalidade, os empresários estão muito mais interessados em olear a economia em que actuam do que em envolver-se na política politiqueira que não leva ninguém a lado nenhum. Hoje com o dr. Jardim. Amanhã com o engenheiro Sócrates. Depois de amanhã com quem lhes assegurar bons negócios e liberdade de acção. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Compreendamos, pois, o homem. Qualquer um no lugar dele reagiria como ele reagiu. Desde que, como é evidente, tivesse da democracia, do exercício do poder e da intervenção do estado na sociedade a concepção que ele manifestamente tem.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-8132758731894268065?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/8132758731894268065/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=8132758731894268065' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/8132758731894268065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/8132758731894268065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/05/o-povo-superior.html' title='O povo superior'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-2505582241103878184</id><published>2009-05-17T11:09:00.048+01:00</published><updated>2009-05-19T21:22:38.235+01:00</updated><title type='text'>Impressões de uma viagem</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ando preocupado com o dr. Jardim. Esbraceja de modo inquietante e patético. Aceita desaforos com a passividade de quem perdeu a razão, a vontade ou o fôlego. E, muito pior, assiste cabisbaixo aos acontecimentos em que participa com a humildade forçada de um actor de quarto plano. Estará doente (lagarto, lagarto, lagarto), o nosso venerando líder? Ou estará simplesmente farto da evidente inconsequência de muitas das guerras que inventa?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Reparem. O senhor Pinto de Sousa passou por cá. Distribuiu cumprimentos e espalhou sorrisos. Entregou magalhães e seduziu empresários. E teve ainda tempo de assumir de peito aberto, e sem tíbias meias-tintas, as suas conhecidas divergências com o senhor da ilha. Uma goleada, em suma. Diante de um valoroso adversário temível a falar de longe. Que só deu nas vistas por ter mantido a boca calada. E que assistiu, roído de raiva e escondido algures, ao passeio tranquilo do seu mais recente ódio de estimação. Peço desculpa se estiver a ver mal. Mas não creio que o Jardim atropelado que vimos seja o mesmo que se afadiga no diário propósito de demonstrar-nos que só ele tem o poder de mandar e desmandar, de fazer e desfazer, de dizer assim ou assado apenas porque lhe apetece.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Certo. Só uma rematada burrice daria ao senhor Sócrates a Marinha Grande que nesta altura tanto jeito lhe dava. E Jardim, não custa reconhecê-lo, pode ser tudo menos burro. Mas daí à embaraçada complacência com que viu a presuntiva fonte de todos os nossos males passados, presentes e futuros fazer gato-sapato da sua principal bandeira eleitoral (a famigerada lei de Finanças Regionais) vai a distância que separa a falta de comparência da derrota honrada. E bem pode esfalfar-se agora escrevendo e gritando que o primeiro-ministro faltou à verdade. O simples facto de o engenheiro Sócrates ter cá vindo serenamente dizer o que pensa tem um peso que obviamente abala a estratégia de um político que, pelos vistos, só sabe fazer-se ouvir a partir da casota. Até porque agora ficou aberto o caminho para que todos possamos perceber que a culpa de uma lei, que também eu considero injusta e errada (porque errados são os seus pressupostos), reside nesta nossa jardinista e cunhista mania de propalarmos aos quatro ventos, seja na Europa, seja no país, uma riqueza que estamos longe de ter. Ora, foi esse um dos méritos da visita. A partir de agora, o dr. Jardim vai ter de explicar melhor que raio de milagre é este que nos põe tão ricos nas estatísticas nacionais e europeias, mas tão pobres, afinal, na realidade. A menos que a oposição (e, em particular, o PS regional) não saiba aproveitar a boleia de uma visita tranquila de um primeiro-ministro que o dr. Jardim não ousou enfrentar.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-2505582241103878184?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/2505582241103878184/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=2505582241103878184' title='73 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/2505582241103878184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/2505582241103878184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/05/impressoes-de-uma-viagem.html' title='Impressões de uma viagem'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>73</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-4566275582971184018</id><published>2009-05-08T10:16:00.057+01:00</published><updated>2009-10-03T23:18:07.601+01:00</updated><title type='text'>Mistérios de campanha</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Gosto do ambiente festivo das campanhas. Não há depressão que resista a umas quantas toneladas de cartazes. Não há crise que não ceda perante a força assertiva da frase criativa. É disso que gosto. Da imaginação à solta. Da cor berrante sem rédea. Do arraial apelativo do bacalhau a pataco. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É claro que a democracia era bem capaz de dispensar grande parte das pequenas fortunas que nestas alturas se gastam. Se houvesse imaginação e decoro, creio bem que partidos e candidatos seriam capazes de estabelecer um contacto com os cidadãos não necessariamente mediado por um sem número de frases dispendiosas com escasso ou nenhum sentido. Porém, compreenda-se. Há uma pequena indústria que não vive sem o lado cénico da política. De modos que o mais certo é que ninguém pretenda agravar os males importados ou endémicos desta perpétua crise nossa de cada dia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Permitam-me no entanto o atrevimento de um desabafo. Ando maçado com a falta de qualidade daquilo que vejo. Já que as campanhas nos custam os olhos da cara, acho ter o direito de exigir que os partidos façam mais do que cumprir calendário. Dizendo coisas que a malta entenda. E tendo a decência de não se apartarem da realidade. Ora, em geral, o que se vê é o contrário disso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O PS, por exemplo, exibe o dr. Vital acompanhado de uma frase enigmaticamente inacabada. "Nós, europeus" é tão só o que diz a curiosa sentença. Sem o favor explicativo de um verbo. Sem a graça qualificativa de um complemento. Um problema sintagmático, em suma. Que me deixa perplexo. Que quase me exaspera de dúvidas. Que me faz abrir a boca de espanto perante a densidade esotérica do marketing político.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já o PSD é mais palavroso. A frase que acompanha o cavalheiro-que-está-no-lugar-que-era-para-ser-do-dr.-Sérgio (desculpem, mas não lhe fixei ainda o nome) sentencia que somos cada vez mais europeus. Mais do que exaltar a clareza da mensagem, rendo-me à sua evidente oportunidade. Porque, pelos vistos, a percepção da nossa identidade tem andado um tanto à deriva. Se calhar, do mesmo modo que temos tido o futuro ao sabor do vento. Mas pronto. As nossas dúvidas existenciais estão agora esclarecidas. É verdade que o cartaz laranja (o tal que era para ter o dr. Sérgio, mas que transporta, ao invés, um substituto que os eleitores um dia destes hão-de ter o privilégio de conhecer) nada nos diz sobre as razões de tão súbito reforço dessa nossa magnífica condição. Aposto, no entanto, que neste caso o mistério é filho da modéstia. Acreditem. A verdade-verdadinha é que nós passámos a ser mais europeus no preciso dia em que o dr. Jardim tomou a decisão de passar metade do seu tempo em Bruxelas, ou em outras cidades afins, fazendo sabe-se lá o quê. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É dos livros que um povo há-de ser aquilo que for o seu líder. Humilde, no entanto, o dr. Jardim finge que não é nada com ele. E assim dribla a maçada de explicar-nos aquela coisa indecorosa do PIB empolado e pantomineiro que ele usa em seu proveito na Europa, mas que na realidade nos vai penalizando o desenvolvimento, a economia e os bolsos.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-4566275582971184018?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/4566275582971184018/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=4566275582971184018' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/4566275582971184018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/4566275582971184018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/05/misterios-de-campanha.html' title='Mistérios de campanha'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-3028925696401245785</id><published>2009-05-04T10:48:00.064+01:00</published><updated>2009-05-08T10:16:41.086+01:00</updated><title type='text'>Manobras de diversão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não custa reconhecer que o homem é um verdadeiro ás. Dispara cortinas de fumo com a precisão dos atiradores de secretária. Inventa manobras de diversão com o rigor militar das casernas que nunca frequentou. E arremete contra os inimigos que imagina com a valentia desenvolta de um verdadeiro Quixote. Um cabo de guerra, em suma. Um general. Com pança. Rodeado de sanchos. E devidamente montado em cavalgaduras dóceis.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O último prodígio que lhe conhecemos ganhou a forma ondulante de meia dúzia de bandeiras da independência que ninguém quer. E Lisboa ficou a saber que a Madeira está por tudo. Até, veja-se a ousadia (!), para o atrevimento de fazer subir ao mastro cimeiro do resquício colonial o símbolo já extinto da &lt;em&gt;libertação&lt;/em&gt; sonhada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A avaliar pela controvérsia, é de presumir que o Terreiro do Paço tenha tremido. O Conselho de Estado deve ter-se reunido a toque de caixa, obviamente amputado da presença do comandante Jardim. Os ministros, sitiados em São Bento, deverão ter-se desmultiplicado em cenários de catástrofe e em planos de contingência. A tropa, GNR incluída, terá entrado em estado de alerta. A protecção civil, transida, mergulhou com certeza no &lt;em&gt;bunker&lt;/em&gt; das situações de emergência. E, muito provavelmente, até o herdeiro da lusa coroa deve ter entrado em agonia perante o cenário doloroso de mais um braço da pátria indivisível e una ameaçando apartar-se.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Julgo saber que a população da ilha não deu um mínimo de importância ao caso. Não admira. Tivessem antes hasteado a bandeira da autonomia e mais amplificado e politicamente conseguido teria sido com certeza o efeito alcançado. De modos que os menos esclarecidos nem deram conta da acontecência. Os razoavelmente informados ouviram falar dela mas não lhe passaram cartão. E os que, apesar de tudo, ainda ligam alguma coisa à política tiveram mais que fazer do que perder tempo com tolices.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há, no entanto, uma leitura política que vale a pena ser feita. A avaliar pelo episódio, a política madeirense travestiu-se de paródia. O desemprego dispara, mas quem manda gasta o tempo a agitar utopias que ninguém quer. A dívida galopa, mas o poder trata dela com a atitude desbragada de um carnaval trapalhão. E a crise global ameaça, mas o nosso governo próprio consome-se em disparatadas congeminações que nem sequer atenção merecem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Julgo que não erro se disser que nos dava muito jeito um governo. Com um presidente residente. E com responsáveis sectoriais politicamente responsáveis. Só que em vez disso temos uma nada esforçada comissão administrativa. Formada por funcionários travestidos de políticos. Que pouco ou nada planeia. E que se limita ao expediente que vem da véspera. Porém, nota-se que se divertem. Inventam inimigos. Brincam à política e às guerras. Mandam hastear bandeiras. E dizem enormidades.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aqui vai mais uma. Na esteira flamejante da onda abandeirada que o mais-importante-da-ilha para sua diversão decretou, vem agora a estrepitosa sentença: "&lt;em&gt;se ficasse à espera da republica portuguesa, a Madeira nunca teria dado o salto que deu&lt;/em&gt;". Para sermos justos, não se pode dizer que a frase tenha um conteúdo cem por cento separatista. Percebe-se, no entanto, que a ideia está lá. O que Jardim quer dizer é que a Madeira se basta a si própria. Esquecendo, no entanto, que as carradas de milhões que vieram da Europa só cá chegaram por sermos uma região politicamente autónoma mas juridicamente integrada num país europeu. Ora, já que as suas motivações pátrias parecem ser puramente mercantis, faça o cavalheiro o favor de pôr os olhos, por exemplo, em Cabo Verde, e veja lá se é capaz de manter as provocações separatistas que tanto gozo lhe dão. A menos que o seu problema seja mesmo com a forma republicana de governo que o país adoptou. Se é isso, paciência, nada a fazer. Cada um cultiva as nostalgias que entende. Acho, porém, lamentável que pretenda passar uma esponja sobre o ponto em que nos deixou o estado novo da sua permanente saudade. É que se agora damos saltos, nesse tempo nem um passo conseguíamos dar. E muitos mais daríamos se a autonomia que temos nos providenciasse um governo de verdade.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-3028925696401245785?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/3028925696401245785/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=3028925696401245785' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/3028925696401245785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/3028925696401245785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/05/manobras-de-diversao.html' title='Manobras de diversão'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-6587249346008786441</id><published>2009-04-30T11:05:00.049+01:00</published><updated>2009-05-01T18:42:12.987+01:00</updated><title type='text'>Obrigado, senhor presidente</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tenho andado a cismar com a descoberta do Tribunal de Contas sobre as viagens do dr. Jardim. Sabem. Pesa-me na alma a ideia de que o nosso venerando líder possa andar confrontado com uma ameaça terrorista. Ao ponto de me sentir quase culpado. Nós aqui no bem-bom do conforto dos nossos lares, enquanto ele se obriga a passar a vida em aeroportos, quartos de hotel, automóveis com motorista e reuniões importantes de conclusões secretas. Tenhamos vergonha. Ninguém tem o direito de pedir a um governante o seu sacrifício pessoal. E nenhum de nós merece que alguém em nosso nome se imole na fogueira do desconforto, no ardume da solidão, no negrume que esconde o perigo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chamem-me tremendista. Mas em parte nenhuma do mundo um presidente mantém em segredo, depois de fazê-las, as viagens que faz. É verdade que o dr. Jardim não é um presidente qualquer. Ele é, digamos, um presidente-viajante. Que se ausenta semana-sim-semana-não. Que estoicamente se obriga a procurar o sustento da terra que ama nas lonjuras esconsas dos corredores da Europa. Que dá literalmente o corpo ao manifesto em benefício da região que representa. Os outros, os presidentes não-viajantes, podem dar-se ao luxo da imprudência. Refiro-me aos obamas deste mundo, aos sarkozys que por aí andam, aos browns e às merkels que também nos mandam, bem como a outros demais líderes de estirpe semelhante. Esses, como sabemos, permitem-se divulgar com quem e onde estiveram. E vão até ao ponto, imprudentes e vaidosos que são, de nos revelarem os resultados concretos das escassas viagens que fazem. Como se não tivessem, também eles, o direito ao segredo. Como se as ameaças que certamente também enfrentam pudessem ser negligenciadas. Ou como se andassem todos a reboque de um impulso imprudente e louco de prestação de contas. Deviam olhar para o nosso dr. Jardim, é o que é. E assim ficariam a saber como deve actuar um presidente no mundo de ameaças várias em que os governantes, desgraçadamente para eles, têm de movimentar-se.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É claro que eu próprio gostava de saber o que faz o dr. Jardim nas constantes viagens que em nosso benefício efectua. Compreendo, no entanto, que sua excelência nada nos diga. Segredos são segredos. E se o homem decidiu não mexer nem remexer nos nossos sentimentos de culpa é porque sabe que nos sentiríamos esmagados pela monumentalidade das coisas a que se vem sujeitando em nosso nome e para nosso proveito. Respeitemos, pois, a opção de sua excelência. E, sobretudo, sintamo-nos gratos. É este o apelo sentido que daqui me atrevo a lançar. A jornais e jornalistas agora histéricos depois de anos cúmplices de descaso e silêncio. E a partidos e políticos da oposição que, pelos vistos, adiaram até agora a indignação a que sempre tiveram direito. E olhem que quem vos fala (este vosso humilde criado) é alguém arrependido. Vai fazer a 1 de Junho precisamente um ano que, com manifesta insensatez, deixei aqui no Terreiro as seguintes palavras: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"...&lt;em&gt;todos temos o democrático direito de saber o que é que o presidente do governo anda afinal a fazer nas suas andanças quinzenais. Não em virtude de qualquer curiosidade mais ou menos voyeurista. Mas porque ao nosso democrático direito de saber que passos dão em nosso nome aqueles que nos governam, corresponde o dever igualmente democrático desses governantes nos prestarem contas. Seja por sua vontade expressa, seja por intervenção e iniciativa dos media. De maneira que, não havendo explicações, teremos de concluir que sua excelência andará certamente a passear, posto que nada de relevante tem para nos dizer depois das suas cada vez mais frequentes saídas. A menos que prefira que pensemos que se está positivamente nas tintas para nós&lt;/em&gt;." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sinto-me envergonhado, podem crer. Mas, que querem?! Há um ano não tinha percebido que os segredos presidenciais eram segredos de segurança. E lamento que tenha sido necessária a intervenção do Tribunal de Contas para finalmente conseguir enxergá-lo (não há pior cego...). É com este sentido de arrependimento que escrevo estas linhas. Mesmo sabendo que o desconforto do nosso venerando líder é mitigado pelo aconchego solidário de um &lt;em&gt;assistente permanente &lt;/em&gt;que ninguém, todavia, tem a dita de conhecer. Para ele também a minha gratidão. &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-6587249346008786441?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/6587249346008786441/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=6587249346008786441' title='41 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/6587249346008786441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/6587249346008786441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/04/obrigado-senhor-presidente.html' title='Obrigado, senhor presidente'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>41</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-8706054984011361720</id><published>2009-04-26T12:11:00.068+01:00</published><updated>2009-04-29T22:17:40.995+01:00</updated><title type='text'>O elogio da acção directa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Deve ser coisa do espírito de Abril, do cepticismo em que milito, ou do cúmulo de semelhantes entidades. Mas por uma qualquer razão que pode ser tudo menos estranha apetece-me escrevinhar qualquer coisa sobre o estado a que isto chegou. Admito que o tema é rebarbativo, quase deprimente. De modos que solicito a indulgência e estoicismo de vosselências, cujos, estou certo, não me serão negados. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então, é assim. Já toda a gente percebeu que vivemos numa democracia consolidada apenas nos seus aspectos formais. Elegemos periodicamente umas centenas de representantes que abusam do mandato que têm. Andamos com a vida envolvida num embrulho de palavras de um dialecto, o &lt;em&gt;politiquês&lt;/em&gt;, que temos dificuldade em compreender. Os eleitos sacam-nos o voto com miríficas promessas, depois utilizam-no como muito bem querem e entendem. A política produz novas e luzentes fortunas, em obediência a uma singular e muito exclusiva interpretação do papel distributivo do estado. Os partidos atiram-se às eleições com o único e patriótico propósito (autonómico, no nosso caso) de acederem ao dinheiro do erário. E se alguém se atreve ao protesto, é certo e sabido que tem pela frente uma desagradável lista de rótulos que, por pudor, me dispenso de reproduzir. Não obstante, e em abstracto, a política é uma actividade nobre. Os partidos são instituições basilares das democracias. E as eleições são, em simultâneo, um exercício individual de cidadania e um momento de afirmação da nossa vontade colectiva. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O quadro geral descrito tem cores mais carregadas na Madeira. Na concepção de quem manda, somos um povo ao serviço das causas do chefe. Se ele tira o chapéu, é conveniente que façamos o mesmo. Se o cavalheiro berra, jura que o faz em nosso nome. Se nos envergonha é porque em nosso interesse se imola. Se persegue quem não o atura é porque se tem como zelador dos bons costumes que não desiste de nos continuar a impor. Em suma, o cavalheiro é a única pessoa importante da terra. Que manda em tudo, menos no desemprego que sobe. Que tudo governa, menos a economia que se engasga. Que tem receitas para tudo, menos para nos dar uma vida política normal e decente. E que se eterniza no poder porque dispõe como quer dos milhões do nosso orçamento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É claro que não ponho em causa a legitimidade democrática do senhor supremo da ilha. Ele vai a votos. O povo ao seu serviço dá-lhe a graça do poder. E como a vida democrática da terra se cristalizou nas periódicas vezes em que vamos às urnas, tudo parece (e está) de acordo com os preceitos da democracia representativa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora, é precisamente aqui que quero chegar. No plano formal, e no estreito ponto de vista do funcionamento dos mecanismos de representação política, a nossa democracia funciona. Porém, no plano substantivo deixa muito a desejar. E isso, a meu ver, remete-nos tanto para a perversão de quem manda como para a necessidade de reforçarmos a dimensão participativa que a democracia supõe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acho, com efeito, que temos um défice de participação. Por alheamento. Por falta de hábitos. Mas também por força da atitude governamental de sistemática diabolização de todas as formas de intervenção cívica que possam escapar ao controlo do poder. É por isso que não fazemos os referendos que devíamos fazer. É também por isso que o chefe supremo da ilha vai aos arames cada vez que se fala em acções populares. E é igualmente por isso que praticamente não há movimentos de cidadãos actuando politicamente fora do quadro partidário. Por impossibilidade legal? Bem pelo contrário. A nossa lei fundamental acolhe e estimula o direito de participação directa dos cidadãos na direcção dos assuntos políticos do país. E a generalidade de quem estuda estas matérias considera que a utilização dos mecanismos que legalmente estruturam a democracia participativa não só moraliza a administração como ajuda a formar a consciência colectiva dos povos. É por isso que não há acções populares em ditaduras. E há-de ser também por isso que os poderes que se presumem absolutos diabolizam e perseguem todas as formas de intervenção dos cidadãos, para além das que formalizam a democracia representativa. O mais que consentem é um voto ritualizado de quatro em quatro anos. E assim preservam a importância que lhes incha o umbigo e afaga o ego.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-8706054984011361720?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/8706054984011361720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=8706054984011361720' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/8706054984011361720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/8706054984011361720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/04/o-elogio-da-accao-directa.html' title='O elogio da acção directa'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-7161937589419099216</id><published>2009-04-24T10:42:00.039+01:00</published><updated>2009-04-26T11:25:22.708+01:00</updated><title type='text'>A queda para o fora de jogo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É um fastio ter de falar do PS-Madeira. Porém, o equilíbrio exige que o faça. A agenda mediática também. E o patético desfile de uns quantos arrivistas tolos é suficientemente luzidio para atrair atenções. Mas o tédio, meus senhores, é mais que muito. Sabem. Aquilo não é um partido. É antes um grupo de aventureiros. Não é uma formação política. É sim um bando de umbigos à solta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O líder, já se viu, é a personificação da indigência política. Nada diz que se retenha. E tem um sentido de oportunidade que até dá arrepios. A última vez que o vi perorar perante as câmaras de televisão, o cavalheiro falava de eleições. Como vão disputar-se três nos próximos seis meses, dei por mim, quase incrédulo, a segredar aos meus botões: querem ver que o homem acertou finalmente na agenda?! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um esclarecimento antes de prosseguir com o relato. As minhas dúvidas sobre o sentido das prioridades do dr. Gouveia não resultam de qualquer má vontade da minha parte. Assentam nos factos. O indivíduo é useiro e vezeiro em trocar debates parlamentares de orçamentos, contas e programas de governo por querelas paroquiais na assembleia municipal onde também se senta. Lidera o maior partido da oposição, mas já confessou a ambição de ser um dia presidente da câmara de São Vicente. Queima bandeiras da flama quando escassíssimas pessoas na faixa dos trinta ou quarenta anos sabem sequer o que isso é. E dispara para dentro do partido, ao arrepio do calendário eleitoral, e com todo estrondo que pode, apesar do adversário estar obviamente lá fora. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fim de esclarecimento. Adiante com o relato. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Recapitulo, pois. Estaria o cavalheiro finalmente a compasso com a agenda? Os meus botões quedaram-se mudos. Até porque a resposta à minha exclamada interrogação foi dada de imediato pelo próprio dr. Gouveia. As eleições que interessam ao PS não são as próximas. São, isso sim, as que vão disputar-se em 2011. Nessa altura, gaguejou, o PS há-de estar em condições de retirar o poder ao PSD.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A sentença, como imaginam, nem merece comentários. Estou convencido, aliás, de que o dito dr. Gouveia falou das eleições de 2011 como poderia ter falado das de 2015 ou de 2019 (isto, claro, se sua eternidade, o dr. Jardim, não voltar a fazer a maldade de nos baralhar as contas dos anos eleitorais). O que ele verdadeiramente queria era despachar a bola para a frente. Só que o fez com tanta força que ela foi parar à bancada, levando atrás de si a bota, o pé e o dr. Gouveia &lt;em&gt;himself,&lt;/em&gt; em mergulho vistoso em direcção ao estatelanço do fora de jogo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sabem. Politicamente falando, o fora de jogo é o crónico destino do dr. Gouveia. Tanto pelos seus incontáveis méritos. Como pelas ajudas que ocasionalmente recebe do &lt;em&gt;lumpen&lt;/em&gt; que o aconselha. A recente entrevista de um tal Agostinho Soares é um hino ao disparate. O modo amigo e fraterno como publicamente se trucidam uns aos outros faz corar o próprio dr. Jardim. A total ausência de um discurso com um mínimo de sentido remete o PS-M para o domínio do exemplo de como não se deve fazer política. E a impressionante incapacidade que o partido revela em travar esta alegre e tola caminhada em direcção ao abismo é um verdadeiro &lt;em&gt;case study&lt;/em&gt;. Mas, enfim. Como cada um sabe de si, eles certamente saberão o que é que pretendem da vida...&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-7161937589419099216?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/7161937589419099216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=7161937589419099216' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/7161937589419099216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/7161937589419099216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/04/o-fora-de-jogo.html' title='A queda para o fora de jogo'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-1425417719439589138</id><published>2009-04-23T09:43:00.025+01:00</published><updated>2009-04-23T11:33:49.329+01:00</updated><title type='text'>O grande mestre do nosso xadrez</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Até pode ser que o dr. Jardim esteja inocente. Mas conhecendo a sua propensão para a mania da traição florentina, ele há-de compreender que a gente desconfie. Adivinharam. Falo de Sérgio Marques e do processo que levou ao fim da sua comissão de serviço no parlamento europeu. Para insistir na ideia de que terá havido no caso a aplicação de uma rasteira das antigas. Ou para admitir com esforço que, a não ser assim, isto é capaz de ter sido coisa do demo ou dos astros.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Recuperemos alguns factos. Não há muito tempo, Jardim levou a leilão o lugar que Sérgio Marques ainda ocupa. O facto ocorreu na solenidade sombria de uma reunião do &lt;em&gt;politburo&lt;/em&gt; do partido. E, segundo rezam as crónicas, quase toda a gente foi apanhada de surpresa. Não admira. Semanas antes, tanto o partido como a opinião pública tinham como adquirida uma nova candidatura do deputado Marques. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As mais benignas interpretações conspirativas feitas na altura convergiram num único sentido: Jardim tinha a intenção de substituir Sérgio Marques para poder jogar com o seu nome no tabuleiro das autárquicas. O verdadeiro alvo da manobra seria, como é evidente, o demasiado independente Miguel Albuquerque. E o beneficiário exclusivo da dita seria o fantástico &lt;em&gt;tandem&lt;/em&gt; formado pelo inefável dr. Cunha e pela sua notável chefe de gabinete.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Manda a verdade que se diga que em certos círculos se aventaram outras hipóteses. Em homenagem ao maquiavelismo pindérico do dr. Jardim, houve quem admitisse a possibilidade de estarmos perante um cenário ainda mais retorcido. O seguinte. O nosso crónico líder anda com o delfim Cunha pelos cabelos. A irracionalidade divisionista do dito ameaça pôr o partido em estado de sítio. E como o PSD nunca esteve tão à beira de se escaqueirar por dentro como depois da ascensão do inenarrável Cunha às alturas do mando, o peão Sérgio Marques poderia ser o nome certo para, de uma assentada, pôr em sentido o presidente do Funchal e o vice-presidente da Madeira. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sabem. A incrível facilidade com que o dr. Jardim sabe jogar com os apetites alheios é já quase mítica. De maneira que não excluo nenhuma das hipóteses precedentes. Mas dada a forma como as coisas evoluíram, parece claro que o dr. Jardim se esqueceu de um pequeno pormenor. Não abriu o jogo com Sérgio Marques. E o resultado está à vista. Este não foi em cantigas. Resolveu ficar de fora do saco de pulgas em que o PSD se transformou. E lá se perdeu mais um putativo delfim às ordens submissas do chefe. Para alegria de Cunha. Para contentamento de Albuquerque. Para regozijo desse &lt;em&gt;petit richelieu&lt;/em&gt; que aparece em todas e dá pelo nome de Guilherme Silva. Porém, para furioso embaraço de quem, já por vício, vai mexendo e remexendo os cordelinhos. Faz-se assim a política da terra. Com esta elegância. Com esta categoria. E o grande líder lá vai saltitando de jogada em jogada.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-1425417719439589138?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/1425417719439589138/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=1425417719439589138' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/1425417719439589138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/1425417719439589138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/04/o-grande-mestre-do-nosso-xadrez.html' title='O grande mestre do nosso xadrez'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-6008721651963002066</id><published>2009-04-19T19:22:00.042+01:00</published><updated>2009-07-05T11:16:41.756+01:00</updated><title type='text'>Totalitarismo à moda do vice</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O vice do chefe da ilha anda agastado com o valor excessivo dos impostos municipais. E como não é pessoa de calar o que sente, fez o favor de, em seu e em nosso nome, puxar as orelhas às câmaras, que é como quem diz aos presidentes das ditas. Estou-lhe grato. Gostei de saber que há por aí um vice preocupado com as contas que pagamos ao estado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É verdade que apreciaria bastante mais que o dito cujo se abespinhasse, mesmo que fosse só em nosso nome, com os impostos que dele dependem e nos abocanham os rendimentos. Porém, compreendo que não lhe apeteça fazê-lo. É sempre mais fácil apontar o dedo aos outros. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acontece, no entanto, que as leis democráticas que nos organizam a vida conferem ao poder local uma autonomia plena. Os responsáveis autárquicos subordinam-se apenas à vontade soberana de quem os elege. Não têm outra tutela que não seja a que decorre do império da lei. E têm o seu quadro de competências legalmente protegido da interferência de qualquer outro ente político. Para o dr. Cunha, no entanto, isso não passa de uma bizarria qualquer. Ele é vice-presidente do governo, logo pode botar sentença sobre tudo e mais alguma coisa. Mesmo ao arrepio do dever de contenção que os políticos a sério habitualmente respeitam.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Certo. Para além de político, o dr. Cunha é também cidadão. E foi nessa qualidade, há-de dizer sua excelência, que se permitiu dizer umas quantas verdades aos albuquerques e baetas instalados nas câmaras. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pois. Compreendo o argumento. O Cunha-cidadão está contra a política municipal do partido do Cunha do governo. De modos que, sendo pessoas distintas, podem dizer o que querem, que ninguém há-de acusá-los do que quer que seja. Nem de safadeza. Nem de deslealdade. Nem de hipocrisia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É claro que a gente percebe a verdadeira natureza das nobres preocupações do dr. Cunha. Como estamos em ano de autárquicas, é preciso suprir a falta de uma oposição a sério. Até porque senão os albuquerques ainda voltam a disparar nos votos, coisa obviamente terrível para o futuro político do nosso vice dr. Cunha, bem como para os interesses patrimoniais do cidadão que também é.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas o que verdadeiramente me preocupou nos três miseráveis pontinhos que hoje li do vice do chefe foi o argumento que utilizou. Diz ele que as câmaras devem reduzir as tabelas de impostos, dado que têm contratos-programa celebrados com o governo - no fundo, uma forma mais ou menos retorcida de sugerir que quem paga manda. Ora, não percebo por que razão deixou o argumento a meio. Se tivesse agitado um pouco mais as meninges levaria certamente mais longe a profundidade do raciocínio. Propondo a fixação administrativa (pelo governo, já se vê) das tabelas municipais de impostos e taxas. E acabando com essa fantasia que dá pelo nome de poder local autónomo. Uma dúzia de delegados do partido do governo bastariam para resolver a coisa. Em nome da democracia e dos interesses do dr. Cunha.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-6008721651963002066?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/6008721651963002066/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=6008721651963002066' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/6008721651963002066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/6008721651963002066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/04/totalitarismo-moda-da-casa-ii.html' title='Totalitarismo à moda do vice'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-3631466272908500339</id><published>2009-04-19T10:38:00.039+01:00</published><updated>2009-04-29T10:40:22.717+01:00</updated><title type='text'>Totalitarismo à moda da casa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O degredo político aguarda a chegada do dr. Sérgio Marques. A decisão está tomada. E o processo já está em marcha. Depois do incenso, da exaltação e das loas, o purgatório há-de ser a etapa seguinte. Em nome, claro está, dos superiores interesses do partido, do futuro da Região, das conveniências de quem manda. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acreditem. Isto não é leninismo. É apenas jardinismo no seu estado mais puro: todos ao serviço do partido; todo o partido ao serviço do chefe. Sem lugar para o luxo da dignidade pessoal. E sem margem para a mania do pensamento autónomo. É fácil de perceber. O sistema sobrepõe-se ao indivíduo como as engrenagens transcendem as peças. O todo é a única finalidade. As pessoas não passam de comparsas menores de valor coisificado e instrumental. E a encimar tão prodigiosa construção, existe apenas a excelsa e caprichosa vontade da única pessoa com direitos de personalidade - o nosso querido líder! Ora digam lá se a coisa não está bem concebida...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O dr. Jardim não sabe. Mas a sua força é simultaneamente a sua fraqueza. Ela só vale enquanto à sua volta só houver cunhas perversos e sonsos. À medida que se for descobrindo que o purgatório é suportável e que a dignidade vale mais do que o elogio de consumo instantâneo, há-de começar a perceber-se que o chefe não passa (ele também) de uma peça (apenas mais uma) da cada vez mais insuportável engrenagem que nos governa. Dispensável como todas as outras. Descartável como as demais. Os sistemas totalitários são assim: depois de implantados, sobrepõem-se até aos seus próprios criadores. E até o dr. Jardim há vir a percebê-lo um dia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não custa admitir, dito isto, que o dr. Jardim só faz o que lhe dá na gana porque o partido, virgílios e sérgios incluídos, lhe permite que ele faça apenas o que lhe dá na gana. Todos lhe dão carta branca. E nunca ninguém se atreveu a balizar a discricionaridade da sua vontade. Pois o resultado aí está. Desta vez sob a forma de caso Sérgio Marques. Da próxima envolvendo outro nome qualquer, num processo que há-de depender, como é bom de ver, da intriga palaciana que nesse momento vingar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Concordo com o que diz hoje o dr. Cunha nos três pontinhos que no Diário escrevinha: a política regional anda estranha. E nada como quem sabe do que fala para nos lembrar que a política madeirense é um terreno pouco sadio de jogadas subterrâneas e intriga permanente, onde impera a ausência de escrúpulos e o apetite desenfreado dos que se sentam à direita do chefe. Sérgio Marques vai senti-lo agora. Só espero é que tenha a arte de trocar as voltas aos que pretendam fazer dele um caso exemplar de punição da dignidade atrevida. Sabem. Resistir é também um bom exemplo. Sobretudo para os que possam não ter ainda descoberto que há muito mais vida para além da cada vez menos recomendável política oficial do nosso totalitarismo doméstico.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-3631466272908500339?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/3631466272908500339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=3631466272908500339' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/3631466272908500339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/3631466272908500339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/04/totalitarismo-moda-da-casa.html' title='Totalitarismo à moda da casa'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-1630606365294631033</id><published>2009-04-13T14:50:00.073+01:00</published><updated>2009-04-14T11:36:58.648+01:00</updated><title type='text'>Queridos inimigos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O DN anda em guerra com o dr. Jardim. Como a qualidade dos entes se mede em grande medida pela estatura dos inimigos que têm, é de presumir que estão bem um para o outro. O dr. Jardim adora, como se sabe, o papel de vítima putativa dos azedumes ocasionais de alguma comunicação social. E o DN anda, pelos vistos, com umas súbitas maldades entaladas na garganta. Resultado: nem as amêndoas pascais adoçaram a relação de tão queridos e inseparáveis inimigos; e nem a leve circunstância de o dr. Jardim ter sido durante anos o melhor director de marketing do "independente" cá do burgo teve o condão de suavizar o, salvo seja, morticínio que todos os dias se anuncia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma vez que o terreno escorrega, e porque o seguro morreu de velho, deixem-me esclarecer desde já o que penso do &lt;em&gt;leitmotiv&lt;/em&gt; alegado de tão belicosa refrega. Entendo, sem margem para dúvidas, que a EDN tem razão. É injusto que o poder político distorça, ainda por cima em seu exclusivo benefício, as regras da concorrência. É imoral que um governo se permita interferir no mercado publicitário ao sabor da discricionaridade das suas conveniências. É perverso o poder que asfixia sem pestanejar tanto a imprensa que tutela como aquela que não controla. A social-democracia não é isso. O papel regulador do estado também não. A função supletiva do sector público muito menos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acho muito bem, portanto, que a EDN reaja. Emitindo os comunicados que considere oportunos. Denunciando a violência de que está a ser vítima. E levando o caso a todas as instâncias que lhe parecerem capazes de acabar com o desmando.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há, todavia, uma perplexidade que me aflige. As razões da EDN são velhas de vários anos. A intervenção do governo no JM é um processo que vem de longe. E a utilização perversa da publicidade como meio de pressão política é uma prática com mais de duas décadas. Não obstante, nunca o protesto da administração do DN foi tão audível, tão radical, tão veemente. Como se só agora tivesse despertado para o problema. Ou como se as velhas fórmulas (inocente eufemismo das negociatas promíscuas de certas traficâncias político-jornalísticas) com que sempre lidou com ele tivessem de repente perdido a eficácia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Reconheça-se. O caso dá que pensar. E eu, acreditem, gostava que um dia me explicassem o que é que, afinal, mudou assim tanto na relação tantas vezes cúmplice, e quase sempre lucrativa para ambos, entre a EDN e o dr. Jardim. Não é por nada. Mas tenho o péssimo costume de gostar de perceber as coisas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como não gosto das meias-tintas, permito-me ainda uma nota final. Compreendo, como disse, a justeza das razões da administração da EDN. Verifico, no entanto, que a expressão do seu protesto vem contaminando a orientação editorial do Diário. E assim há-de ser até à celebração de mais um armistício (outro eufemismo). Não me sinto, nem mesmo ao de leve, incomodado com o facto. Suspeito, no entanto, que o dr. Jardim agradece a gentileza. Uma imprensa hostil às vezes dá jeito. Quanto mais não seja para justificar atitudes e branquear o faz-de-conta da democracia que temos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-1630606365294631033?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/1630606365294631033/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=1630606365294631033' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/1630606365294631033'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/1630606365294631033'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/04/queridos-inimigos.html' title='Queridos inimigos'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-1086147335781652939</id><published>2009-04-06T10:23:00.046+01:00</published><updated>2009-04-07T19:35:39.963+01:00</updated><title type='text'>Instabilidade com pré-aviso</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Curioso. Três dias depois, e nada. Nem uma palavra. Nem um comentário. Nem um rumor. Jardim assobia para o lado. A Rua dos Netos limita-se a observar. Os comentadores oficiosos nem deram pelo assunto. As araras da Quinta Vigia esganiçam silvos despreocupados. E, barricado na cidadela do seu gabinete, o dr. Albuquerque espreita e espera. Entretanto, cá fora, a malta comenta. É o pobre do dr. Jardim que deixou de ter mão mão no partido. É o presidente da Câmara que sem os votos das autárquicas fenece politicamente. E é o folhetim da sucessão que vai erraticamente marchando ao sabor dos impulsos dos candidatos irrequietos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seja lá o que for, a verdade é que o dr. Jardim foi encostado à parede. Com um simples título de jornal, Albuquerque trocou-lhe as voltas. E a gestão política do processo de preparação das autárquicas deixou de ser exclusiva do crónico dono da estratégia laranja.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tenho como certo que Jardim não tem outro remédio senão engolir a afronta. A menos, claro, que lhe surja o milagre de uma ajuda externa. Não vejo, porém, que os ganhos da manobra política de Albuquerque possam ir além da sua já quase inevitável candidatura. É verdade que ao permitir-se torpedear a estratégia eleitoral do líder do partido a que pertence, o actual presidente da Câmara do Funchal conseguiu pôr em evidência a relativa autonomia dos seus objectivos políticos. O problema do episódio é que se calhar acrescentou mais uma mossa ao relacionamento politicamente distante que se sabe existir entre ele e o chefe da agremiação a que ambos pertencem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não nos iludamos. O dr. Jardim é muito capaz de fingir entusiasmo quando um dia destes vier a público oficializar a recandidatura de Miguel Albuquerque. Mas como não é político de ficar a remoer desaforos em casa, é certo e sabido que depois vamos ter festa. Como aconteceu no tempo de Virgílio Pereira. E como há-de acontecer sempre que alguém tiver o atrevimento de colocar uma agenda pessoal, por mais legítima que seja, à frente da estratégia do presidente do partido. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A sorte de Albuquerque, de Jardim e do PSD é que a oposição é curta. Porque neste quadro de circunstâncias não há mais-valia política no facto de a Câmara do Funchal e o governo da Região virem a ter novamente a mesma cor partidária. Bem pelo contrário. O cenário mais provável é que o relacionamento entre os dois executivos venha a ser difícil e pontualmente crispado. Tanto pelo que atrás ficou dito, como pelo facto de ser público e notório que Jardim não quer Albuquerque nas contas da sucessão. Ora, como a corda se rompe sempre pelo lado mais fraco, está-se mesmo a ver a festarola em que andaremos daqui a alguns meses. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se ao menos houvesse uma oposição a sério...&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-1086147335781652939?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/1086147335781652939/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=1086147335781652939' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/1086147335781652939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/1086147335781652939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/04/instabilidade-anunciada.html' title='Instabilidade com pré-aviso'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-2023514388746454226</id><published>2009-04-03T10:28:00.030+01:00</published><updated>2009-04-03T13:54:14.747+01:00</updated><title type='text'>A casa em desordem</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;1. Albuquerque fartou-se do tabu à moda de Jardim e passou ao ataque. Ainda ninguém lhe disse que sim ou que não, mas ele já sabe que é candidato a um novo e último mandato da CMF. Não tem assento no órgão do partido com poder deliberativo sobre a matéria, mas já decidiu que vai a votos com a equipa que actualmente o acompanha. Quanto ao dr. Jardim, ele que vá dar uma voltinha, mais a sua estratégia de gestão do silêncio e do tempo, que ele, Albuquerque, tem mais que fazer do que ficar eternamente dependente de caprichos ou planos alheios. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Decididamente, as coisas no PSD já não são o que sempre foram. A vontade soberana do chefe já teve melhores dias. E agora das duas uma: ou o dr. Jardim engole a afronta, procurando integrar o voluntarismo de Albuquerque na estratégia do partido, ou abre uma brecha na pretensa unidade do dito. Juro que não é por maldade. Mas dá-me um certo gozo imaginar o dr. Jardim furioso e à rasca, sem saber se deve dar um murro na mesa, ou se deve fazer de conta que o assunto não é com ele. Sabem. As lideranças eternas têm às vezes percalços assim. Instalam-se no tempo, e acabam por esquecer que tudo na política tem um prazo de validade. Até a eternidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;2. Consta que os sócios do Marítimo autorizaram a direcção a prosseguir os trabalhos com vista à transformação do estádio regional dos Barreiros em arena futebolística verde-rubra. Achei graça à notícia. Meia dúzia de cavalheiros resolveram decidir sozinhos um assunto que os ultrapassa. Como se a Madeira e o Marítimo se confundissem. Ou como se a assembleia-geral de um clube tivesse direitos de representação de todos os madeirenses.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Insisto nesta ideia. Para mal dos nossos pecados, somos todos sócios à força e contribuintes líquidos obrigados de uma sociedade anónima desportiva. Não obstante, as decisões que nos dizem respeito são-nos literalmente subtraídas por um órgão em que não participamos. Como sou leigo em leis e parco em ideias, já me perguntei se uma providência cautelar ou uma acção popular poderiam contribuir para pôr esta gente na ordem. Mas como a ignorância nada me responde, atrevo-me a pedir a algum dos meus solícitos leitores a graça de uma resposta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Compreendam. Por um lado, maça-me profundamente que o senhor Pereira-presidente-do-Marítimo, em quem nunca votaria para coisa nenhuma, entenda que tem o direito de usar e abusar dos meus direitos de cidadania. E aborrece-me solenemente, por outro, que se pretenda confinar à assembleia-geral de um clube de bola, por mais respeitável que seja, uma decisão potencialmente lesiva dos interesses paisagísticos, ambientais e urbanísticos da capital da Região. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pode ser que esteja a ver mal o problema. Mas acho que chegou a altura de explicar a esta malta que até na Madeira há muito mais vida para além dos interesses da bola e dos caprichos de quem manda.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-2023514388746454226?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/2023514388746454226/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=2023514388746454226' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/2023514388746454226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/2023514388746454226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/04/casa-em-desordem.html' title='A casa em desordem'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-3230333888812362907</id><published>2009-03-29T23:05:00.035+01:00</published><updated>2009-04-29T12:18:43.974+01:00</updated><title type='text'>O novo evangelho segundo Jardim</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Salve, dr. Jardim. Vosselência acaba de inscrever o seu ilustre nome no restrito rol de políticos com pretensões moralizadoras. Há trinta e não sei quantos anos que lhe andavam a sentir a falta. Dizendo, imagine-se o peso da injuria, que se tresmalhara em definitivo. E jurando, vejam só a injustiça dos homens, que são políticos da sua estirpe que dão mau nome à política. Eu sempre soube que não era assim. Algo me dizia que, na hora da verdade, o guardião da virtude que habita em si se libertaria das grilhetas que o aprisionaram durante mais de três décadas. É com um misto de alegria e orgulho que verifico que não me enganei. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para quem não sabe, aqui fica a grata novidade: o dr. Jardim acaba de defender que políticos suspeitos de corrupção deveriam ser pura e simplesmente postos a andar. Mesmo que não tenham sido acusados de nada por quem de direito. Ou que nunca venham a ser formalmente acusados de coisa nenhuma. Bem haja, pois, dr. Jardim. O moralismo pátrio está-lhe grato. E a seriedade acaba de contrair uma dívida que não há-de pagar tão cedo. A política, estou certo, não voltará jamais a ser como dantes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Presumo que sabem do que falo. A voz justiceira do novo campeão da ética governativa acaba de pedir a cabeça do engenheiro Sócrates. Numa democracia a sério, sentenciou o nóvel paladino dos bons costumes - &lt;em&gt;honni soit... -&lt;/em&gt;, primeiro-ministro suspeito é primeiro-ministro despedido. E como as democracias a sério devem ser o farol das que não passam de um reles faz-de-conta, está-se mesmo ver onde vai desaguar esta nova e inesperada tese ético-política do nosso dr. Jardim: ao justicialismo da praça pública; ao veredicto sem contraditório da &lt;em&gt;vox populi&lt;/em&gt;; à mimosa inversão do ónus da prova. Essa dispensável coisa esdrúxula que dá pelo nome de sistema formal de justiça deixa de contar para o que quer que seja. E as provas a ter em conta passarão a ser os justiceiros decibéis que o berreiro popular em cada momento produza. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gosto da ideia, dr. Jardim. Ainda bem que alguém teve a coragem de verbalizar tão expedita tese. É verdade que vosselência não a enunciou em toda a espessa essência que tem. Mas não foi preciso. O simples facto de ter pedido a cabeça do primeiro-ministro a pretexto do caso freeport diz tudo sobre a sua adesão ao tele-evangelismo político nacional. E, como estou seguro de que a sua nova teoria não há-de aplicar-se em exclusivo ao caso concreto do engenheiro Sócrates, percebi com júbilo que, não tarda nada, vamos ficar todos a conhecer as contas e os financiadores da Fundação Social-Democrata; não tive dúvidas de que nunca mais assistiremos ao espectáculo indecoroso das suas manifestações públicas de solidariedade política a presidentes de câmara formalmente acusados de actos ilícitos; tive a certeza de que vosselência vai mandar investigar e punir os súbitos enriquecimentos que toda a gente conhece; fiquei certo de que as derrapagens de milhões em praticamente todas as obras públicas vão, enfim, ter consequências; foi-me dado entender que passarão a ser punidos com o olho da rua, em processo sumário de qualquer denúncia pública, todos os titulares de cargos políticos que omitam deliberadamente dados sobre a evolução do seu património quando preenchem as declarações que o Tribunal Constitucional exige; ganhei a convicção de que as "negociatas" em tempos denunciadas hão-de ter, todas, o desfecho devido; e sorri perante a visualização do cabisbaixo desfile de deputados-empresários em direcção à porta da rua.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vosselência, dr. Jardim, devolveu-nos a esperança. Era mesmo do que andávamos a precisar. De maneira que nem vou cometer a deselegância de lhe falar da quinta do Brasil que um dia se disse que o meu ilustre amigo possuía. Até porque sei que o processo que instaurou a quem teve a ousadia da acusação foi mais tarde benevolamente retirado. Olhe, isso são águas passadas. Tal como as coisas obscuras do porto do Funchal. Tal como os negócios sinistros da Empresa de Electricidade da Madeira. Tal como aquela "estória" das actas do seu governo que, ao que se ouve dizer, ficam assinadas e abertas durante o largo período de um ano. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Compreenda-se. Ninguém há-de querer saber de miudezas perante a conversão de vosselência à bondade objectiva da justiça popular. Até porque, como é sabido, o céu regozija-se mais com a conversão de um pecador do que com as esperadas boa acções dos justos. Ora, se é assim no céu...!&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-3230333888812362907?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/3230333888812362907/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=3230333888812362907' title='21 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/3230333888812362907'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/3230333888812362907'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/03/o-novo-evangelho-segundo-jardim.html' title='O novo evangelho segundo Jardim'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>21</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-4263149083116935745</id><published>2009-03-26T19:04:00.052Z</published><updated>2009-03-28T16:11:32.904Z</updated><title type='text'>A mundividência de quem manda</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Consta que se encontra na Madeira uma delegação político-empresarial das ilhas Canárias. E está-se mesmo a ver que os jornais de amanhã vão dedicar ao facto o relevo que ele merece. As fotografias da praxe hão-de registar para a posteridade o nosso empreendedor vice tratando de assuntos sérios com o seu homólogo da vizinhança que nos fica a sul. Em lugar de destaque estará com certeza também o ex-keeper Grisaleña que, mercê dos serviços prestados ao Marítimo, goza de uma espécie de dupla indentidade insular. E, para compor a solenidade laboriosa do quadro, lá teremos fatalmente o brilho dos jovens acólitos do voluntarioso dr. Cunha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não há, podem crer, nenhum segredo ou mistério por detrás deste aparente exercício de adivinhação ou prognose. Um curto exercício de memória revela-nos que o ritual se repete sempre que dá jeito transmitir a ideia de que o dr. nosso vice trabalha afincadamente na definição de um quadro de cooperação entre a Madeira e Canárias. Ora, como as circunstâncias se puseram novamente a jeito do dr. Cunha, lá vamos tê-lo a apontar novamente a bússola do futuro para um sul qualquer que, pelos vistos, há-de fazer escala em Las Palmas. É natural. Se calhar, não conhece muito mais mundo do que esse. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É claro que me rendo à proactividade diligente do magno gestor da nossa economia. A Madeira necessita, de facto, de multiplicar os contactos com o exterior, nomeadamente com as áreas que lhe são contíguas. E só tem a ganhar com o reforço da cooperação institucional e económica com parceiros feridos de problemas semelhantes aos nossos. Devo observar, no entanto, que a África também nos é próxima. E ninguém levará a mal que acentue o enorme potencial que se esconde por detrás de certos processos regionais e sub-regionais africanos de integração económica. De modos que me incomoda pensar que a preguiça apressada do dr. Cunha pode levá-lo a sentir-se aliviado da responsabilidade de encontrar soluções externas para os males endémicos da nossa atravancada economia por via de uns encontros mais ou menos festivos e cheios de lugares-comuns com os sulistas &lt;em&gt;nuestros &lt;/em&gt;&lt;em&gt;hermanos.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dirão os crentes - os genuínos, os convertidos e os de conveniência - que não é justo ser preso por ter cão e encarcerado por não ter. Têm razão. Juro que hei-de fazer penitência pública quando um dia verificar que esta aproximação natural a Canárias é capaz de render mais do que palavras, champanhe e croquetes. Mas compreendam. O cadastro do dr. Cunha neste domínio específico da procura de saídas para a economia da RAM até dá arrepios. Basta lembrar que, por manifesto descaso, a Madeira e as suas associações empresariais têm andado sistematicamente arredadas dos encontros que o governo português promove com as delegações ministeriais e empresariais que a seu convite nos visitam. Impõe-se recordar igualmente que temos uma Casa da Madeira em Lisboa (uma embaixada, imagine-se!) que nem uma simples informação nos faz chegar sobre o tráfego mensal de empresários à procura de parcerias, e de governos de países com dinheiro necessitados de tecnologia, capacidade empreendedora e competências várias. Do mesmo modo que, à cautela, convém recordar também a caríssima festarola de reservadíssimo consumo interno que o dr. Cunha promoveu há uns anos atrás a pretexto de uma iniciativa europeia pensada para a promoção externa das regiões da UE. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enfim, cada um sabe de si, do mundo que conhece e das prioridades que tem. Mas como as acções do passado constituem uma boa grelha de antevisão do futuro, receio bem que venhamos um dia a descobrir que temos andado prisioneiros de uns ilustres cavalheiros para quem o mundo das oportunidades económicas se resume ao local onde passam as férias. &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-4263149083116935745?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/4263149083116935745/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=4263149083116935745' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/4263149083116935745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/4263149083116935745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/03/mundividencia-de-quem-manda.html' title='A mundividência de quem manda'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-3970240931291352889</id><published>2009-03-23T09:51:00.057Z</published><updated>2009-10-04T11:05:23.026+01:00</updated><title type='text'>O embuste da santa aliança</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É evidente que a culpa só pode ser minha. Cada um é como é. E eu, pobre de mim, nasci pobre de compreensão. De uma forma sumária, o meu problema formula-se assim: não percebi, não percebo, e tenho a certeza de que nunca hei-de perceber, qual a utilidade da visita institucional do inefável dr. Gama às latitudes africanas desta belíssima parcela pátria. Não é embirração minha, acreditem. É mesmo incapacidade. Por mais voltas que dê, não consigo enxergar qualquer efeito prático dos devaneios turístico-políticos do senhor presidente do parlamento nacional. Independentemente do empenho que parece estar a pôr neste indizível papel de kissinger luso de uso doméstico. Ou dos pungentes apelos que o dr. Jardim finge que faz com as reservas mentais conhecidas. E a razão é devastadoramente simples: sua excelência, até me dói a alma dizê-lo, não manda rigorosamente nada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não tenho a mais pequena intenção de apoucar tão subida figura do Estado português. Porém, convenhamos. O presidente do parlamento tem uma reduzidíssima capacidade de influenciar o curso da vida política nacional. Dirige os trabalhos de um parlamento comandado pela vontade de dois ou três directórios partidários. E substitui ocasionalmente o presidente da República se as ausências deste fizerem mergulhar o país na depressão da orfandade. Ora, como é bom de ver, e pedindo desculpa pela talvez excessiva simplificação, o facto confere a sua excelência a condição, salvo seja, ou de um mestre de cerimónias ou de um suplente escassamente utilizado. O que parecendo muito é, reconheçamo-lo, praticamente nada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não nos iludamos, pois. O dr. Gama só é a segunda figura da hierarquia do estado para efeitos de protocolo. Para quase nada mais. Tem influência porque frequenta os bastidores. Mas, em bom rigor, a sua vontade vale pouco mais do que coisa nenhuma. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já que vou embalado, atrevo-me a ir um pouco mais longe. A influência do dr. Jaime Gama no curso da política portuguesa é muito mais tributária da sua conhecida condição de figura referencial de uma das sensibilidades do partido do poder do que do lugar que ocupa no protocolo de Estado. Aí, de facto, ele move-se bem e tem peso. O que me faz pensar que a sua visita à Madeira tenha sido ditada por egoístas razões partidárias e não por altruístas preocupações de Estado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Explico. É vital para o dr. Gama não permitir que o poeta Alegre polarize todas as franjas de descontentamento que se sabe que existem no seio do PS relativamente ao líder Sócrates. E, na falta de melhor terreno de demarcação, encontrou no tapete vermelho que o dr. Jardim lhe estendeu o espaço que precisava para afirmar a autonomia do seu posicionamento estratégico.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ou seja, estou perfeitamente convicto de que o dr. Gama veio à Madeira muito mais preocupado com Sócrates, e com a preservação do seu espaço no interior do partido, do que com essa novela de faca e alguidar que tem por sujeito o azedume crónico das relações entre os governos da Madeira e do país. Ele sabe muito bem que rigorosamente nada pode decidir nesse domínio. E tão bem ou melhor do que ele, sabe-o igualmente o dr. Jardim. Porém, ao líder madeirense deu jeito exaltar a putativa capacidade de intervenção do dr. Gama. Porque, fazendo-o, aumentou o valor do seu mais recente troféu de caça. Ao mesmo tempo que deu rédea solta à ideia de que a culpa das más relações com o continente reside em exclusivo na intransigência do primeiro-ministro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Temos, pois, em marcha uma curiosa aliança entre dois ilustres e despudorados cavalheiros que não sentem qualquer problema em servir-se dos cargos institucionais que ocupam para juntarem mais um tijolo às estratégias político-pessoais que desenharam. A menos, claro, que o dr. Gama tenha aceite sacrificar por momentos a sua imagem de estadista em nome da meritória tarefa de tentar negociar com o dr. Jardim o lugar de recuo que ele tanto procura mas que um Sócrates azedo nunca lhe dará. Mas isso são coisas para verificarmos mais tarde. Para já, o que se retira do embuste de uma visita institucional que nunca valeu o que dela se tem dito é que o dr. Gama, consciente e deliberadamente, tirou mais uma vez o tapete aos seus correlegionários locais. Mas, pelos vistos, a alta política desenvolve-se assim.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-3970240931291352889?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/3970240931291352889/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=3970240931291352889' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/3970240931291352889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/3970240931291352889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/03/o-embuste-e-santa-alianca.html' title='O embuste da santa aliança'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-5783085802733829661</id><published>2009-03-19T19:23:00.044Z</published><updated>2009-10-04T11:11:19.827+01:00</updated><title type='text'>Sai um pacote para a mesa do canto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Deixem-me ver se percebi. Afinal, e ao contrário do que pensávamos, temos crise. Apesar do trabalho de casa do dr. Cunha. E a despeito da excelência da governação que temos. Uma crise, imagine-se! Confesso que ainda estou mal refeito do choque. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Podem crer que se não fosse o dr. Jardim a anunciar tão devastadora novidade eu não lhe daria o mínimo crédito. Como se sabe, o homem não mente. E se veio a terreiro desmentir o seu vice é porque a coisa é séria. Arrepiemo-nos, pois. E confiemos mais uma vez na sorte.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É verdade que o dr. Jardim procurou tranquilizar-nos com o anúncio solene de um pacote de medidas. Quarenta e uma, mais precisamente. Creio, todavia, que a ênfase posta no número torpedeou-lhe os intentos. Ninguém pode ficar tranquilo quando são necessárias tantas medidas para combater uma crise. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tenho para mim que o dr. Jardim foi levado ao engano pelos seus colaboradores próximos. O dr. Cunha, prudente, zarpou para o Porto Santo. Uma vez que nega a crise, é evidente que nunca se daria ao desfrute de aconselhar um número jeitoso ao chefe. De modos que deixou essa tarefa aos outros. Os mais tímidos alvitraram a modéstia da meia dúzia. Os mais ousados sentenciaram que um pacote de verdade há-de ter no mínimo duas ou três dezenas de bem esgalhadas medidas. O Machadinho, solícito, sacou do exagero e pespegou com o quarenta em cima do tampo da mesa. E o reflexivo dr. Brazão alertou os presentes para a seca redondeza de tal número. Não o disse, mas há-de ter pensado em qualquer coisa do tipo "ali-Jardim-babá e as suas quarenta medidas". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enfim, a qualidade dos contributos fez entrar em cena o próprio dr. Jardim. Quarenta mais um, decretou então sua excelência. Porque é um número bonito. Porque assenta bem à gravidade da situação. E, ademais, porque tem o mérito de rimar com a situação da Madeira e com os trinta e um que já levo desta vida. E assim nasceu o pacote com que o dr. Jardim nos quis devolver a esperança.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Consta que a discussão sobre o número terá sido muito mais dura do que a selecção das medidas. É natural. Umas pázadas de programas em curso para usufruto dos privilegiados do costume seria suficiente para estruturar a coisa. Depois, compor-se-ia o ramalhete com a possibilidade de os interessados somarem mais dívida à dívida que têm. Mas para não haver dúvidas quanto à modernidade da coisa, foi dado um retoque final com duas arengas que ficam sempre bem. Uma respeitante à modernização das empresas. E outra apontada para a necessidade de conter o desemprego.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não desvalorizo as intenções presidenciais. Questiono, porém, a seriedade de um suposto plano de contingência cheio de medidas requentadas. Por uma razão óbvia e simples. Se, ao contrário do que supôs o senhor vice, elas não nos defenderam da crise, como poderão agora combatê-la?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O episódio teve, no entanto, o mérito da revelação. Trouxe à evidência que o modelo económico mantido não tem almofadas para situações de emergência. Revelou que não sobraram recursos do obreirismo louco que fizeram abater sobre nós. Demonstrou que em trinta e um anos a nossa economia só tem navegado à vista. Mostrou-nos a todos, em suma, que o actual paradigma está morto, porém, ainda não devidamente enterrado. E é pena. Porque o sector público não pode continuar a absorver a quase totalidade dos nossos escassos recursos (ainda por cima em obras que apenas acrescentam despesa à despesa). Porque há problemas de competitividade da economia que não se resolvem com o embuste dos pacotes de conjuntura. Porque há um mundo lá fora carregado de oportunidades a que por qualquer motivo recusamos aceder. E porque, sem prejuízo do seu carácter evolutivo, há uma autonomia política que tem de passar da fase da conquista para a fase do exercício responsável. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É preciso, em suma, mudar de vida. Que a crise nos faça, ao menos, perceber a urgência dessa inevitabilidade. Sem desmerecer, claro está, o carácter profundamente didáctico do pacotinho do dr. Jardim.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-5783085802733829661?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/5783085802733829661/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=5783085802733829661' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/5783085802733829661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/5783085802733829661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/03/um-pacote-para-mesa-do-canto.html' title='Sai um pacote para a mesa do canto'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-3305631434529531579</id><published>2009-03-18T21:55:00.031Z</published><updated>2009-03-19T17:18:42.259Z</updated><title type='text'>O trabalhinho do dr. Gama</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Os maldosos vão ter de engolir a desconfiança. Pensavam, se calhar, que o dr. Jaime Gama viria este ano ao Chão da Lagoa. Enganaram-se. Redondamente. Ele vem, sim senhor, mas agorinha já que mais tarde era capaz de dar um bocado nas vistas. Que diabo. O dr. Gama tem um pingo (aposto que é mesmo só um) de vergonha na cara. Se viesse ao Chão da Lagoa cairia certamente o Carmo e a Trindade. Vindo agora desarma os maldizentes. Ora digam lá se isto não é mesmo coisa de gente esperta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O dr. Jardim disse há dias que do continente só era bem vindo quem viesse trabalhar. Como já sabia da visita do sócio número um do seu cada vez mais restrito clube de fãs, tenho como certo que o dr. Gama vem preparado para dar o corpinho (salvo seja) ao manifesto. Compreenda-se. O dr. Jardim está cada vez mais exigente. De tal modo que onde antes se resolviam as angústias do inquilino das ditas com meia dúzia de elogios, agora é necessária uma visita, uma mão cheia de recepções, as primeiras páginas que forem necessárias, umas quantas entrevistas de exaltação das virtudes democráticas do regime e do seu chefe, tudo isso, como é evidente, devidamente condimentado com o tempero da desvergonha. Entretanto, lá no continente, o eng. Sócrates há-de corar de arrependimento e porventura de inveja. Ele que aprenda. Não é para todos ser recebido na Madeira como o dr. Gama vai seguramente ser.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enternece-me, devo dizer, o enlevo das relações simpáticas entre os órgãos de soberania e os órgãos de governo próprio da Região. Desde que devidamente salvaguardada a esfera de competências de cada um. E na óbvia condição de serem democraticamente respeitadas as diferenças de pontos de vista que possam separar conjunturalmente os dois lados. Note-se. A tensão autonómica não pode ser tida como um drama da pátria. Pelo contrário. Se devida e responsavelmente enquadrada, estou certo de que ela pode, ao invés, constituir um importante impulso criador do desenho do nosso futuro colectivo. Há, todavia, um porém que nenhum político a sério tem o direito de esquecer. As boas relações têm de assentar numa base sólida de respeito e reciprocidade. A não ser assim, a desconfiança instala-se, o diálogo vai-se, e, como tradicionalmente acontece em momentos de azedume, quem se lixa é sempre o mexilhão, se vosselências me permitem a crustácea maresia da expressão plebeia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não quero lembrar coisas do passado. O que lá vai, lá vai, e não se fala mais nisso. Mas juro que ainda não percebi como, e por que artes, é que o dr. Jardim conseguiu subir tanto na tabela taxonómica do dr. Gama. Arrancou do fundo mais fundo que imaginar se possa. Mas agora já se senta onde se sentam os eleitos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para os mais esquecidos recordo que na mente preclara do dr. Gama já não há uma sombra sequer do bokassa de tempos idos ou do défice democrático de má memória. Onde antes havia um ditador há agora um ilustríssimo democrata. E o patriota imenso que o dr. Jardim obviamente agora é nada tem a ver com o famigerado separatista de outros tempos. As coisas mudaram, em suma. Mudou evidentemente o dr. Gama. E mudou, pelos vistos, também o dr. Jardim. A maçada é que ninguém percebeu em que ponto da política lusa se produziu o clique que deu origem a tão acentuada mudança. Bora lá perguntar ao dr. Gama quando e como foi? Ao dr. Jardim não vale a pena que ainda é capaz de nos fazer um manguito, mandar bardamerda ou levar a tribunal. Mas já que o dr. Gama é um senhor polido e paciente, e uma vez que preside ao órgão de soberania que o seu inesperado ídolo, em vistosas cuecas, mandou um dia àquela parte, há-de fazer-nos certamente o favor do esclarecimento conveniente. Mas note-se. Não me refiro ao esclarecimento que pessoalmente lhe convenha. Refiro-me ao outro. Àquele que a seriedade não dispensa.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-3305631434529531579?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/3305631434529531579/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=3305631434529531579' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/3305631434529531579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/3305631434529531579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/03/o-trabalhinho-do-dr-gama.html' title='O trabalhinho do dr. Gama'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-5116248385478669457</id><published>2009-03-16T09:48:00.038Z</published><updated>2009-04-03T16:51:50.042+01:00</updated><title type='text'>Tudo como dantes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Gente amiga e obviamente crédula assegura-me que foi praga. Uma semana inteirinha impedido de escrever, explicaram, só pode ser coisa ou do mau olhado ou das artes clandestinas de vão de escada. A menos que me tenha vacilado a vontade, o que não foi (ainda) manifestamente o caso. Coisa impressionante. A vida da gente nas mãos electrónicas de sistemas &lt;em&gt;high tech&lt;/em&gt;. Mas há, não obstante, quem prefira a irracionalidade das explicações do oculto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Diga-se, no entanto, que nada se perdeu. A prosa que agrada a uns quantos é a mesma que uma imensidão de outros detesta. E, para além disso, a vida política madeirense anda cada vez mais parecida com uma telenovela brasileira - os episódios acontecem todos os dias, mas ninguém perde rigorosamente nada quando se salta uma semana.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É verdade que circularam por aí notícias sobre as (más) contas do PSD. Ao que parece, há uma relação não documentada de transferência de verbas entre o partido institucional da Madeira e a Fundação Social Democrata. &lt;em&gt;So what&lt;/em&gt;? O fenómeno é novo? Alguém vai investigá-lo? Podem as autoridades judiciárias da Região pegar a sério no fio que a entidade fiscalizadora das contas dos partidos conseguiu agora inconsequentemente levantar? Sinceramente não creio. As prioridades são outras. E, a bem dizer, ninguém está para grandes maçadas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É verdade também que o grupo parlamentar do PSD resolveu puxar o tapete a dois dos seus deputados. Um dia qualquer de um futuro que não se antevê próximo, vão ambos prestar contas à Justiça por actos praticados nas actividades que antecederam as actuais funções parlamentares que desempenham. Mas isto, convenhamos, nem merece ser notícia. Numa democracia normal não se perderia tempo a discutir o assunto. As contas que um deputado deve aos costumes por actos não relacionados com a vida parlamentar são exactamente iguais às de outro cidadão qualquer. Nem mais, nem menos. E não há regime de imunidades sério que as possa diferenciar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Concedo, no entanto, que o episódio pode ter ingredientes suculentos. Com promessas interessantes no que diz respeito aos seus desenvolvimentos futuros. Mas com sugestões, também elas curiosas, sobre as putativas razões que lhe terão estado na origem. Como a malta da política adora matar o ócio consumindo as meninges em teorias da conspiração, há já quem jure, sabe-se lá com que intenções, que a singular acontecência deve ser tida à conta do alegre fratricídio em que andam esgadanhados alguns dos suspeitos do costume. Será?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quanto ao mais, meus amigos e prezados inimigos, isto não ata nem desata. A crise resvala na couraça erguida pelo trabalho de casa do nosso dr. Cunha. O dr. Jardim continua a fazer mistério sobre os candidatos às autárquicas na esperança de que ao dr. Albuquerque se lhe estale o verniz. O líder transitório do PS anda por aí a fazer não se sabe bem o quê. O dr. Vieira prossegue a nobre e casamenteira cruzada que consiste em amancebar as volumetrias do dinheiro com os interesses dos munícipes. E o Marítimo continua a levar-nos o dinheirito nesta época de verbas curtas, salários em atraso e concorrência desleal. Ora, perante a incandescência parda de tão previsível quadro bordado e pintado em tons de pastel não é a ausência de uma semana que faz perder o fio à meada. Maçadora, isso sim, é por vezes a dependência do &lt;em&gt;high tech&lt;/em&gt;. Ou das artes ocultas em esconsos vãos de escada, vá lá a gente saber...&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-5116248385478669457?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/5116248385478669457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=5116248385478669457' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/5116248385478669457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/5116248385478669457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/03/tudo-como-dantes.html' title='Tudo como dantes'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-9053498526223885598</id><published>2009-03-09T11:34:00.026Z</published><updated>2009-10-04T14:26:04.886+01:00</updated><title type='text'>A humildade confessada</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Afinal, nem tudo está perdido. Li o texto de ontem do dr. Cunha e reconciliei-me com a política. A sua franqueza tocou-me. O exercício de humildade que fez sensibilizou-me. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Podem achar surpreendente. Mas acreditem que é verdade. Sem pruridos tolos nem subterfúgios escusados, o senhor nosso vice fez questão de informar-nos que, em regra, a ascensão ao poder tem tudo a ver com o acaso e nenhuma relação com o mérito. Mais. Ciente da incredulidade com que as suas palavras seriam acolhidas, ilustrou a tese com exemplos. De Barroso a Santana. De Guterres a Sócrates. De Balsemão a Cavaco. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Saibam os cépticos que o seu exercício de modéstia foi ainda mais longe. Ao ponto, imagine-se da injustiça auto-infligida. O facto de não ter cedido à tentação de incluir o seu nome na lista que elaborou é algo que só o credibiliza e lhe atesta a honra. Não significa, estou certo disso, que exclua a política regional e o seu caso particular da bondade da tese. O que aconteceu, aposto, é que a modéstia há-de ter falado mais alto - emparceirar ao lado de tanto peso-pesado é coisa que seguramente não passa pela humilde cabeça do dr. Cunha. Nem mesmo a título de acidente do acaso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se bem percebi a intencionalidade da prosa, o nosso improvável vice terá pretendido com ela visar alguém em particular. Compreende-se. O dr. Cunha pode não passar de um governante acidental. Mas dá para perceber que não é homem de atirar palavras ao vento assim como quem atira milhões ao mar. Resiste, é verdade, à cruel tentação de identificar o seu alvo. Porém, o político frontal que sabemos que é não podia ser mais directo - aponta clara e inequivocamente para um atrevidote qualquer que anda para aí a dar-se ao desmazelo de perder tempo e cabelo planeando estratégias de tomada do poder. Bravo, dr. Cunha. Ficaria mal comigo mesmo se não lhe relevasse a coragem, o tacto e o sentido de oportunidade. A coragem porque vosselência não treme quando a consciência o interpela a desmascarar certas jogadas. O tacto porque, como toda a gente percebe pela farta e leonina cabeleira que laboriosamente penteia, vosselência tem a prudência de se limitar a perder tempo. E o sentido de oportunidade porque de facto chegou a altura de se denunciar e fazer abortar o descaramento incompetente de certo tipo de manobras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tome cuidado, porém, dr. Cunha. Não leve excessivamente à letra a tese que desenvolve. E atenção ao princípio de Peter. Acredite que uma carreira bem sucedida exige muito mais do que a simples garupa da sorte. Sobretudo em política. Pode crer que as pessoas que votam um dia percebem o logro em que caíram. Mas isto, é claro, só vale para quem vai a votos. Não para quem galhardamente escolhe a sombra protectora de um guarda-chuva aberto ao acaso.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-9053498526223885598?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/9053498526223885598/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=9053498526223885598' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/9053498526223885598'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/9053498526223885598'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/03/humildade-confessada.html' title='A humildade confessada'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-9171742479463125297</id><published>2009-03-06T10:11:00.041Z</published><updated>2009-04-03T16:52:57.618+01:00</updated><title type='text'>O planeamento sem plano</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tropecei hoje ao pequeno-almoço num pensamento complexo. E pasmei. Tanto pelo facto de dar por mim enredado em pensamentos. Como pela natureza intrínseca dos ditos. A nossa mente, acreditem, é um instrumento surpreendente. E eu, deslumbrado, não posso deixar de exaltá-lo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Note-se. Não foi propriamente este o produto matinal da insólita excitação dos meus fatigados neurónios. Nada disso. O conteúdo do intróito não é mais do que um efeito colateral desse meu irreprimível estado de pasmo perante a verificação de como duas pequenas notícias aparentemente desligadas conseguem explicar-nos que o método preferido de quem nos governa é governar quase sempre com ausência de um método. Percebe-se a ideia. Só a irracionalidade é capaz de suprir o uso da razão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Passemos então aos factos. Em virtude de uma notável conjugação astral, a que é com certeza alheia tanto a vice-presidência como o nosso sagaz vice, a edição de sexta do DN trouxe-nos à memória duas das expressões mais notáveis do nosso tenaz planeamento sem plano. Em notícia de página inteira, voltamos a ter contacto com a marina do Lugar de Baixo. Mais adiante, mas em forma de notícia curta, lá voltámos a ter novas desses equipamentos notáveis que a modéstia de quem manda singelamente apelida de parques empresariais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quanto à marina, e a avaliar pelo que se lê, as perspectivas não podem ser mais promissoras. A zona balnear adjacente é capaz de voltar a abrir quando chegar a estação dos banhos. A escarpa lateral que a encima vai a caminho da consolidação. E a malha de aço que rezamos que a segure está a dias de enfrentar o teste pesado dos pedregulhos que ocasionalmente dela despencam. Sinceramente gostei do que li. Nada como as boas notícias para nos fazer esquecer o negrume das más. E nada como a antevisão fabricada de um futuro aparentemente radioso para nos levar a encerrar no saco dos esquecidos o desperdício dos milhões atirados ao lixo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sendo tão imediatamente promissora, a notícia sobre os parques do nosso vice-presidencial contentamento não deixa de acenar também para o brilho dos dias que estão para vir. É certo que nada nos diz sobre a erva que cresce ou sobre as cabrinhas que pastam. Mas, ao anunciar-nos uma linha de ajuda directa à edificação de armazéns, leva-nos ao vislumbre de um futuro laborioso de parques pejados de empresas a mexer. Gosto da sugestão. Já chega de parques empresariais deserto de empresas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A maçada, num caso e noutro, é que não consigo travar as perguntas que me acodem. Custa-me perceber, por exemplo, que urgência ditou a construção frenética de parques sem o prévio envolvimento das associações empresariais. Do mesmo modo que me faz espécie que se tenha desatado a expropriar terrenos, a edificar infra-estruturas e a fazer inaugurações sem que ao menos uma alma caridosa se tivesse lembrado da necessidade simultânea e óbvia de se desenhar um programa de ajudas atractivo para as empresas. Pelo vistos, só meia dúzia de anos depois de concluídas as obras de construção, e nalguns casos já de manutenção, é que alguém percebeu que é preciso muito mais do que o simples toque de caixa da vontade de um voluntarista qualquer para que um empresário aceite alterar drasticamente as rotinas e a vida da sua empresa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas o que me custa mesmo aceitar é que se tenha construído uma marina e um complexo balnear numa zona duplamente crítica sem a prudência de um estudo prévio. De dinâmica costeira nem se falou. E, conforme reconheceu um especialista da UMa, da instabilidade da falésia também não. Porém, gastou-se dinheiro. Uma verdadeira fortuna. Em obras e em obras de reparação das obras. Tudo isto porque um indivíduo qualquer se apanhou com o poder de gerir como lhe dá jeito o dinheiro dos contribuintes. E porque ninguém lhe ensinou que nada de durável se constrói no meio natural sem o estudo prévio das circunstâncias envolventes. Mas não há problemas. A gente depois paga.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-9171742479463125297?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/9171742479463125297/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=9171742479463125297' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/9171742479463125297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/9171742479463125297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/03/tropecei-hoje-ao-pequeno-almoco-num.html' title='O planeamento sem plano'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-8075846380705658867</id><published>2009-03-03T10:42:00.084Z</published><updated>2009-03-04T18:16:54.969Z</updated><title type='text'>Enriquecimento sem causa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Na falta de melhor tema, apetece-me falar hoje desse curiosíssimo fenómeno que dá pelo quase misterioso nome de enriquecimento sem causa. Não sei quem foi o autor de tão inspirada designação. Mas como as palavras valem sobretudo por aquilo que dizem, cheguei a considerar a hipótese de estarmos perante um místico devoto das coisas que se explicam a si próprias. Julgar que alguém pode adormecer pobre e acordar rico sem precisar de explicar o feito equivale a acreditar, pia e militantemente, na força prodigiosa dos milagres. E presumir que um efeito pode dispensar a carambola de uma causa só pode remeter-nos para um estado de gnose que, convenhamos, não é deste mundo. A menos que no lugar de uma crença tenhamos somente a ironia suave de um gozão. Ou que em vez de um exercício de elevação gnóstica tenhamos simplesmente as palavras económicas de um legislador poupado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como é evidente, inclino-me mais para esta última hipótese. Não por duvidar da força imponderável da intervenção do acaso. Nem por recusar a eventualidade de a roda da fortuna poder ser movida também pelo intangível. Apesar do racionalismo céptico que me instruiu, não tenho nesse domínio grandes dores ou preconceitos de natureza filosófica. Porém, por mais que me esforce, tenho de confessar a imensa dificuldade em elevar-me acima do terreno prosaico das causas. Sobretudo quando o assunto é dinheiro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não tenho qualquer problema com a riqueza dos ricos. Ela não me perturba nem um bocadinho, a despeito de ter lido o que devia ter lido sobre a chamada acumulação primitiva do capital. Sou, é claro, sensível à desigualdade e hipersensível à ganância. Incomoda-me a primeira. Desprezo a segunda. Não creio, no entanto, na bondade ideológica ou na legitimidade política do igualitarismo aplicado a martelo. Nem tenho pachorra para o peditório desgraçado dessa espécie de doença social que olha o sucesso material dos mais empreendedores ou afortunados com permanente hostilidade e sistemática desconfiança. Confesso, porém, que tenho um problema com a riqueza repentina gerada pela obra do poder e pela graça de quem manda. Faz-me urticaria. Tira-me do sério. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sei que não se deve acusar sem provas. Mas há indícios que interpelam. Do mesmo modo que há sinais exteriores que nenhum sistema sério de Justiça deveria poder ignorar. De modos que, mesmo não querendo agitar suspeitas, recuso fazer de conta que não sei que há no poder quem tenha chegado à política muito antes da carreira profissional que nunca teve ou da fortuna que agora aparentemente tem. Admito, mas só em tese geral, que a singularidade do facto pode não andar de mãos dadas com a palavra desonestidade. Convenhamos, no entanto, que uma situação assim, mais do que escancarar as portas à dúvida e abrir caminho à suspeição, dá de mão beijada ao abuso o caldo que o pode fazer crescer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já vejo os vigilantes do costume arregimentados para a arenga da praxe. Se não há provas não há culpas. Se não há culpas não pode haver culpados. Depois, como a esperteza saloia lhes dá vontade de rir, hão-de brindar, divertidos, à falácia do axioma. Mas como estas coisas são sérias, vou retaliar com uma sugestão. Concedamos à classe política a possibilidade de justificar a qualquer momento a proveniência dos seus rendimentos. Crie-se para tanto uma entidade fiscalizadora na dependência directa do Tribunal Constitucional. E proceda-se como faz o fisco aos contribuintes. Bastava isso. Todos os nomes para dentro de um sistema informático. Um computador sem partido nem alma a sortear os felizes contemplados. E as sanções devidas a quem fosse culpado de enriquecimento literalmente sem causa. Tenho para mim que um tal dispositivo resolveria muita coisa. E a nossa relação com a política ficaria com certeza mais sã.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-8075846380705658867?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/8075846380705658867/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=8075846380705658867' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/8075846380705658867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/8075846380705658867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/03/enriquecimento-sem-causa.html' title='Enriquecimento sem causa'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-5052127578121685533</id><published>2009-02-28T11:53:00.061Z</published><updated>2009-03-01T12:45:34.270Z</updated><title type='text'>Uma queda a pedido do chefe</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O dr. Miguel Mendonça resolveu descer à terra. Discretamente. Sem pré-aviso. De uma forma tocantemente inesperada. Se calhar, digo eu, não resistiu à saudade das suas raízes telúricas. Ou então, hipótese igualmente aceitável e sem dúvida legítima, cedeu por momentos à agonia das vertigens que lhe desafiam o equilíbrio. Não é caso para menos. Isto de passar a vida em majestáticas alturas há-de entontecer, presunção minha, até as naturezas mais fortes e blindadas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em abono da franqueza, devo confessar que outras explicações mais cínicas me chegaram a interpelar a mente. Não foi culpa minha, sossega-me a consciência. Mas como o pensamento é um mistério que não se controla, dei comigo a contas com um braçado de razões, nem todas simpáticas, potencialmente explicativas deste inesperado regresso do dr. Mendonça lá dos ares que frequenta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não vou, obviamente, aqui revelá-las todas. Assusto-me facilmente com o lado mais negro das ideias que me chegam. E, a bem dizer, ainda me sinto mal refeito do enjoo que muitas das explicações putativamente alternativas me provocaram. Não resisto, ainda assim, a partilhar convosco que me ocorreu - veja-se bem por onde andou, revel, a vaguear-me o pensamento - que o dr. Mendonça entendeu, pura e simplesmente, juntar-se, também ele, à estratégia de ocupação do espaço opinativo mediático, decidida um dia destes pelo espírito sagaz do nosso sempiterno dr. Jardim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Faz sentido. Por culpa exclusivamente própria, Jardim é nesta altura um general rodeado de soldados rasos. Os escassos oficiais militantes andam a tratar da vida. E poucos são aqueles que trazem aos ombros divisas ou galões de mérito merecido. Valha a verdade que a solidão do líder convive tranquilamente com a penúria da situação. Só precisa da companhia atenta do silêncio. E como o zumbido das vozes intermédias é quase sempre uma penosa maçada para o providencialismo populista, ao dr. Jardim basta-lhe o ruído do assentimento ou do aplauso. O problema é que às vezes há eleições. E como estas assentam em dispositivos comunicacionais mais ou menos complexos, é preciso pôr gente a falar. Quanto mais não seja para encher espaço.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É claro que, tratando-se do dr. Miguel Mendonça, a gente espera sempre que, para além de falar, ele seja capaz de dizer qualquer coisa. Mesmo quando escreve à civil, como é o caso do artiguelho que hoje publicou no espaço de opinião do DN. Ou que a finalidade da escrita se limite à urgência de encher papel, ou se fique pela necessidade de disfarçar o militante alheamento partidário que a generalidade da fidalguia laranja já nem se dá à maçada de esconder. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não quero parecer cruel. Mas aquilo é uma decepção e uma oportunidade perdida. Pior. É uma página inteira de coisa nenhuma. Não há uma ideia, um pensamento, uma reflexão. Muito pior. Nem há sequer a mais leve tentativa de nos dar as explicações que nos deve. Nada nos diz sobre o seu recente encontro com o primeiro-ministro. Passa ao lado do ambiente de controvérsia e descrédito em que vive envolto o parlamento. Não dedica uma única palavra à Autonomia. Nem é capaz de situar a Madeira no quadro da crise que assola o país, a Europa, o mundo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ou seja, o dr. Miguel Mendonça desceu literalmente à terra. É presidente do parlamento, mas armou-se em cabo eleitoral de trazer por casa. Escreve em média uma vez por ano, mas nada de relevante nos trouxe. E em vez de se manter à altura do estatuto que tem, optou por aterrar no terreno pequenino das coisas óbvias, no chão rasteiro do recado interno e da crítica insinuada, no espaço da pequena intriga doméstica e de todas as tricas afins, no campo estreitinho onde só cabe o discurso politiqueiro. Mas, enfim, lá conseguiu escrever um textinho. No fim de contas, foi apenas isso que o chefe lhe pediu.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-5052127578121685533?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/5052127578121685533/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=5052127578121685533' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/5052127578121685533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/5052127578121685533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/02/uma-queda-pedido-do-chefe.html' title='Uma queda a pedido do chefe'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-5264847343753331841</id><published>2009-02-26T10:15:00.040Z</published><updated>2009-04-03T17:00:03.605+01:00</updated><title type='text'>O carnaval perpétuo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um sambódromo! Li no oficialmente oficioso que o governo estuda a construção, em zona plana da cidade, de um espaço com capacidade para albergar os dois ou três cortejos alegóricos que abnegadamente produzimos por ano. É mesmo disso que estamos a precisar. Depois, é claro, da construção do novo estádio do Marítimo, de mais meia dúzia de marinas, de dúzia e meia de novos parques empresariais, de uma dezena de centros cívicos, esses notáveis instrumentos socializadores substitutos das tascas e dos adros da igreja do tempo dos nossos avós, e de mais umas quantas promenades apalmeiradas para reganharmos para sempre o mar (ai como é glamoroso e quente este &lt;em&gt;mix&lt;/em&gt; engenhoso e próspero que nos dá, a um tempo, a elegância afrancesada de um passadiço e o tropicalismo vegetal de umas quantas fileiras de plantas exóticas e respectivos comensais...!). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A notícia, admito, é omissa quanto a estas últimas prioridades. Elas são, digamos, um acrescento meu. Juro, porém, que o dito cujo está em linha com o frenético e vagamente delirante &lt;em&gt;obrismo&lt;/em&gt; que tomou conta de nós. Um sambódromo, Santo Deus! Como é que só agora alguém teve a inspiração de pensar em semelhante isso?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Convém dizer, porque a verdade o reclama, que a notícia em apreço contém ainda uma outra omissão sintomática. Não revela que papel está destinado à Câmara do Funchal na edificação desse por certo magnífico monumento pensado em prol da nossa alegria futura. Santa paciência, mas é compreensível: uma cidade que foi incapaz de fazer da comemoração dos seus quinhentos anos um momento de afirmação nacional e internacional da importância estratégica e simbólica do seu passado não é parceiro que se recomende no presente; e uma cidade que reduz a necessidade de se afirmar e projectar para o exterior a umas quantas festarolas de cariz doméstico, cujo registo já se evaporou entretanto da memória dos poucos que nelas participaram, nem merece ser consultada. Trate mas é de arranjar o terreno, e pronto. O resto há-de ficar, como é óbvio, por conta de uma qualquer sociedade (dita) de desenvolvimento. Desde as artes da concepção ao esmero da construção.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Confesso que, assim de repente, não consigo visualizar a imagem de um sambódromo encaixado na cidade. Sou curto de vistas, é o que é. Ou então, hipótese a ter em conta, estou a ser vítima do conhecimento que tenho da volumetria maravilhosa e da estética de encantos mil do original situado no Rio de Janeiro dos nossos sonhos de férias. Estão a ver aquele enorme e cinzento paredão, algures na Choupana, a acenar todos os dias a quem está cá em baixo no Funchal? É uma coisa daquele tipo. A diferença é que, em vez de um, os enormes paredões são dois, convergindo ambos em bancadas e escadinhas em direcção a uma larga alameda onde desfilam os foliões. Coisa pouca, como se vê. E, sobretudo, pequena. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Costuma dizer-se que a vida são dois dias e o Carnaval são três. Pois bem, meus senhores, a Madeira, pelos vistos, está à beira de inaugurar um novo e certamente sugestivo aforismo de pendor carnavalesco. Se calhar, atenta a criatividade notável dos nossos denodados governantes, qualquer coisa do género: como no entrudo vale tudo, façamo-lo acontecer sempre que a gente quiser. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um sambódromo. Mas que ideia brilhante. Pela novidade. Pela originalidade. Pelo alcance. De facto, nada como um Carnaval perpétuo para nos esquecermos de que o desemprego já afecta entre nós mais de dez mil famílias. Ora digam lá se não vale a pena o investimento...&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-5264847343753331841?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/5264847343753331841/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=5264847343753331841' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/5264847343753331841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/5264847343753331841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/02/o-carnaval-perpetuo.html' title='O carnaval perpétuo'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-7005759960410470560</id><published>2009-02-23T17:13:00.049Z</published><updated>2009-02-25T12:16:55.693Z</updated><title type='text'>O território da consciência</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ainda bem que o dr. Ricardo Vieira fez o favor de nos tranquilizar. Estou-lhe grato. Duplamente grato. Por nos ter revelado que o episódio do Savoy lhe correu tão bem que até já admite prolongar o cansaço militante com que reparte a vida pela política e pelos negócios. E por nos ter garantido, a pretexto do mesmo edificante episódio, que o político Ricardo está cem por cento de acordo com a solução proposta à Câmara pelo advogado Vieira. Acreditem. É de políticos assim que a democracia precisa. São mais baratos. Geralmente mais eficazes. E, mal comparado, põem-nos em linha com a moda do dois-em-um que tantos problemas resolveu no mundo competitivo dos detergentes e champôs. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não gosto de partilhar fraquezas íntimas. Mas podem crer que me sinto sempre emocionado quando a vida me revela, para lá de qualquer contestação ou controvérsia, que há, afinal, gente capaz de doar o seu escasso e desinteressado tempo à causa pública. Bem haja, pois, dr. Ricardo Vieira. Que o cansaço lhe seja leve. E que a forma despojada como interpreta as missões que abraça lhe dêem um dia a recompensa que merece. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ironias à parte, diga-se em abono da verdade que o dr. Vieira não inaugurou propriamente nada de novo. Muitos outros, para além dele, andam desde há muito com um pé bem apoiado no lado da decisão e com o outro bem enfiado no estribo do interesse sobre o qual se decide. A novidade, no seu caso, é que pertence a um partido com queda para a retórica moralizadora da vida pública. Para já não falar, como é evidente, dessa pequeníssima insignificância que consiste no facto de integrar o órgão executivo de uma Câmara Municipal. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dir-me-á, já sei, que não manda nem tem qualquer pelouro atribuído. Acrescentará, permito-me adivinhá-lo, que foi eleito por um partido da oposição. E arrematará, como é costume, com esse pequeno embuste que é dizer que nunca vota quando a consciência lhe diz que pode haver conflito de interesses. Compreenda. Uma vez que falamos de alguém que ocupa um lugar no órgão executivo de uma Câmara, nenhum desses argumentos pode ser levado a sério. Por uma razão tão simples quanto cristalina, para lá, naturalmente, de todas as outras que decorrem da lei. Nenhum eleito leva a sua consciência a votos. Esse é um território íntimo a que ninguém acede numa campanha eleitoral. O que quer dizer que nenhum eleitor vota com a alegre intenção de se fazer refém da consciência de quem elege. Pensar o contrário é ter da democracia a perversa ideia de que o voto não passa de um cheque em branco que pode ser usado ao gosto de circunstâncias ou de interesses de ocasião. Ora, acredite-se ou não, eu preferia pensar que o dr. Ricardo Vieira não interpretava dessa forma o exercício da política. O problema é que ele não ajuda.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Bernardino da Purificação&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-7005759960410470560?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/7005759960410470560/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=7005759960410470560' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/7005759960410470560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/7005759960410470560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/02/o-territorio-da-consciencia.html' title='O território da consciência'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-6448711495002668321</id><published>2009-02-20T00:19:00.021Z</published><updated>2009-02-23T10:36:25.716Z</updated><title type='text'>O que faz falta é elucidar a malta</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;João Carlos Gouveia esperneia e estrebucha. Louve-se-lhe o alento. Outro, no seu lugar e com capacidade diferente de ler o futuro, já teria provavelmente batido com a porta. Mas não. Gouveia, o intrépido, não parece ser dado ao acomodamento da desistência ou da espera. Com ele o amanhã há-de vir sempre depois. Com ele o que está para vir há-de ser tratado quando um dia chegar. De modos que, se calhar em obediência ao fraternal princípio de que a gestão política da vida interna do PS costuma ser balizada pelos azedumes do passado os pelas armadilhas do presente, o líder em que praticamente ninguém acredita resolveu aplicar já o seu golpe. Engendrou uma depuração à antiga. Resistiu à maçada de explicar à opinião pública as razões ou a utilidade da coisa. E a curiosa convulsão que lhe fica a marcar o consulado vai passando nos &lt;em&gt;media&lt;/em&gt; com a leveza das coisas mais ou menos irrelevantes. Veja-se bem ao ponto a que chegou este incrível PS. A demissão de um secretário-geral tem o impacto dos acontecimentos corriqueiros. E desautorização política de um líder parlamentar não merece muito mais do que a atenção que se usa dar às trivialidades. Notável!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vamos lá a ver se consigo enquadrar a acontecência. Tenho por certo que não há um único cidadão desta terra que não saiba que João Carlos Gouveia é um líder com prazo de validade à beira da prescrição. Ninguém lhe credita mais do que um estatuto de capataz provisório. E ele próprio pareceu, a dada altura, andar contentinho da vida com o brilho da situação. Foi assim que se interpretou o anuncio da sua candidatura à Câmara Municipal de São Vicente. Foi por isso que ninguém ligou grande coisa à forma como passou ao lado de todos os debates parlamentares importantes. É por isso que se olha com naturalidade e acentuada indiferença para a extrema afabilidade com que a direcção nacional do PS cordialmente o destrata.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sei se é verdade o que se diz. Mas, como a generalidade das pessoas sabe, a ideia de que todos os líderes do PS não passam, salvo seja, de carne para canhão até à chegada de Bernardo Trindade já fez o seu caminho. A mais do que improvável ascensão de Carlos Gouveia à liderança é tida como herdeira legítima dessa espécie de fatalidade socialista. E a sua já adivinhável queda é também nela que provavelmente se filia. De modos que parece claro, apesar de tão sedutora tese não ter passado ainda pela necessária prova dos factos, que os líderes socialistas só estão autorizados ao expediente geral. Têm o poder de decretar demissões, mas só quando é grande a vulnerabilidade dos demitidos. E julgam-se no direito de decidir promoções, coisa que fazem se a resistência for escassa ou preferencialmente nula. Quanto ao mais, limitam-se a olhar, sem estados de alma escusados, para a inércia que segura as rédeas do partido. Sem o aborrecimento do planeamento estratégico. E sem o enfado da produção de ideias. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só que agora a coisa parece diferente. Carlos Gouveia decapitou a máquina do partido. Fê-lo, ainda por cima a uma curta dúzia de semanas de um ciclo eleitoral que se antevê complicado. E, pasmemo-nos, ninguém consegue descortinar uma reacção digna desse nome. Como se fosse um líder com poder efectivo. Ou como se estivesse, mercê de um qualquer prodigioso milagre, a interpretar simplesmente a vontade colectiva do partido e dos seus eventuais eleitores.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seja lá o que for, até por isso o episódio tem o estatuto de caso. Mesmo que traduza um mais ou menos ingénuo encher de peito de um líder de passagem. Ou que possa ser verdadeira a tese que por aí já circula dando conta da putativa existência de uma tramóia imobiliária tão ao gosto de uma certa escola política da RAM. Mas o que anda a faltar mesmo é aquela coisa aborrecida dos porquês. Que tal a graça de uma explicação? Podem crer que a malta agradecia.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-6448711495002668321?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/6448711495002668321/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=6448711495002668321' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/6448711495002668321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/6448711495002668321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/02/o-que-e-preciso-e-explicar-malta.html' title='O que faz falta é elucidar a malta'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-4257039518306565982</id><published>2009-02-16T14:05:00.049Z</published><updated>2009-02-17T16:42:13.752Z</updated><title type='text'>A verdade oculta do anonimato</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O senhor presidente do Governo brinda-nos hoje com o favor do seu pensamento sobre um tema cuja importância toca a transcendência. Sua excelência deu-se à maçada de dissertar sobre a candente questão das cartas anónimas. E, para não variar, resolveu emprestar à profundidade das suas reflexões o ar solene dos artigos doutrinários. O veículo escolhido para a divulgação de mais esta pérola do seu legado filosófico-político foi o jornal que mantém cativo da sua soberaníssima vontade. Não se atribua, no entanto, qualquer importância ao facto. O mais certo é que não passe de uma insignificância fortuita de cariz, digamos, circunstancial. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como sua excelência não explica, não sou capaz de adivinhar nem a dimensão do fenómeno nem o teor do expediente. Mas há coisas que se percebem. A acutilância da escrita impressiona. A oportunidade do tema dá que pensar. O desassombro do verbo é uma seta apontada à nossa consciência colectiva. Aquilo, podem crer, não é um artigo. É um grito. Um estridente sinal de alerta. Que traduz o negrume dos enfados em que se remói a paciência do nosso quinzenal presidente. E nos revela o elevado critério das suas actuais prioridades.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O dr. Jardim entende que as cartas anónimas não passam de um miserável exercício de delação. Nem mais, nem menos. Importa-lhe nada que as cartas possam contar a verdade e nada mais do que a verdade. E interessa-lhe coisa nenhuma que possam ser graves os factos que relatam. Mas não senhor. O anonimato das ditas é que o tira verdadeiramente do sério. Como se fosse assim uma espécie de atestado de maldade inquinando o seu conteúdo pelos séculos adiante.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não vale a pena, como é evidente, perder muito tempo com a hipocrisia patente das inesperadas sentenças de sua excelência. O que agora tão violentamente condena é precisamente o mesmo que um dia solicitou que fizéssemos. E aquilo que o cavalheiro tem agora como sintoma claro de uma espécie de doença social perigosa e larvar é rigorosamente o mesmo que, não há muito tempo, defendeu como sendo um mais que recomendável exercício de cidadania. Nada a fazer. O dr. Jardim é assim mesmo. As suas conveniências são firmes. Só os princípios são flutuantes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nem vale a pena, de igual modo, gastarmos demasiado tempo em conjecturas sobre as eventuais motivações da prosa doutrinária do nosso eterno, embora intermitente, presidente. É avisado, no entanto, que ninguém descarte a hipótese de, no fim de contas, sua excelência estar a lembrar-nos, &lt;em&gt;urbi et orbi,&lt;/em&gt; da serventia das cartas anónimas. Compreendam. O homem não só é tortuosamente maquiavélico, como precisa urgentemente de tomar contacto com a realidade. Estamos em vésperas de muitas eleições. Há candidatos ainda por escolher. E esta coisa de passar a vida em excursões quinzenais alguma mossa há-de deixar na qualidade da informação que lhe chega.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não obstante tudo isso, prefiro levar a sério desta vez as súbitas dores do nosso companheiro de quase todas as horas de quase todos os dias dos últimos trinta e tal anos. Para expressar o entendimento de que o recurso ao anonimato diz muito mais sobre a natureza do regime do que sobre o carácter de quem o adopta. Uma terra que discute mais as intenções putativas de quem escreve do que a substância do que é escrito legitima a utilização da identidade escondida. A perversa punição social de quem reivindica o cívico direito de dizer que o rei vai nu dá força necessariamente ao caminho da clandestinidade. Donde, senhor presidente, o anonimato que um dia incentivou e agora condena não é, como diz, uma coisa de bufos. É, isso sim, um instrumento de defesa. Pior. É uma perversa e triste consequência do regime de que é chefe. E eu sei que tudo isso já lhe foi dito na cara.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-4257039518306565982?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/4257039518306565982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=4257039518306565982' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/4257039518306565982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/4257039518306565982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/02/verdade-oculta-do-anonimato.html' title='A verdade oculta do anonimato'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-374811376350774487</id><published>2009-02-14T11:15:00.058Z</published><updated>2009-02-17T12:17:12.214Z</updated><title type='text'>A consequência da recaída</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O dr. Ricardo Vieira é com certeza uma pessoa estimável. Tem um passado de afirmação de convicções. Construiu um percurso político fundado na afirmação de valores. E quando entendeu já ter dado o bastante ao peditório exigente da política regional, arrumou os papéis e foi tratar da vida. Nada a dizer. É refrescante saber que nem todos estão condenados à política como meio de subsistência. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um certo dia, porém, o dr. Vieira teve uma recaída. Pensou provavelmente que o seu ofício de advogado era compatível com as exigências da política. E como todos os partidos, à excepção do PSD, têm problemas de recrutamento de quadros, acabou por ceder ao apelo do regresso. Resultado: a política regional recuperou o grato privilégio de voltar a contar com a valia do seu prestimoso contributo; e o dr. Vieira aproveitou para casar, da forma mais mitigada que julgou possível, a vida profissional que tem com a inclinação política que nunca deixou de ter. Nada a apontar. A não ser talvez, e hão-de perdoar-me o sentimentalismo da nota, a emoção que não calo diante do quadro de uma vocação recuperada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enquanto político, o dr. Ricardo Vieira é actualmente vereador na Câmara Municipal do Funchal. Participa nas reuniões do órgão executivo camarário. Tem, como toda a vereação, uma palavra a dizer sobre licenciamentos e demais expediente da vida da cidade. Dispõe, por isso mesmo, de informação privilegiada. E se é verdade que a maioria da Câmara passa bem sem a graça do seu voto, o facto é que ele anda por lá, ouve e faz-se ouvir, acede aos documentos, e tem portas abertas para tudo quanto seja corredor ou gabinete. Nada a objectar. Seria insuportável saber que um eleito se sentia inibido de exercer em liberdade o mandato outorgado pela democracia e pelos munícipes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para além de pessoa estimável e político recaído, o dr. Vieira é também advogado. Tem um nome dos mais sonantes da praça. É, ou foi, examinador de estagiários e escrutinador eleito da conduta ética dos colegas. É sócio de um escritório conhecido, ecléctico, e com ligações íntimas ao poder político regional. E, por consequência, defende clientes e representa interesses. Nada a opor. É da natureza das coisas que os advogados façam seus os interesses dos seus clientes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ou seja, desde que decompostas e individualmente consideradas, nenhuma das versões do dr. Vieira parece ser merecedora do mais pequeno reparo. Pelo menos, para quem se limite a ver a superfície da sua imagem pública. O político recaído merece consideração. O representante de interesses é credor de respeito. O único problema que por vezes se nota é a confusão que nasce da mancebia em que vivem o defensor esperado do interesse dos munícipes e o advogado que defende, e faz seus, interesses particulares. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pensa o dr. Vieira que a nódoa se apaga se se abstiver de votar nos casos em que a lucrativa esquizofrenia das opções que toma o coloca nos dois lados do processo decisório. Engana-se, como é evidente. Ele foi eleito para tomar posição e não para se abster. E o facto de haver um laivo de decoro (ou será de hipocrisia?) a conduzi-lo à abstenção só serve para atestar a grosseira incompatibilidade em que reiterada e gritantemente incorre. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E o líder do PP não tem nada a dizer?&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-374811376350774487?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/374811376350774487/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=374811376350774487' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/374811376350774487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/374811376350774487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/02/consequencia-da-recaida.html' title='A consequência da recaída'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-263117472584897544</id><published>2009-02-13T10:03:00.038Z</published><updated>2009-02-14T11:13:54.392Z</updated><title type='text'>A especulação e o cheque em branco</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Provavelmente, nunca saberemos o que é que o presidente da Assembleia Legislativa foi dizer ontem ao primeiro-ministro. E, do mesmo modo, é pouco provável que um dia venhamos a saber o que é que Miguel Mendonça ouviu de José Sócrates. O facto de o encontro ter decorrido a sós há-de desaconselhar com certeza as fugas de informação. E mesmo que os circunstantes inesperados deste improvável &lt;em&gt;tête-a-tête&lt;/em&gt; político venham a partilhar com os seus próximos o teor da conversa havida, é pouco expectável a deselegância da inconfidência pública. A menos que a falta de decoro faça o número do costume. Ou que uma certa forma de estar na política consiga sobrepor-se às regras da decência. O facto, ainda assim, merece ser tratado em sede de comentário político. Apresenta um valor facial susceptível de interpretações políticas diversas. E apesar de amanhã poder ser já uma coisa do passado, reclama hoje uma atenção que não lhe deve ser negada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Do quase nada que se sabe, avulta desde logo uma primeira observação: o encontro foi pedido pelo presidente do Parlamento dos madeirenses. O que quer dizer que assumiu uma dimensão política e simbólica muito particular no contexto das relações institucionais existentes entre os órgãos de soberania e os órgãos de governo próprio da Região - foram os madeirenses, e não o representante do poder político da RAM, que pediram a graça do encontro com o primeiro-ministro do país; foi a voz da vontade soberana dos eleitores da Madeira que quis ser ouvida em S. Bento, e não simplesmente a da maioria que nos governa. Muito interessante, sem dúvida alguma. O problema é que a dita vontade soberana madeirense não soube, não sabe, nem nunca há-de saber por vias limpas o que é que o dr. Mendonça resolveu ir dizer, alegadamente em seu nome, ao primeiro-ministro de Portugal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A democracia representativa é assim mesmo, dirão os formalistas e anuirão acriticamente os ingénuos. Peço desculpa, mas não me parece que seja. Não está escrito em lado nenhum que a representação deva dispensar a apresentação de contas. Nem me parece aceitável que, em nome da democracia, alguém se atribua o direito de apropriar-se da vontade popular com a ligeireza de quem usa um cheque em branco. Sob pena de, no caso em apreço, podermos cair na tentação de pensar que, ao contrário do que é subliminarmente sugerido, Miguel Mendonça se limitou a ir a S. Bento cumprir uma agenda estritamente partidária, porém, à boleia das funções supra-partidárias que desempenha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sou adepto da inconfidência. Esse é o expediente dos cínicos e dos bufos. Mas tenho o direito de pensar, a título de direito de cidadania, que me é devida uma explicação, ao menos em forma de comunicado conjunto ou nota de imprensa (impressiona-me que o dr. Mendonça não se sinta obrigado a informar os seus pares do parlamento). Mas como a regra do silêncio impera, ninguém levará a mal que, especulando um pouco, admita um de dois cenários: ou Jardim está realmente à rasca e já não consegue gerir o beco sem saída para onde atirou as relações do seu governo com o governo da República; ou Mendonça pediu a audiência a Sócrates na esperança secreta, mas entretanto frustrada, de que este o mandasse redondamente à fava. Como estamos em vésperas de eleições, e tendo em conta o absurdo e malcriado cadastro das relações (não) existentes entre o dr. Jardim e o senhor Pinto de Sousa, nenhuma das hipóteses se afigura propriamente inverosímil. Muito pelo contrário. A maçada é que nenhuma consegue ser melhor do que a outra. &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-263117472584897544?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/263117472584897544/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=263117472584897544' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/263117472584897544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/263117472584897544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/02/especulacao-e-o-cheque-em-branco.html' title='A especulação e o cheque em branco'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-8669258275584614095</id><published>2009-02-10T10:43:00.036Z</published><updated>2009-02-11T14:23:36.795Z</updated><title type='text'>A certeza efémera da incerteza</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Com a precisão cirúrgica de quem já tem a estratégia pronta, lá seguiu o recado para o veículo do costume. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O recado. Ao contrário do que chegou a pensar-se, a cadeira que o PSD tem mais ou menos cativa no Parlamento Europeu pode servir de lugar de recuo para a resolução de uma disputa que já embaraça. Refiro-me, é claro, ao alegre e insano fratricídio em que andam envolvidos os senhores doutores Cunha e Silva e Miguel Albuquerque.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O veículo. Apesar das fitas ostensivamente públicas, o DN é a via privilegiada de divulgação das inconfidências anónimas feitas pelo dr. Jardim. Sempre que é preciso agitar as águas, o patrão da Quinta Vigia acciona os canais que tem abertos com o velho centenário dito independente. A vida da imprensa é dura. E há acordos, formais ou informais, a que ninguém consegue resistir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Traduzindo tudo isto por miúdos, temos então que Sérgio Marques poderá estar de regresso à base. Ou para se reformar da política. Ou para uma tranquila travessia no deserto. Ou para baralhar as contas da sucessão. Correlativamente, temos também que Miguel Albuquerque pode começar a despedir-se da sua equilibrista condição de candidato preferido do povo mas execrado por Jardim, e que João Cunha e Silva pode começar a pensar fazer o mesmo relativamente à sua excelentíssima condição de candidato preferido por Jardim mas execrado pelo povo. Acreditem. A política pode revelar-se um tormento para quem aceita depender exclusivamente dela. Basta que a falta de tacto e de tino opere a transformação de um delfim de olhos esbugalhados para as delícias do futuro num abcesso que é preciso extirpar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que acontece, em suma, é que Jardim está na fase da agitação e dos recados. Emitindo mensagens propositadamente equívocas com o fito de abalar as certezas que uns tolos ensimesmados tinham por totalmente adquiridas. Voltando a chamar a si a condução da vida interna do seu partido, depois do ócio prolongado que preguiçosamente se atribuiu. E dizendo, no fundo, a todos os indiscutíveis que isto, afinal, não vai sem uma boa (ou má) discussão. Uma maçada, insisto. Pelo menos, para aqueles que só sabem perder-se na contemplação do poder improvável que o destino lhes colocou nas mãos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Temos assim que a única certeza que actualmente se pode ter é que chegou o tempo do fim das certezas. Nada mau. Mesmo que daqui a semanas ou meses venhamos a verificar que tudo vai continuar mais ou menos na mesma, considero refrescante que o dr. Jardim tenha resolvido brindar-nos com esta aparência de novidade. Obrigado, pois, dr. Jardim. Numa terra em que a política só se move à superfície, é um verdadeiro luxo experimentar o direito de imaginar uma mudança. Quanto mais não seja pela nota de precariedade que, espero-o ardentemente, pode operar o milagre de fazer descer à terra o umbigo prepotente e insuflado de alguns dos nossos mandantes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas a par do agradecimento genuíno e sincero que acabo de formular-lhe, não resisto, dr. Jardim, à expressão de uma modesta e desinteressada opinião. Vosselência não precisa de candidatar um peso-pesado como o dr. Sérgio Marques à Câmara do Funchal. Fazê-lo seria demonstrar medo da concorrência. Mas pior. Se porventura o fizer (coisa em que não acredito), nunca conseguirá demonstrar que os votos do Albuquerque são todos, afinal, integralmente seus (como vê, sou sensível às suas agruras d'alma), como Vexa mui justamente reivindica. Olhe. Porque é que não pensa, ao invés, exportar para Bruxelas esse magnífico expoente do nosso produto regional bruto que é o senhor seu vice. As vantagens seriam pelo menos duas. Por um lado, o dito cavalheiro poderia completar a formação humana e política que manifestamente ainda lhe falta. Por outro, vosselência sempre teria um rosto amigo com quem partilhar a fria solidão das suas excursões quinzenais europeias. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como é evidente, admito e humildemente aceito que possa não estar para aí virado. Se for esse o caso, deixo-lhe, com amizade, ainda mais uma dica tão desinteressada quanto construtiva. E porque não pôr o Sérgio, mais o Cunha, mais o Albuquerque e mais o Tranquada e o Pita todos no governo? Veria que a selecção natural resolveria o problema da sucessão de vosselência. A menos que esse seja ainda um assunto que não lhe tira o sono. Se assim for, já cá não está quem falou. De qualquer modo, não precisa de agradecer.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-8669258275584614095?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/8669258275584614095/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=8669258275584614095' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/8669258275584614095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/8669258275584614095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/02/certeza-das-incertezas.html' title='A certeza efémera da incerteza'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-3208614495516332897</id><published>2009-02-08T13:10:00.047Z</published><updated>2009-02-10T10:40:56.088Z</updated><title type='text'>O elogio do indício</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Indício. A palavra, convenhamos, tem uma sonoridade interessante, sedutora. E o facto de poder rimar com vício dá-lhe um paladar tentador, quase doce. Ora experimentem lá dizê-la como quem procura um sabor. Se o fizerem, notarão com certeza que ela tem a textura suave de um sussurro. Porque é ciciada. Porque é sibilante. Uma tentação, em suma. Tanto para quem a diz, como para quem a ouve. O que há-de explicar, presumo, a enorme popularidade que lhe deram os &lt;em&gt;media&lt;/em&gt; nas últimas duas ou três semanas. Tivemos indícios ao ritmo de meia dúzia por dia. Nos telejornais. Nos órgãos da imprensa. Nas conversas de rua. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acredito que o fenómeno há-de ser um dia estudado. A forma empolgada, porém absolutamente inconsequente, com que o país se agita e comove com a diária revelação de indícios só pode ser um caso de estudo. Não sei é se vamos gostar das conclusões. Porque isto de substituir os factos pelas suas indiciárias e eventuais possibilidades tem muito que se lhe diga. E porque isto de passarmos a vida a trabalhar sobre hipóteses há-de levar-nos um dia a qualquer lado. Ainda assim, gosto. Nada como um indício promissor e suculento para trazer animada a malta. Do que não gosto é desta espécie de separatismo cívico que nos afasta do festim. Como se em matéria de indícios o rectângulo tivesse mais direitos do que nós.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O licenciamento do Freeport é um caso suspeito. Grande coisa! Por cá, sabemos que a Câmara do Funchal tem andado envolvida em negociatas várias, no dizer sabedor do senhor vice-presidente do governo. Do mesmo modo que ouvimos falar há anos dos andares recuados e dos quinhentos, dos edifícios de volumetria excessiva e cércea ilegal, dos sinais exteriores de fortunas nunca explicadas, das chorudas avenças concedidas a amigos a pretexto de coisa nenhuma, das obras que mal passam no critério da utilidade, mas que passam sempre por cima dos orçamentos iniciais, dos terrenos que se traficam debaixo da mesa por empresas que aparecem e desaparecem levando consigo as provas e os rastos, das quintas que se compram por somas avultadas depois de passarem pelas mãos asseadas de meia dúzia de notáveis do regime, dos dinheiritos, enfim, que andam por aí em notas de banco ao arrepio das regras mais elementares da transparência. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não obstante tal quadro, poucos se indignam e, pelos vistos, quase ninguém se comove. Como se isso por cá fosse coisa banal. Como se por cá nos tivéssemos habituado a conviver sem dramas com os nossos freeports, com os nossos savoys, com as nossas quintas escuna. Ainda assim, consigo retirar do facto algum conforto. Nem tudo está perdido. Nós também temos os nossos indícios. A única pequena diferença em relação ao rectângulo reside no escabeche em que os cozinhamos. Nós por cá somos mais dados à paciência do lume brando. Se calhar, por causa do regime que nos autonomizou os hábitos e regionalizou os costumes.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Post scriptum&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Ainda à volta dos indícios. Naquela coisa indigente que faz publicar na revista do DN, o inefável dr. Cunha informou-nos que Dickens foi um dos autores que leu na infância. Não o invejo. Ou foi mais que precoce. Ou é um super-sobredotado. Ou teve uma infância demasiado prolongada. Ou tem uma relação complicada com a verdade e pouco séria com o passado. Ou está com problemas, igualmente precoces, de memória. Ou é, pura e simplesmente, um caso desavergonhado de iliteracia envergonhada. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Mais. Na sua listinha de autores pretensamente lidos, tem o atrevimento de pôr no mesmo saco, comparando-os, Crichton e Fleming, Dan Brown e Le Carré. Que se tenha esquecido de Chandler e de Stout já não é coisa pouca. Mas misturar o que não pode ser misturado só pode ser indício de: a) o cavalheiro não sabe o que diz; b) lê títulos mas não lê livros; c) a literatura, para ele, tem serventia idêntica à dos parques empresariais às moscas; d) não tem um pingo de vergonha na cara; e) todas as hipóteses precedentes são verdadeiras e acumulam-se na pessoa do indivíduo em questão. Como é óbvio, a lista dos indícios não acaba aqui. Pode crer o dr. João que até o Dan Brown é capaz de acrescentar-lhe mais alguns.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-3208614495516332897?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/3208614495516332897/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=3208614495516332897' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/3208614495516332897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/3208614495516332897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/02/o-elogio-do-indicio.html' title='O elogio do indício'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-8426694810903390325</id><published>2009-02-05T10:15:00.021Z</published><updated>2009-02-05T18:23:09.139Z</updated><title type='text'>O conservadorismo e a retórica</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A avaliar pelas notícias que circulam, o PSD vai decretar hoje o fim do seu cúmplice namoro com sua excelência o senhor representante da República para a Madeira. Nada mais oportuno. Com as eleições ao alcance da vista, é preciso reacender a eterna querela autonómica. E como o dito representante aceita oferecer-se como bandeira, qual cordeiro pascal à espera de degola, lá teremos esta noite a comissão política laranja a declarar o fim das núpcias. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Jardim não costuma brincar em serviço. Para ele, os entendimentos pessoais têm sempre uma dimensão estritamente política. Ao contrário de todos os mortais, o dr. Jardim não consegue ter afectos genuínos ou relações pessoais normais. A crueza da vida só lhe deixa ter conveniências. O que quer dizer que o embevecido invólucro pessoal de salamaleques saltitando da Quinta Vigia para São Lourenço, e do Palácio para a Quinta, está em vias de ser mandado às urtigas pelas ingratas exigências da política pura e dura. Porém, acreditem. Em boa verdade, a alma sensível do dr. Jardim sofre com o facto. Mas a política, meus senhores, quantas exigências faz, quantas cambalhotas exige, quanta acrimónia encenada ou fingida reclama...!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É claro que ao escolher cirurgicamente os períodos pré-eleitorais para os pretensos amuos com o senhor representante, o dr. Jardim corre riscos. Desde logo, o de confundir as pessoas. Tão depressa anda de enlevado e cavalheiro namoro com o &lt;em&gt;ministro &lt;/em&gt;cooperante, como logo a seguir desata a fazer juras de eterna ruptura com o representante convenientemente tresmalhado. Tão depressa o apresenta como amigo da terra, como, não tarda nada, há-de começar a apontá-lo como símbolo perverso do poder colonial que teima em estrangular-nos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, o pior nem é isso. O risco maior que o dr. Jardim corre nesta montanha russa de estados de alma relativamente ao palácio de São Lourenço é de outra ordem e remete-nos para o total esgotamento do seu discurso autonómico. A verdade é que esse discurso tem vindo a perder fôlego. Não por falta de convicção, concedo. Mas por manifesta falta de ideias e de causas. Tendo chegado ao pindérico ponto em que tudo se resume a umas enfáticas diatribes contra o primeiro-ministro e, a partir de logo à noite, a um apontar de dedo ao representante que, no fim de contas, sempre protegeu e lhe deu jeito. Ora é aqui que reside o risco. Um dia, toda a gente há-de perceber que a Autonomia que nos trouxe o desenvolvimento merecido já não passa, para o dr. Jardim, de uma mal preparada e por vezes malcriada retórica de mera conveniência eleitoral.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Continuo a acreditar, com muitas outras pessoas, que é possível reinventar permanentemente a Autonomia. Não apenas na sua dimensão puramente institucional, mas na prática governativa de todos os dias. Tanto na ordem regional interna, como no domínio das nossas relações com outras realidades geográficas, políticas e económicas mais ou menos contíguas. Acredito, em suma, que, em matéria autonómica, está sempre tudo por fazer. O problema é que o conservadorismo do dr. Jardim e da corte notável dos seus próximos entende que a coisa se resume à luta pela manutenção do seu cada vez mais inchado poder. Aproveitando as posições entretanto conquistadas. E beneficiando da deserção das alternativas credíveis. E um dia o futuro há-de passar-nos a factura.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-8426694810903390325?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/8426694810903390325/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=8426694810903390325' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/8426694810903390325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/8426694810903390325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/02/o-conservadorismo-e-retorica.html' title='O conservadorismo e a retórica'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-1603273965581223886</id><published>2009-01-31T11:24:00.029Z</published><updated>2009-02-03T09:58:14.330Z</updated><title type='text'>Teoria da conspiração</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Já toda a gente percebeu que a campanha eleitoral está em marcha. Nos meios habituais de comunicação de massas. A partir de directórios vários irmanando políticos e representantes de actividades diversas e, convenhamos, nem sempre correlativas. E percorrendo metodicamente os passos de laboriosas estratégias desenhadas em obediência ao princípio de que em política vale tudo. Gosto. Creio que, no fundo, gostamos todos. Não há nada como o cheiro a sangue para nos fazer regressar à natureza essencial de predadores engenhosos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O ciclo eleitoral começa, como se sabe, dentro de aproximadamente quatro meses. E apesar da relativa incerteza que habitualmente envolve os escrutínios democráticos, há coisas que a sensibilidade geral tem já por adquiridas. José Sócrates perderá se o caso Freeport lhe arrasar por completo a reputação. Manuela Ferreira Leite ganhará se o dito caso a empurrar para uma posição que nada fez até agora por justificar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ou seja, mais arrepio, menos arrepio, a verdade é esta: no Portugal democrático em que todos temos a dita de viver, as decisões políticas que realmente interessam deslocaram-se para o sinuoso tabuleiro da Justiça. Pelo que devíamos ser gratos e capazes de dar um grande viva à democracia dos polícias, dos procuradores e dos juízes. Que à conta de interesses sem nome nem rosto por cá vai assentando arraiais. E que tem como armas jornais e televisões de cada vez mais desconhecido registo de propriedade e de interesses.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Devo confessar que olho para esta refrega político-judiciária com muito mais curiosidade do que paixão. Entendo que todas as suspeitas devem ser investigadas. Não tenho dúvidas de que se há crimes há culpados. E tenho como elementar princípio de justiça que não pode haver culpa sem castigo. Há, no entanto, coisas que me maçam. Esta mimosa originalidade que consiste em levar as disputas eleitorais para os esconsos corredores da Justiça é uma delas. Este método assassino de fazer pingar notícias a conta-gotas sobre matérias abrangidas pelo segredo de justiça faz-me urticaria. Esta sinistra recorrência com que certos &lt;em&gt;media&lt;/em&gt; se presumem juízes de julgamentos populares tira-me do sério. Esta bovina resignação que nos leva a aceitar que uma investigação judicial possa ser contaminada por impulsos de motivações obscuras revolve-me as vísceras. E esta insuportável suspeita de que a escolha dos nossos representantes políticos está muito mais à mercê de centros de poder escondidos e não sufragados do que do voto consciente e livre dos cidadãos faz-me pensar que a democracia que temos se vai tristemente aproximando da badalhoquice das conversas da treta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ainda assim, bora lá despachar as investigações. Esta e todas as outras que repousam algures nas gavetas dos nossos novos, ilegítimos e inesperados decisores políticos. As de lá e as de cá. A menos que a Madeira seja a única parcela do país em que o poder político legítimo submete as togas ao seu ilegítimo controlo.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-1603273965581223886?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/1603273965581223886/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=1603273965581223886' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/1603273965581223886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/1603273965581223886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/01/teoria-da-conspiracao.html' title='Teoria da conspiração'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-6582977628674099468</id><published>2009-01-29T10:14:00.040Z</published><updated>2009-01-29T18:59:56.502Z</updated><title type='text'>A excelência, a mezinha e o chá</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Deixem-me ver se compreendi bem. O serviço de Urgência do Hospital do Funchal passou a ter filas de espera que dão a volta ao edifício e a culpa é de um sistema informático qualquer para o qual ninguém estava preparado? Convenhamos que a justificação é patusca. Tem um suplemento de lata porventura excessivo para o desconfiado gosto dos cépticos. Possui, no entanto, traços daquela ingénua criatividade que, de tão simples (ou será antes simplória?) e pueril quase nos faz chegar às lágrimas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nunca tinha pensado que um sistema informático fosse capaz, por si só, de entupir um serviço de urgências hospitalares. E nunca me tinha passado pela cabeça que um doente tomado de aflições urgentes pudesse ficar à espera um par de horas, ou mais, para ser visto por um médico, por causa de um safado de um computador e de um complicado programa que lhe puseram lá dentro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Admirável. A justificação e este surpreendente mundo novo. Tanto a cara calçada que nem pestaneja quando, com um ar situado algures entre o tecnologicamente deslumbrado e o anedoticamente presumido (ou será simplesmente tolo?), nos explica o que não pode ter explicação. Como a desumana ligeireza com que interpõem uma tecnologia qualquer mal testada e pior instalada entre doentes aflitos e a intervenção pronta dos médicos de um serviço de urgências.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já agora, deixem-me ver se percebo outra coisa. Um serviço que tem muitas vezes nas mãos a vida ou a morte das pessoas interrompe a actividade à hora de almoço? Isto acontece? Isto é mesmo verdade? E não há consequências? E ninguém é capaz de acabar com semelhante rebaldaria? E permite-se que o mesmo cavalheiro deslumbrado com a tecnologia de ponta dos meios tenha a lata de vir dizer-nos que a culpa da coisa reside na falta de... (como é que eu posso escrever isto sem rir?) uma cantina para médicos? Ó da guardaaaaaa! Socoooorro! Então ninguém vê que esta gente ensandeceu de vez? Ninguém percebe que há limites que não podem ser ultrapassados?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sei, mas gostava de saber, o que pensam desta inqualificável indigência o dr. Jardim e todos os artífices do caríssimo e excelente serviço de Saúde que temos, para além, é claro, daquelas apalermadas sentenças ditas &lt;em&gt;à boca pequena&lt;/em&gt; a partir da Quinta Vigia. Se fossem pessoas normais, deveriam estar com certeza incomodados. O pior é que são governantes. Responsáveis por serviços obviamente excelentes. Donos arvorados de uma terra evidentemente excelente, tal a excelência de quem a controla. Avalizadores da competência, também ela inquestionavelmente excelente, dos excelentes quadros dirigentes que nomeiam. E, como parece ser igualmente óbvio, muito mais sensíveis à excelência do computador e da cantina do que à maçadora lamuria de um doente aflito que lhes possa lixar as estatísticas e tramar a reputação. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Está visto que, por este andar, e com tanto desenvolvimento tecnológico e estrutural a reforçar-nos a excelência, ainda acabaremos por ter de voltar aos tempos gloriosos da mezinha e do chá. À conta, já se vê, da indiscutível excelência dos mandantes que temos e dos não menos excelentes acólitos que eles têm. &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-6582977628674099468?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/6582977628674099468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=6582977628674099468' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/6582977628674099468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/6582977628674099468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/01/excelencia-mezinha-e-o-cha.html' title='A excelência, a mezinha e o chá'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-2942483855933655033</id><published>2009-01-26T11:35:00.045Z</published><updated>2009-01-27T13:32:59.795Z</updated><title type='text'>A privatização da conduta pública</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ponto prévio. Considero que a Madeira tem o dever (não apenas o direito) de desenvolver uma política autónoma, estruturada e séria de ligação à diáspora. A força homogeneizadora da globalização recomenda-a. A necessidade de integração das nossas comunidades nos espaços sócio-culturais em que vivem não a dispensa. O pragmatismo prosaico da economia aconselha-a. E os afectos conferem-lhe o imperativo estatuto de uma obrigação. A questão de saber se essa política deve, ou não, ser pensada e desenvolvida em articulação com a que é definida a nível nacional não é neste momento para aqui chamada. Por uma razão simples. É muito mais de método do que de substância. Logo, há-de ter, se for caso disso, um tratamento secundário no contexto das reflexões que possam ser feitas sobre a natureza dos laços que temos o dever de manter com as restantes parcelas constitutivas da nossa identidade e do nosso modo de ser.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Consideração acessória. Qualquer política voltada para a manutenção e aprofundamento dos laços da Madeira com as comunidades disseminadas pelo estrangeiro há-de contemplar, em qualquer circunstância, e entre vários outros aspectos, a concretização de um programa de contactos. Envolvendo, com certeza, representantes do poder político regional. Aproveitando, sempre que possível, a rede de canais (tanto a formal como a informal) de que o país dispõe. E estimulando, obviamente porque sim, a criação mais ou menos institucionalizada de espaços de encontro, partilha e diálogo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Conclusão lógica. Anda bem um governo que envia os seus membros às comunidades. Andará melhor se for capaz de integrar as deslocações que decide num programa estruturado e com um mínimo de oportunidade e sentido. Andará bastante melhor se a ligação às comunidades não se resumir à concretização mais ou menos excursionista desse programa de viagens. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Está claro que o pretexto da prosa é a aventura australiana do dr. Garcês. Que, por qualquer razão que desconheço, foi preparada mais ou menos à socapa. E que, por razões que apenas a má consciência poderá eventualmente explicar, só ganhou alguma visibilidade por via do estranho secretismo com que um membro do governo desajeitado ou aselha entendeu dever embrulhá-la.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu gostava de poder acreditar que o dr. Garcês foi à Austrália no cumprimento de uma agenda política assumida e transparente. E dar-me-ia algum conforto saber que não passava pela cabeça de ninguém ocultar do escrutíneo público os contornos e resultados dessa política. Não custa reconhecer, porém, que o comportamento do dr. Garcês torna difícil a concretização desses meus pios desejos. Porque se esteve nas tintas para o democrático dever de prestar contas. Porque conferiu a uma viagem de orçamento, motivações e objectivos públicos o sigilo a que só têm direito as viagens privadas. E porque ao fazer tudo isso desvalorizou o contacto com uma comunidade que certamente dispensa visitas feitas às escondidas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu sei que os indulgentes dirão que há um excesso de severidade na expressão destes reparos. E em abono da sua complacência hão-de lembrar que o dr. Garcês nada mais faz do que imitar o comportamento do seu chefe. Não deu explicações porque entende não ter satisfações para dar. E nada nos disse sobre a sua viagem à Austrália exactamente como o dr. Jardim nada nos diz sobre as suas idas quinzenais sabe-se lá aonde. Está certo. O dr. Garcês não é o culpado. A culpa, de facto, é de um governo que não tem políticas claras sobre coisa nenhuma (daí a necessidade de esconder o que faz). O culpado é um governo casuísta, de condutas opacas e destituído de estratégia, que se limita a navegar à vista. A culpa é, em suma, desta impune mania com que o governo estatiza tudo menos a conduta dos governantes. Nesse domínio, como já se viu, tudo é do foro privado. Mesmo quando é público o dinheiro gasto. Mesmo que a democracia não dispense a prestação de contas e a apresentação de resultados.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-2942483855933655033?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/2942483855933655033/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=2942483855933655033' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/2942483855933655033'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/2942483855933655033'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/01/privatizacao-da-conduta-publica.html' title='A privatização da conduta pública'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-8544108221591154617</id><published>2009-01-22T10:12:00.048Z</published><updated>2009-01-25T12:13:23.594Z</updated><title type='text'>O catecismo da Madeira Nova</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não sei se por má consciência, se em obediência a um insondável impulso de outra ordem, a generalidade dos políticos passa a vida a intoxicar a opinião pública com a ideia de que as suas opções têm uma espécie de aval superior. Todos dizem que agem em nome do povo. Mas como o dito povo nem sempre (em alguns casos quase nunca) se dá conta da bondade intrínseca das mezinhas que lhe dão, os políticos procuram alindá-las com a unção da autoridade. Atribuindo-lhes uma inspiração divina, nos casos de patologia política evidente. Emprestando-lhes a bênção furtada de um pensador notável, quando é razoavelmente laica a perversão democrática. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como na Madeira, e apesar de tudo, a patologia é moderada, os governantes que temos prestam culto a Keynes. Não há marina do Lugar de Baixo que lhe tenha passado ao lado. Não há heliporto sem helis que não tenha beneficiado da sua divina inspiração. Não há Penedo do Sono às moscas e em quase ruína que não lhe tenha obedecido à cartilha. Não há parques empresariais sem empresas que não lhe tenham pedido o aval. Não há, enfim, iniciativa privada que não tenha de ceder o passo à voracidade do sector público que não leve, para cúmulo, com a sebenta do John Maynard em cima. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estou em crer que o dito Keynes se há-de contorcer na tumba em desassossegos lancinantes sempre que o seu nome é evocado em vão. E tenho a firme convicção de que nunca lhe passou pela cabeça, em vida, que o labor do seu pensamento viesse um dia a ser alvo de tantos e tão flagrantes abusos. Mas isto, claro, sou eu a pensar. Como sei tanto de economia como os senhores drs. Cunha e Jardim parecem perceber de governação, faz-me impressão que se chame &lt;em&gt;keynesianismo&lt;/em&gt; à irresponsabilidade política pura e simples. E como de teoria económica nem o nome percebo, não consigo deixar de pensar quão notável é a erudição atrevida de certa gente que por aí anda a consumir-nos os recursos, a testar-nos a paciência e arruinar-nos o futuro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É certamente tolice minha. Mas aposto que o supracitado John Maynard nunca defendeu que o Estado devesse asfixiar a economia em nome do lançamento ou relançamento da dita. Do mesmo modo que me atrevo a afirmar a leiga e por certo tola convicção de que o sobredito Keynes jamais defendeu que o Estado devesse chamar a si a quase totalidade dos meios financeiros disponíveis. Mas isto, insisto, só podem ser coisas minhas. Se o dr. Jardim se afirma &lt;em&gt;keynesiano&lt;/em&gt;, quem sou eu para dizer que ele anda enganado no catecismo. E se o dr. Cunha assegura que a sua pulsão &lt;em&gt;obrista&lt;/em&gt; delirante e louca se encontra abençoada por um vulto notável do pensamento económico, quem sou eu para dizer o contrário. Permito-me, ainda assim, lembrar-lhes que o plano de investimentos públicos com que a economia norte-americana saiu da crise de 29 (esse, sim, inspirado em Keynes) só foi eficaz porque o dinamismo gerado ficou praticamente todo dentro de portas. Ao nível do emprego. Ao nível do consumo e da revitalização do mercado interno. Ao nível do estímulo ao sector produtivo. Rigorosamente nada parecido com o que acontece cá. Porque nos limitamos a consumir o que vem de fora. E porque praticamente pouco mais produzimos do que dívida pública e meia dúzia de turbo-milionários. Só que, pelos vistos, em nome de Keynes. Abençoado catecismo!&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-8544108221591154617?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/8544108221591154617/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=8544108221591154617' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/8544108221591154617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/8544108221591154617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/01/o-catecismo-da-madeira-nova.html' title='O catecismo da Madeira Nova'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-6421897671615877308</id><published>2009-01-18T11:19:00.053Z</published><updated>2009-01-21T13:51:31.325Z</updated><title type='text'>O vazio estratégico e o tango</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Com a resignação patibular dos tristes, o PS continua a pôr-se a jeito de uma abada copiosa nas eleições que temos pela frente. Não sei se é &lt;em&gt;karma&lt;/em&gt; ou padecência genética. Não sei se é fado ou pura aselhice. Mas que a coisa se percebe à distância, santa paciência, lá isso percebe-se.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma vez que não lhe frequento os corredores, ignoro se os ditos têm consciência do facto. E como só vejo o quase nada que há para ver, é-me impossível perceber se a rotina da derrota terá já ganho, ou não, estatuto de modo de vida. Dá, no entanto, para perceber que a direcção regional socialista não consegue travar o passo à estratégia plebiscitaria anti-Sócrates meticulosamente lançada por Jardim. E isso, a meu ver, parece remeter-nos para um paradoxo essencial que o PS-Madeira não há maneira de conseguir resolver. O seguinte.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Creio que toda a gente já reparou que PS é um caso estranho. Se não de incapacidade política, pelo menos de falta de sorte. Se não de confusão estratégica, pelo menos de atenção escassa, quase nula, ao terreno onde grande parte da acção política se desenrola - o espaço comunicacional. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Considerando apenas o valor facial do que os seus dirigentes dizem, não custa racionalmente dar-lhes razão. O problema é que, desgraçadamente para eles, as pessoas pura e simplesmente não os ouvem. Ou porque se estão nas tintas para o que dizem, em consequência de um eventual descompasso entre a mensagem veiculada e as preocupações mais imediatas dos cidadãos. Ou porque, no fundo, ninguém aposta um chavo nos eventuais créditos políticos que possam ter. Perceba-se. A política é muitas vezes um jogo perverso de regras próprias em que conta mais a personalidade de quem diz do que a acuidade ou o mérito do que possa ser dito. E enquanto isso não for devida e humildemente interiorizado pelos responsáveis socialistas, o PS-M arrisca-se a continuar a vegetar no espaço limitado em que se consome. Independentemente da qualidade objectiva de alguns dos seus rostos mais visíveis. E sem beliscar o esforço dedicado e sério que todos afinal possam andar a fazer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É claro que percebo que o ambiente político regional tende a alienar a qualidade da participação política activa. E sou até capaz de compreender que o PS-M tem de pagar um preço qualquer por ser muitas vezes obrigado a andar politicamente entalado na dialéctica de confronto que opõe o poder central ao poder político regional (ou vice-versa, a ordem é obviamente arbitrária, já que é sempre necessário um par para que possa haver um tango). Acho, porém, que o cúmulo destas duas circunstâncias está longe de explicar tudo. Pelo que regresso ao paradoxo essencial que, em meu entender, continua a toldar as vistas dos dirigentes regionais socialistas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora, acontece que o PS continua sem saber se, nesta fase, deve ser um partido de protesto ou se deve apresentar-se como um potencial partido de poder. Pior. No mais das vezes, deixa-se cair numa espécie de quadratura do círculo em que pretende ser as duas coisas ao mesmo tempo. Sem perceber que o protesto puro e simples é capaz de dar espectáculo mas não leva ninguém à governação. E sem ter em conta que o estatuto de partido de poder exige bastante mais do que uma simples e bem intencionada proclamação. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Veja-se o que aconteceu nos últimos anos. Com o objectivo de endurecer o seu modo de fazer oposição, o PS armou-se na primeira linha com uns respeitáveis cavalheiros de perfil, digamos, mais veemente e combativo (adoro os eufemismos...). O problema é que logo a seguir entrou em cena o PND. E o resultado foi o que se viu. De um pé para a mão, os socialistas viram-se de súbito numa espécie de vazio estratégico. Sem gente qualificada (descontando as duas ou três honrosas excepções que se conhecem) para merecerem ser vistos como alternativa de poder. Mas igualmente sem pessoas interessadas em acompanhar o teatro dos "novos democratas". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Isto é, o PS quase deixou de existir. Pelo menos, no habitat natural da política que é o espaço público da comunicação. Porque tem pela frente o poder político regional com a sua gigantesca máquina de intimidação e propaganda. E porque tem à ilharga o PND com quem não consegue rivalizar na produção de &lt;em&gt;sound bytes&lt;/em&gt;. Encontra-se mediaticamente encurralado, em suma. Foi a isso que levou a estranha mania de não ser nem carne nem peixe. De maneira que arrisca-se a voltar a bater no fundo antes de conseguir ensaiar nova tentativa para se erguer. Mesmo havendo motivos de sobra para uma punição exemplar ao PSD.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-6421897671615877308?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/6421897671615877308/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=6421897671615877308' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/6421897671615877308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/6421897671615877308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/01/o-vazio-estratgico-e-o-tango.html' title='O vazio estratégico e o tango'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-1794664801081745864</id><published>2009-01-13T11:00:00.027Z</published><updated>2009-01-13T14:54:10.030Z</updated><title type='text'>A entrevista que não foi</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A coisa merece, como certamente compreenderão, algumas notas prévias. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em primeiro lugar, aquilo não foi uma entrevista. Assumiu antes a forma de um pindérico monólogo ocasionalmente entrecortado por alguns sons vagamente perceptíveis vindos do outro lado da mesa. Em segundo lugar, não teve entrevistador. O que era para ser não passou de um hóspede confuso e agradecido perante um anfitrião histriónico e sem maneiras. Em terceiro lugar, não teve novidades. Limitou-se a ser mais do mesmo, ou seja, um chorrilho repetido que nada de verdadeiramente importante trouxe às notícias ou ao debate político nacional. Em conformidade, e esta é a quarta deste conjunto de notas prévias, os espectadores que ficaram militantemente à espera do espaço de informação anunciado acabaram por ver-se perversamente defraudados - um número de comédia sentada remete-nos muito mais para a área do entretenimento do que para o nobre sector das actualidades. Donde estou em crer que aquilo não passou de uma bem urdida manobra de contra-programação apontada às novelas dos restantes canais, com o envolvimento presencial e passivo de um peso-pesado do jornalismo televisivo, e a colaboração exuberante, prestável e activa de uma das vedetas mais firmes e vendáveis da política cénica à portuguesa. Apesar disso, prometo que não me vou queixar à ERC. Mas juro que me passou pela cabeça colocar a questão à DECO.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em suma, aquilo foi uma tristezinha. Na forma, como já se viu. Mas muito em particular na substância. Porque Mário Crespo não foi o entrevistador preparado que se espera sempre que seja. E porque o político Jardim não conseguiu resistir ao peso insuportável da sua egolatria.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Palavra que estava à espera de outra coisa. Uma hora de entrevista em horário nobre não é coisa que um político responsável se permita desperdiçar. No entanto, foi isso que Jardim fez. Em vez de adoptar um registo sereno, ainda que firme, o presidente do governo voltou a fazer gala da sua conhecida falta de chá. E ao invés de ensaiar um discurso devidamente sustentado dirigido ao país, o líder madeirense não conseguiu manter sossegado o político autárquico estranhamente apaixonado pelos seus cada vez mais escassos méritos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sabe-se que o dr. Jardim não admite conselhos. Não ouve ninguém. E pensa sozinho. Não admira. Ele sabe quem escolheu para trabalhar junto dele. De maneira que prepara as entrevistas tal como vive o dia-a-dia no escritório. Será sempre o único a falar. Há-de debitar, a propósito ou a despropósito, a mensagem que quer transmitir. Não responderá a perguntas porque os jornalistas não mandam nele (quem pensam esses intrometidos que são?). E porque no seu democrático mundo só existem ele e o povo, dará um tom rasteiro ao discurso para olear a comunicação entre ambos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como vai acontecendo cada vez mais, o homem engana-se. Como nem perde tempo a pensar nas figuras que faz, não consegue perceber que é preciso mais do que duas ou três desconsiderações ao primeiro-ministro e à classe política nacional para conseguir ser credível e dar-se ao respeito. E como já anda descolado da realidade é incapaz de entender que já não há pachorra para os ódios de estimação que nutre pelos chamados interesses instalados, pelos grupos, grupinhos e grupelhos que alegadamente conspiram contra si, pela classe política em geral, e pela de Lisboa em particular, cujo único objectivo é, segundo diz, tramar-lhe a carreira, e pela comunicação social do sistema que vigia e mantém à distância as ovelhas negras ronhosas. Perceba isso, dr. Jardim. Há cada vez menos pachorra. E a culpa é exclusivamente sua.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-1794664801081745864?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/1794664801081745864/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=1794664801081745864' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/1794664801081745864'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/1794664801081745864'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/01/entrevista-que-no-foi.html' title='A entrevista que não foi'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-514428284254175774</id><published>2009-01-12T14:31:00.053Z</published><updated>2009-01-13T10:59:56.175Z</updated><title type='text'>A Autonomia a pataco</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Disseram-me um dia que a gente só sabe onde chega depois de lá chegar. Acreditei na sentença, como é evidente, que a sabedoria popular nunca se engana e raramente tem dúvidas. E, em consequência, passei a adoptá-la como regra de prudência para as contingências da vida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por uma qualquer razão que ignoro, nunca me ocorreu aplicá-la à política. Se calhar, por nunca lá ter andado. Ainda assim, não desconheço que há poucas coisas na vida mais dadas ao sobe e desce. O que hoje é uma coisa, amanhã pode muito bem ser outra. Quem hoje está lá em cima, amanhã vem parar cá abaixo. A verdade de hoje é muitas vezes a mentira de amanhã. E nem as linhas de permanência que entre nós a estruturam deveriam ter-me feito esquecer que a volatilidade é uma das características mais importantes do tempo curto da política.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que arrevesada reflexão, dirão os meus improváveis leitores. Sejam os que passam por aqui porque sim. Sejam os que por cá andam com segundas intenções. Sejam os vigilantes das ideias alheias potencialmente perigosas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Passo então à explicação que é devida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acontece que pela leitura do DN percebi que o PSD abriu uma nova frente de combate ao primeiro-ministro. Como não podia deixar de ser, o pretexto desta vez é a crise. E do que a direcção política social-democrata se queixa é do facto de Sócrates não ter incluído a Madeira no plano anti-crise que recentemente anunciou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Devo confessar que num primeiro momento achei justíssima a reclamação laranja. Sendo a Madeira uma parcela portuguesa, de facto parece mal que um plano qualquer da República lhe possa passar ao lado. Pagamos impostos como pagam os restantes portugueses. Não há lei que nos possa diminuir os direitos. E o governo que nos representa lá fora é o mesmo que representa o resto do país. Vai daí dei por mim a considerar que Lisboa desta vez foi longe de mais. Só que depois lembrei-me que somos uma região dotada de instituições políticas de auto-governo. Que dizem irresponsavelmente que não há crise que nos atinja. Que asseguram a quem as ouve que temos um desemprego residual. Que vão ao ponto de recomendar ao país as fórmulas de política económica que por cá se praticam, como se fossemos um país diferente ou um caso à parte. E que têm até o direito de bloquear iniciativas sobre matérias que nos dizem respeito caso não sejam previamente consultadas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aqui chegado, a minha primeira convicção vacilou. Porque dei por mim a pensar que seria considerado um insuportável atrevimento que um primeiro-ministro qualquer nos incluísse à nossa revelia num qualquer dos seus planos. Porque me lembrei que o anti-centralismo militante que faz de conta que nos governa não admite que venha alguém de fora dizer-nos o que é que precisamos. Porque não consegui deixar de pensar que a cultura política oficial vigente por cá nos diz que uma coisa é a Madeira e outra é o rectângulo. E porque, nesta sequência de ideias, não me consegui lembrar de uma única iniciativa do governo regional no sentido da nossa inclusão, previamente negociada, no tal famigerado plano anti-crise. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Isto desculpa totalmente a omissão do primeiro-ministro e do seu governo? Sinceramente, não creio. Mas absolve de algum modo o poder político regional? A resposta só pode ser um rotundo e sonoro não. Quanto mais não seja, porque é o poder que nos está mais próximo. E porque lhe incumbe, em primeira instância, a missão de nos representar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O episódio teve, no entanto, alguns méritos. Demonstrou que nas alturas de maior aperto até os autonomistas mais empedernidos parecem dispostos a atirar às malvas a autonomia de que se julgam donos - agora até acham que o estado central deveria lembrar-se de nós à revelia dos nossos órgãos de governo próprio. E revelou como um poder autonómico esgotado, sem soluções, quezilento, falho de ideias, e que desistiu de nos representar, é capaz de atirar a autonomia que devia defender para o colo do centralismo, apenas com o miserável propósito de se desculpabilizar ou tentar salvar a pele. E aqui termino voltando ao ponto de partida. A verdade é que nunca imaginei que os políticos que fizeram da autonomia o sustento político e material das suas carreiras pudessem chegar ao ponto de um dia pedir que se deixe de fazer caso dela. Uma verdadeira tristeza! São precisos novos autonomistas, é o que é. Porque, como se vê, estes já chegaram onde nunca se pensou que algum dia pudessem chegar. &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-514428284254175774?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/514428284254175774/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=514428284254175774' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/514428284254175774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/514428284254175774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/01/autonomia-pataco.html' title='A Autonomia a pataco'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-4745856799544499541</id><published>2009-01-10T22:42:00.053Z</published><updated>2009-02-15T15:12:14.804Z</updated><title type='text'>O regresso da fábula dos porcos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Apesar de alguém andar fraternalmente a pedir o troco devido, vou continuar a optar pela via da contenção. Compreendam. Recuso chafurdar nas pocilgas que dão guarida aos arteiros desta vida. E consigo encontrar alguma gratificação no facto notório de alguém andar acometido de repentinos sobressaltos. Pelos vistos, nada como um bom susto para fazer saltar dos improváveis pedestais que ocupam uns quantos cavalheiros atormentados. Bem vindos, pois, ao terreiro da luta. Sintam-se em casa. Desfrutem. E votos sinceros de que haja por aí aprovisionamento suficiente de sais de frutos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não ignoro que os espíritos não-beligerantes são quase sempre incompreendidos. Considero-me assim suficientemente advertido para o facto dessa treta da não-beligerância poder ser confundida com a tibieza pura e simples. Como imaginam, não vou discutir o assunto. Não só porque a dúvida faz parte do jogo. Mas sobretudo porque sei que entre o medo e a ousadia há uma linha muito mais ténue do que podem supor os ditadorzecos de aldeia, e respectiva corte de vigilantes, que possam cirandar por aí. Mesmo considerando o arsenal de intimidação que têm ao seu dispor. E mesmo sabendo que eles não sabem, tão ofuscados andam com o unto oleoso do seu brilho, que a força bruta às vezes também se combate com recurso à força bruta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pretendeu alguém convencer-me que o modestíssimo autor deste blogue terá sido subtilmente ameaçado um dia destes. Palavra que o ingénuo que ele é teve e tem dificuldade em admiti-lo. Em primeiro lugar, porque não conseguiu enxergar qualquer ameaça. Em segundo, porque é incapaz de creditar qualquer laivo de subtileza ao trogloditismo militante e relapso que usa assentar por cá a porcina chafurdice dos seus arraiais. Não estranhem. A subtileza é descendente directa da inteligência. Ora, acontece que a fauna anafada que por aí anda desistiu há muito de dar corda ao intelecto. Basta-lhe, pobre dela, a arteirice. Ainda assim, registo a advertência. Nesta espécie de acta que encerro e assino. Bem ao contrário das que jazem delituosamente assinadas e abertas o tempo que exigem as jogatanas do costume.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-4745856799544499541?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/4745856799544499541/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=4745856799544499541' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/4745856799544499541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/4745856799544499541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/01/o-regresso-fbula-dos-porcos.html' title='O regresso da fábula dos porcos'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-833544267868922697</id><published>2009-01-07T23:38:00.053Z</published><updated>2009-01-08T17:00:59.980Z</updated><title type='text'>O mistério dos ares da terra</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Aselhice, meus senhores. Pura e simples. Mesmo que a trama tenha sido bem urdida. E mesmo que só se tenha dito a verdade e nada mais do que a verdade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi assim. Alguém, certamente animado dos mais nobres propósitos, resolveu introduzir no debate interno social-democrata a relevantíssima questão das relações pessoais entre Cunha e Silva e Miguel Albuquerque. A aparência das coisas terá deixado a ideia de que tão pertinente iniciativa visou simplesmente desdramatizar um problema maçador. Compreende-se. Quando um balão enche de mais, pica-se e resolve-se o problema. Só que em política é preciso desconfiar. Se não dos propósitos do que se diz, pelo menos dos efeitos prováveis daquilo que for dito. Sob pena de uma simples palavrinha atirada singelamente ao vento poder transformar-se numa curva perigosa onde pode derrapar um destino (ou até dois, vá lá a gente saber...). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vejamos. Estamos todos fartos de saber que Miguel Albuquerque e Cunha e Silva não se enxergam nem pintados. O tema não é novo. Os afloramentos mais azedos da acrimónia pessoal que os traz desavindos estão bem presentes na memória de todos. E, a bem dizer, ninguém ignora o que é que está por detrás da querida inimizade que ambos nutrem afectuosamente um pelo outro. De facto, por uma qualquer razão que só o espírito do tempo e os ares da ilha podem explicar, suas excelências entendem que têm condições para um dia presidirem ao governo da Região. E o resultado é aquele que se conhece: em virtude desse estranho milagre que nem a razão nem o senso são capazes de alcançar, os cavalheiros consideram que a sucessão de Jardim é assunto exclusivamente seu. Que têm o direito de tratar como muito bem quiserem e entenderem. E que, sabemo-lo já, resolveram tratar pela simpática via da aniquilação pública recíproca. Uns aprendizes de feiticeiro, é o que são. Com mais olhos que barriga. E com muito mais atrevimento do que tino.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entre vários outros, os dois cometeram um erro estratégico elementar. Não perceberam que no maximalismo das guerras de eliminação não há lugar para empates. Ou ganha-se tudo, ou perde-se tudo. É tão simples quanto isso. De modos que se os dois continuam a andar por aí alegres da vida é porque estão ambos derrotados sem o terem ainda percebido. O que não deixa de nos dizer alguma coisa sobre a agudeza de vistas dos dois cavalheiros em questão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, há mais. A somar ao erro estratégico, os dois simpáticos beligerantes têm-se fartado de cometer uma boa meia dúzia de erros tácticos. Disparam a torto e a direito sem cuidarem de saber se acertam ou não no alvo. E permitem-se até, como mais uma vez aconteceu, dar pública nota do azedume que lhes vem do fígado e alimenta o espírito. Resultado: as coisas chegaram a um tal ponto que Albuquerque e Cunha e Silva não passam já de apelidos de facção ou de sinónimos de divisão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Jardim está assim nas suas sete quintas. Pode manipular as coisas à vontade. Dá força a um. Finge que, no fim de contas, até é capaz de apoiar o outro. E o mais certo é que vá preparando na sombra a bissectriz de uma terceira via qualquer. E nem Cunha e Silva nem Albuquerque perceberam que quanto mais assumirem em público o conflito que travam, seja por iniciativa própria, seja por tramóia alheia, mais ajudam a desenhar uma alternativa unificadora do partido que obviamente os exclui. Que tansos que eles são!&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-833544267868922697?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/833544267868922697/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=833544267868922697' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/833544267868922697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/833544267868922697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/01/o-mistrio-dos-ares-da-terra.html' title='O mistério dos ares da terra'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-3611065638519464309</id><published>2009-01-04T22:54:00.038Z</published><updated>2009-01-15T11:42:57.013Z</updated><title type='text'>Carta aberta a quem de direito</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Vá lá, dr. Jardim. Atreva-se. Mostre a ousadia que tem. Afronte o situacionismo nacional que tanto tem denunciado. Decida-se. Mergulhe de cabeça na política a sério. Não quer fazê-lo? Compreendo. A maçonaria não deixa. A comunicação social também não. O eixo Lisboa-Cascais muito menos. E o bloco central dos interesses anda mesmo à espera de lhe dar uma boa coça. Sendo assim, faça-nos um favor. Acabe com as rábulas. Deixe-se de ameaçar muito e fazer muito pouco. E, já agora, perceba de uma vez por todas que o seu lugar é aqui. Nesta política pequenina onde só há lugar para quem manda. Nesta refrega de campanário mais ou menos acomodada ao polimento lustroso dos seus modos, à sereníssima expressão da sua vontade, à suavidade aveludada do seu estilo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Note. Quem, como vosselência, tem a seu crédito a proeza de criar dependentes como quem faz o milagre da multiplicação dos servos não pode pura e simplesmente virar as costas e zarpar para outras paragens. Não só é preciso cuidar dos órfãos, como parece pouco cristão puxar o tapete aos comensais que, a seu convite, se sentam consigo à mesa do nosso orçamento. Pode ser que lhe doa. E acredito até que isso lhe possa trazer imensa infelicidade. Mas acredite, meu caro dr. Jardim: a política madeirense é um cálice que vai ter de tragar até à última gota. Porque o futebol profissional precisa de si. Porque a política de transportes marítimos não o dispensa. Porque as vias litorais e expresso, e as demais correlativas ou congéneres criaturas, exigem o aval da sua presença. Porque as sociedades de desenvolvimento não aguentam o amparo único do notável estadista que chamou para seu vice. Porque há mais meia dúzia de centros cívicos por fazer. Uma mancha de laurissilva por destruir. Um pedaço de frente-mar por descaracterizar. Uma ilha para continuar a esburacar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Santa paciência, dr. Jardim. Conforme-se ou não com a tristeza da perspectiva, vossa mercê não tem outra saída. O seu lugar é junto dos seus. De maneira que lhe peço encarecidamente: deixe-se de fitas. Trabalhe. Comece a preocupar-se mais com as competências que tem e menos com as que diz que ainda lhe faltam. Dê atenção à crescente pobreza que já nem consegue esconder-se. Analise como deve os trágicos números da escola que nos envergonha e hipoteca o futuro. Repare que as desigualdades aumentam apesar das carradas de euros que nos caem em cima. Olhe com atenção para as dificuldades do nosso tecido empresarial. Observe o desemprego que sobe. As falências que aumentam. O turismo que soluça. Em suma, comece a governar com os meios que tem. Demonstre de forma positiva e em actos que é vantajoso para todos aprofundar e alargar a autonomia que temos. E deixe-se de subterfúgios. E acabe com as rábulas. E ponha termo aos números de mau circo em que incorre cada vez que deixa cair a sugestão de que é desta que vai atirar-se à política nacional.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ou então, dr. Jardim, decida-se de uma vez e vá. Mande às urtigas os dependentes dos milhões da bola. Marimbe-se para os que têm feito consigo a Madeira Nova de realizações notáveis, obras discutíveis e exclusões evitáveis. E, ao menos uma vez na vida, tenha a coragem de assumir riscos. Como sou tão modesto a pedir como indigente a pensar, só lhe peço que resista à tentação de participar activamente na escolha do seu sucessor. Não é por nada. Mas suspeito que a paródia seria assim bastante maior.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-3611065638519464309?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/3611065638519464309/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=3611065638519464309' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/3611065638519464309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/3611065638519464309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/01/carta-aberta-quem-de-direito.html' title='Carta aberta a quem de direito'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-8317305759040557405</id><published>2009-01-02T01:36:00.038Z</published><updated>2009-01-03T16:58:27.940Z</updated><title type='text'>As tentações natalícias</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Palavra que já tinha saudades. Não sabia que esta forma de convívio tecnologicamente mediado pudesse ser tão gratificante. Quase um vício. O interregno dos dias que passaram fez-me perceber que isto é, afinal, muito mais pessoal do que algum dia fui capaz de supor. Apesar da impessoalidade do meio utilizado. E a despeito de, no final de contas, tudo se resumir a meia dúzia de observações e um número idêntico de ideias postas a circular. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um vício bom, em suma. Que retomo com gosto. Que já me andava a fazer falta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Devo dizer, aliás, que me senti várias vezes tentado a interromper a trégua natalícia que me impus. Devem ter reparado, com certeza. Gostemos ou não, ele há sempre gente que nem no Natal consegue dar descanso à nossa paciência. Como o ex-senhor ministro da República. Como o cavalheiro que faz de conta que governa com o título lustroso de vice, de muita pompa e escassa ou nula substância. Ou como o eterno dr. Jardim que nunca perde uma oportunidade de alardear a visão cínica que tem da política.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi assim. O senhor conselheiro Diniz teve o atrevimento de dar uma ilegítima reprimenda pública a um legítimo representante do povo desta Região. O inenarrável vice fez o favor de sacar do inesgotável bornal do disparate mais uma das suas pérolas quinzenais. E o nosso senhor presidente entendeu dever criticar Cavaco Silva por este ter cometido o trágico erro de levar muito a sério e demasiado longe uma (imagine-se!) singela questão de princípio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Comecemos então pelo princípio. O senhor representante nomeado não gostou que o líder do PP tivesse levantado a voz para exigir um veto ao famigerado jackpot com que a maioria parlamentar agraciou os partidos políticos madeirenses. Um desaforo, terá pensado sua excelência. Um deputadozeco, ainda por cima eleito, ainda por cima de um partido minoritário, a fazer política à custa da sua excelsa função e da sua soberaníssima vontade? Que impertinência! Leva uma rabecada e pronto, que assim pode ser que se emende. Valeu na circunstância que o líder do PP lhe respondeu à letra. Mas não deixa de ser inquietante verificar a pesporrência com que um servidor público (eufemismo de "funcionário") de legitimidade nomeada acha que pode tratar um político eleito. Para já não falar da desproporcionada parcialidade com que sua excelência se encolhe perante as diatribes da maioria e se empertiga cada vez que ousam falar as várias minorias. A culpa, claro, também é delas. Tanto defenderam a necessidade de um ministro ou de um representante da República que acabou por lhes sair na rifa um mal disfarçado compincha do poder político regional. Aguentem-no, pois. Mas, já agora, aprendam e reflictam. Esta figura esquisita, que não é carne nem peixe, com ar de tutor e vocação de mestre-escola, não tem razão de ser. É político, mas não é político. E tão conveniente hibridismo confere-lhe uma prerrogativa que nenhum outro político tem: é praticamente inamovível. Coisa notável, não acham?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fale-se agora do dr. Cunha. Eu às vezes fico sem saber se o homem goza connosco ou se está mesmo convencido das barbaridades que diz. Vejam como lhe dou o benefício da dúvida. Ora acontece que alguém lhe terá dito que há uma relação qualquer entre o crescimento económico e o consumo de energia. Pois bem, o vice não quis saber de mais nada. Chamou o dr. Rebelo, que era para ser secretário das Finanças mas que preferiu dirigir a EEM que o dr. Cunha faz questão de dizer que tutela. Pediu-lhe os mapas do consumo. Constatou que os gráficos subiam. E, num êxtase, descobriu que a economia da Madeira cresce de tal modo que qualquer dia nem cabe na exiguidade da ilha. Acudam-nos, por favor. Isto já começa a roçar ou a indigência ou a insanidade. E não há uma alma caridosa que pergunte a esta gente quem são os principais consumidores de energia da terra. Da mesma forma que ninguém se dá à maçada de perguntar à EEM do dr. Rebelo, e que o dr. Cunha orgulhosamente tutela, o número dos consumidores em dívida, a identidade dos caloteiros públicos, e o cálculo estimado dos desperdícios. Mas isso, é claro, há-de ser coisa que se calhar não interessa...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E a finalizar, o dr. Jardim. Poucas linhas. As suficientes para lembrar apenas o comentário feito pelo homem de convicções e princípios que é o nosso presidente à forma como Cavaco Silva lidou com o problema das evidentes inconstitucionalidades do Estatuto dos Açores. O presidente da República deu demasiada importância à questão, sentenciou o dr. Jardim. E por aí se ficou, como se para si fosse errado dar importância às questões de princípio. Cada um está na política como pode. Ora, pelos vistos, o dr. Jardim só pode assim. Para ele não há princípios. Só há oportunidades. Obrigado pelo esclarecimento, senhor presidente. E, já agora, veja lá se é capaz de fazer qualquer coisa para que possamos ter todos um bom ano novo.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Bernardino da Purificação&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-8317305759040557405?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/8317305759040557405/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=8317305759040557405' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/8317305759040557405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/8317305759040557405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2009/01/as-tentaes-natalcias.html' title='As tentações natalícias'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-7217696249716448179</id><published>2008-12-22T09:45:00.021Z</published><updated>2009-01-01T01:50:25.221Z</updated><title type='text'>Parêntesis de votos pios</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há de facto qualquer coisa no ar. Não sei se é das renas e trenós do Natal que ficcionamos (&lt;em&gt;jingle bells, jingle all the way&lt;/em&gt;). Ignoro se será do tim-tam-tum das minhas cada vez mais velhas memórias. Nem sei se é coisa do odor balsâmico a azevinho, se do vermelho-único das manhãs-de-páscoa, ou se do brilho lustroso do alegra-campo. Do bolo de mel não há-de ser que o dito corre por aí demasiado industrializado para o genuíno gosto dos nostálgicos. E do ambiente dos &lt;em&gt;shoppings&lt;/em&gt; também não porque, segundo se diz, a crise passeia-se para cá e para lá num tropel de cobiça contida ou necessidade adiada à espera da estação dos saldos. No entanto, queira-se ou não, há por aí qualquer coisa que nos distrai das maçadas quase diárias perpetradas pelos permanentes maçadores do costume. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ignoremos, pois, por uma semana o dr. Cunha que nos dá cabo do orçamento sem se preocupar um bocadinho que seja com a ameaça real da crise. Deixemos de lado por uns dias as evasões mensais do dr. Jardim e as suas diatribes anti-Sócrates só para se desresponsabilizar e dizer que está vivo. Façamos de conta que o dr. Jardim Ramos resolveu finalmente ficar quieto depois da louça que desajeitadamente partiu no Hospital. E finjamos que não percebemos nem que o dr. Gouveia decidiu não existir, nem que o dr. Aguiar continua a achar que isto não merece mais do que uns quantos números de circo, nem que o líder do PP deixou de perceber se, por causa da estratégia nacional, deve piscar o olho ao PS ou ao PSD. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aceitemos, em suma, deixar dentro de um parêntesis de votos pios a nossa consciência crítica. Ao menos por uns dias. Com a promessa, claro, de voltarmos ao terreiro logo que passem as festas. Entretanto, que possamos ter todos um feliz Natal. Mesmo os que não o mereçam. Até já.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Bernardino da Purificação&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-7217696249716448179?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/7217696249716448179/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=7217696249716448179' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/7217696249716448179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/7217696249716448179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/12/parntesis-de-votos-pios.html' title='Parêntesis de votos pios'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-1165634775395670022</id><published>2008-12-16T14:02:00.068Z</published><updated>2008-12-17T20:00:19.136Z</updated><title type='text'>A fuga ao tribunal das contas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Por alguma razão que desconheço, os partidos políticos regionais não querem que o Tribunal de Contas lhes escrutine a subvenção parlamentar que recebem do erário. Fazem mal. Revelam que, no fundo, estão-se nas tintas para a sacrossanta transparência de que todos falam mas poucos praticam. E dão pública nota de que não querem tratar da questão do financiamento partidário com o rigor que os cidadãos reclamam e o sistema político exige.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enquanto elementos estruturantes da democracia, entendem que a única entidade fiscalizadora a que devem estar sujeitos é o Tribunal Constitucional. E enquanto instrumentos necessários à participação dos cidadãos no governo da &lt;em&gt;res publica&lt;/em&gt;, consideram que estão acima da maçadora possibilidade de terem as suas contas auditadas por entidade diversa da que lhes fiscaliza e generalidade dos gastos. Acho mal. Mesmo que os partidos não sejam pertença do Estado. E mesmo considerando que a actividade partidária não deve ser colocada em plano idêntico ao do objecto de uma instituição, de um organismo, ou de uma empresa estatal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Suponho que não erro se disser que os partidos recebem do Estado dois tipos de cheque. O mais generoso é emitido no quadro do financiamento partidário público. Financia a actividade partidária globalmente considerada. E as despesas que permite são fiscalizadas pelo Tribunal Constitucional. Um outro, de montante mais modesto e finalidade específica, assume a forma de apoio público à acção parlamentar. Sai directamente do orçamento da Assembleia Legislativa. E tem sido até agora, e a meu ver bem, controlado pelo Tribunal de Contas. Ora, é esta linha de demarcação que a generalidade das forças políticas madeirenses pretende pura e simplesmente eliminar. Procurando fazer passar a ideia de que os dois cheques são afinal um só. E garantindo a quem os ouve que partido e grupo parlamentar não passam afinal de duas maneiras de dizer a mesma coisa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sei nada de leis. Mas tenho para mim que financiar a actividade de um grupo parlamentar é coisa distinta de financiar um partido político. Se o legislador tivesse pretendido tratar como uma só as duas realidades não teria sentido especial dificuldade lexical ou jurídica em fazê-lo. Porém, não foi esse o seu entendimento. Assim como não foi esse o seu objectivo. E isso há-de ter um significado político e jurídico qualquer. É pertinente, aliás, recordar que a própria mesa da Assembleia fez há anos a mesmíssima demarcação semântica e legal das duas realidades. Se não o tivesse feito, não teria descontado ao partido socialista as verbas que passou a atribuir a dois deputados que dele desertaram. E não me passa pela cabeça que a mesa do parlamento possa ter posto um interesse partidário qualquer à frente da sua obrigação de cumprir a lei. Não o fez, certamente. De maneira que me espanta a ligeireza com que praticamente todos pretendem agora fazer de conta que, para efeitos de financiamento, tanto faz dizer grupo parlamentar como partido político. E sou levado a pensar que a única finalidade de tão repentina a abstrusa confusão é apenas driblar o Tribunal de Contas. Ao ponto a que isto chegou!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A demagogia faz-me urticaria. Mas, numa altura de crescentes dificuldades, não posso deixar de sublinhar que é por estas e por outras que temos a crise instalada nos nossos mecanismos de representação política. Ninguém leva a sério os deputados. São geralmente vistos como uma dispendiosa inutilidade. E fazem, eles próprios, o favor de continuamente se desacreditarem. Se tivessem um pingo de respeito por quem os elegeu, não estariam tão entretidos a tentar fugir ao Tribunal de Contas. Estariam a fazer trabalho político relevante e efectivo. E se dessem um mínimo de atenção às crescentes necessidades que por aí andam aceitariam, isso sim, um dispositivo legal qualquer que os obrigasse a devolver aos contribuintes as verbas que a sua notória preguiça todos os anos fizesse sobrar. Talvez pudesse começar por aí, quem sabe, a reconciliação entre os cidadãos e a instituição parlamentar. Mas com gente desta índole isso seria pedir de mais.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-1165634775395670022?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/1165634775395670022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=1165634775395670022' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/1165634775395670022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/1165634775395670022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/12/fuga-fora-de-bloqueio.html' title='A fuga ao tribunal das contas'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-7629813808947053666</id><published>2008-12-14T11:05:00.064Z</published><updated>2008-12-15T09:36:16.853Z</updated><title type='text'>A teoria da irresponsabilidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Afinal, o dr. Cunha é capaz de aprender. Não com os erros, que o indivíduo em causa não erra. Nem sequer com os livros, que o cavalheiro tem mais que fazer do que maçar-se com eles. Mas sim com as pequenas coisas da vida. Como, por exemplo, a harmonia suave do canto de um passarinho. Como, outro exemplo, o milagre da plantinha que rompe a terra buscando o sol. Ou então, derradeiro exemplo, como a simplicidade tocante e profunda de uma citação servida por uma colectânea à ordem na mesa de cabeceira. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Corrijo. O dr. Cunha não é só capaz de aprender. A bem dizer, e isso nota-se semana-sim-semana-não, a sua capacidade vai um pouco mais longe. Ascende ao patamar da reflexão. E, não se riam, vai até ao ponto do processamento da informação apreendida. Podem crer. Este nosso dr. Cunha é um exemplo. Uma quase inspiração.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bolas. Como o texto se vai escrevendo a si próprio, constato agora que sou obrigado a corrigir novamente. O dr. Cunha de facto aprende. É mesmo capaz de pôr alguma escassa ordem no caos informativo a que acede. Mas a força do intelecto que demonstra ter não se fica por aqui. Acreditem. Por muito que isso nos possa surpreender, o dito dr. Cunha dá mostras de conseguir realizar o pequeno milagre da produção de ideias. De teorias autênticas. E eu, como é evidente, não posso deixar de assinalá-lo. Porque admiro o sincretismo prolixo que se surpreende em cada texto que assina. E porque tenho um fraco pela forma desinibida e &lt;em&gt;kitsch&lt;/em&gt; com que o cavalheiro partilha connosco as mais recentes aquisições da sua tenaz homeopatia cultural.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Admito que estas minhas considerações possam ser acolhidas com incredulidade ou cepticismo. Não pretendo convencer os incrédulos. Mas aos cépticos recomendo a leitura da página que o dr. Cunha tem alugada em regime de &lt;em&gt;time sharing&lt;/em&gt; na revista do DN. Podem crer que está lá tudo. Tanto a mais recente descoberta da sua insaciável busca do bálsamo do saber - o dr. Cunha terá descoberto desta vez que houve um Sócrates na Grécia Antiga. Como a novidade da essência simplória do seu pensamento político. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como acredito que, por este andar, o cavalheiro ainda há-de chegar um dia ao &lt;em&gt;ápeiron&lt;/em&gt; dos pré-socráticos, fixo-me por agora na tese magnífica que o seu bestunto produziu. Pois bem, fiquem a saber que o dr. Cunha descobriu o segredo da irresponsabilidade política. Ou seja, o indivíduo foi capaz de encontrar aquilo que tantos outros debalde procuraram. A partir de agora, nos termos da sua prodigiosa descoberta, é politicamente legítimo ocupar o poder sem a maçada de um escrutínio ou julgamento presente. Quem achar que tem o direito de pedir contas ou fazer julgamentos políticos, pois tenha santa paciência e espere de dez a cinquenta anos. Porque é esse, de acordo com a nova "doutrina Cunha", o tempo que demoram a chegar os efeitos das medidas de longo prazo. E porque é injusto, nos termos da mesma nóvel doutrina, pedir contas presentes a bondades ou maldades futuras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Notável. O dr. Cunha reivindica o direito de ser julgado apenas pelos nossos filhos ou netos. Ele governa agora, é verdade. Mas nós não temos o direito de interpelá-lo pela forma como nos gasta o dinheiro e esgota a paciência. Por uma razão cristalina, simplória, básica e perversa que assim se formula: o dinheiro que o dr. Cunha esbanja no presente é aplicado a pensar no futuro. Logo, só daqui a um ror de anos se lhe devem pedir as devidas e democráticas contas. É assim uma espécie de faça agora e pague depois. O disparate, entenda-se.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não quero ser tremendista. Porém, reconheça-se: o caso é sério. Está à vista de todos que o dr. Cunha é consabidamente irresponsável. Porém, confesso. Nunca fui capaz de supor que o caos sincrético das coisas que apreende o pudesse levar à elaboração de tão sofisticada teoria. Assim, digam lá se o indivíduo não é mesmo um exemplo e uma verdadeira inspiração...!&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-7629813808947053666?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/7629813808947053666/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=7629813808947053666' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/7629813808947053666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/7629813808947053666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/12/teoria-da-irresponsabilidade.html' title='A teoria da irresponsabilidade'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-4745224121713416923</id><published>2008-12-11T17:31:00.035Z</published><updated>2008-12-12T13:48:04.191Z</updated><title type='text'>A arte da guerra</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Esta gente perdeu completamente a cabeça. Ameaça. Insulta. Grita. Vitupera. Como se não houvesse amanhã. Ou como se a razão tivesse cedido definitivamente o passo à grosseria da intolerância e ao primarismo da irracionalidade. Oxalá me engane. Mas os níveis de agressividade do discurso político atingiram entre nós um ponto de tal modo elevado que isto um dia acaba mal. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É claro que não é novidade para ninguém que há na política madeirense uma assinalável sedução pelo calor desregrado do destempero. Seja devido à latitude que temos. Seja por causa do capacete que nos turva a vista e comprime as meninges. Ainda assim, convenhamos. As coisas têm descambado para um plano em que se torna urgente a profilática procura de um outro tipo de explicações. Sob pena de, um dia destes, nos vermos todos envolvidos num imenso arraial de tapona colectiva sem percebermos muito bem porquê.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que hoje se viu no parlamento é mau de mais para poder ser aceite ou até mesmo descrito. Só faltou a agressão física. Só terão faltado os tiros. Mas lá tivemos o pior do ambiente de taberna. Lá tivemos a gritaria de quem acha que a política é a arte da guerra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu suspeito que as coisas devem ter corrido mal ao dr. Jardim na sua mais recente excursão a Lisboa. Ouviu certamente das boas. Se não de Silva Pereira, pelo menos de Cavaco Silva. E, o que é pior, deve ter ouvido em silêncio. Como é próprio dos que sabem ser desmesuradamente fortes com os fracos e miseravelmente fracos com os fortes. Deverá ter trazido, em suma, demasiadas coisas entaladas na garganta. E como só é capaz de remir os desaforos em casa, vá de espernear em público, vá de arremeter contra quem não tem nem o tempo nem os meios para lhe responder à medida. Verdadeiramente heróico, senhor presidente. Como se sabe, aliás, que é seu timbre.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não nos enganemos, porém. O dr. Jardim semeia a irracionalidade, mas fá-lo de forma planeada. Apela aos instintos, é certo. Porém, mede muito bem onde pretende chegar. O insulto, para ele, não passa de um instrumento. Do mesmo modo que a ameaça não passa de um meio. O que ele quis, com o seu execrável discurso de hoje, foi dizer aos berros a Lisboa que aqui quem manda é ele. Deixando, ao mesmo tempo, aos que vivem nesta terra, mais uma eloquente mensagem de que, enquanto por cá andar, a política não há-de passar da coisa insalubre e rasteira que todos televimos sem edição nem bola vermelha ao canto. &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-4745224121713416923?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/4745224121713416923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=4745224121713416923' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/4745224121713416923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/4745224121713416923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/12/arte-da-guerra.html' title='A arte da guerra'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-4514213317158676255</id><published>2008-12-09T11:09:00.113Z</published><updated>2008-12-10T10:31:42.845Z</updated><title type='text'>A pobre têvê que temos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Esta têvê que temos parece manifestamente um caso perdido. Cumpre mal as suas obrigações de serviço público. Confunde critérios jornalísticos com atribuição de tempos de antena. Faz do cronómetro a boa regra de gestão editorial. E tem no método estatístico o elemento central de muitas das suas decisões. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aquilo tem dias que nem parece uma televisão. É mais uma repartição difusora de enfados e rotinas. Com telejornais que não passam de serviços de informação oficiosa e institucional travestida de notícia. Com programas de desporto que se limitam a trazer para o espaço televisivo os palpitantes azedumes clubísticos existentes no espaço social. E com programas de informação cujo único propósito só pode ser, pelo que se vê, o de afagar o vaidoso umbigo da corporação dos informadores. Tudo, claro está, devidamente monitorizado pelo relógio criativo dos chefes. E tudo ao encontro do contador de minutos dessa inenarrável coisa chamada ERC.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sejamos justos, porém. Nem tudo o que nos é servido pela têvê que temos deve ser enfiado no saco enfadonho das irrelevâncias. Por exemplo, os espaços de divulgação cultural até conseguem ser interessantes e razoavelmente bem feitos. De um mesmo e geral modo, os programas de entrevista cumprem quase sempre os serviços mínimos. Mas mau, francamente mau, quase a roçar o péssimo, é praticamente tudo o que resta. Ou por falta de meios. Ou por ausência de ideias. Ou porque é assim que tem de ser.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O mais recente rasgo da criatividade nula desta TQT (têvê que temos) consiste na descoberta e lançamento hertziano de novos opinadores televisivos. O propósito da coisa, dando de barato que é capaz de haver um, há-de ser, creio eu, o de esconder a ausência de produção noticiosa digna desse nome atrás do comentário engravatado de dois cavalheiros razoavelmente conhecidos lá na rua onde moram. E o resultado é o que se conhece. Gramamo-los duas vezes por semana debitando arengas sobre tudo e mais alguma coisa. E ficamos a conhecer algumas irrelevantes opiniões que não pedimos, que não precisamos, e que em boa verdade dispensamos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um exemplo. O Hospital que nos trata da saúde dilacera-se em convulsões internas? Pois deixem estar que a gente despacha a coisa com a palavra atenta e sábia dos nossos dois novos tele-opinadores. O facto de saberem tanto de gestão hospitalar e de saúde como quem os tele-ouve não há-de passar, como é evidente, de um mero e insignificante pormenor. E a singela circunstância de nada de novo acrescentarem ao que entretanto a gente foi sabendo só pode ser tida à conta de uma irrelevante acontecência qualquer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outro exemplo. A política regional revolve-se em mais um episódio da sua já crónica guerrilha? Deixem estar que a gente já os trama com o julgamento justiceiro mais ou menos inflamado dos nossos dois comentadores opinativos. É verdade que nada dizem de importante. E é certo que fariam muito melhor figura se ficassem calados. Mas como o objectivo da sua tele-participação é fazer de conta e queimar tempo, ninguém há-de dar certamente por isso. Abrenúncio!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não quero parecer contundente. Porém, devo confessar que sempre que me entram em casa os dois cavalheiros em questão, às cavalitas do telejornal de serviço público, entra com eles um mesmo e recorrente pensamento - o que me diz que a ignorância é na verdade bem atrevida, enfatuada, petulante. Às vezes, imagine-se, até engravatada. Ora, é preciso que alguém explique certas coisas aos funcionários convidantes e aos opinadores convidados. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aos primeiros deve ser dito que, ao contrário do que supõem, não é comentador quem quer mas sim quem pode. Deve também ser explicado que não há opinião socialmente relevante que possa escapar à condição prévia da credibilidade. E deve ser igualmente enfatizado que não há credibilidade que possa dispensar um pressuposto de autoridade reconhecida. Acredito que possam ficar surpreendidos. Mas, se pensarem um bocadinho no assunto, ainda acabarão por descobrir que nenhuma dessas duas condições está dependente da vontade mais ou menos preguiçosa de um qualquer funcionário arvorado em programador televisivo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Posto isto, uma palavra final aos opinadores convidados. Do que precede ressalta uma ideia: a de que um comentador de televisão precisa muito mais do que atrevimento e lata. Precisa, por exemplo, de substância. Mas isso, como é evidente, só é válido para uma televisão com vontade de se levar a sério.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-4514213317158676255?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/4514213317158676255/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=4514213317158676255' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/4514213317158676255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/4514213317158676255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/12/tv-que-temos.html' title='A pobre têvê que temos'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-734349075347331963</id><published>2008-12-06T20:35:00.049Z</published><updated>2008-12-08T18:54:09.720Z</updated><title type='text'>A qualidade da coisa, ou a ausência dela</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Suponho que não erro se disser que a qualidade de uma democracia se mede pela forma como funcionam os seus mecanismos de controlo e fiscalização do poder. A explicação é simples. Como a política tem horror ao vazio, o poder tende a ocupar a totalidade do espaço que tiver à mercê. Quando encontra baias firmes, os atropelos são relativamente escassos. Mas se, ao contrário, os limites são frouxos, é certo e sabido que o abuso se instala.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Creio também que não me engano se disser que a qualidade da democracia da Madeira deixa imenso a desejar. Pelas razões atrás expostas (isto é, devido à extrema lassidão, à gritante ineficácia, ou à deplorável inexistência de instrumentos de contenção do poder). Mas ainda por outras de natureza muito mais pessoal do que institucional, que nos remetem para a estrutura democrática (ou para a ausência dela) de quem manda. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desenganem-se. Não vou aqui recuperar a tese estafada do nosso alegado défice democrático. Nem para subscrevê-la. Nem para lhe apontar os eventuais vícios. O propósito que tenho é bem mais modesto. Pretendo simplesmente ilustrar com três ou quatro exemplos o modo perverso como o poder que temos se presume isento da obrigação de prestar contas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Começo, então. O dr. Jardim continua a repartir a sua extenuante vida entre o Funchal e Bruxelas. Vai e vem com o tranquilo à vontade dos turistas militantes, ou com a rotineira descontracção dos caixeiros-viajantes. Ninguém lhe pergunta ao que vai. Nem ele nos faz o obséquio de uma explicação. Limita-se a ir e vir. Gastando dinheiro do erário (em viagens, hotel e ajudas de custo). Deixando o governo para que foi eleito sabe-se lá nas mãos de quem. E sem se sentir interpelado a prestar contas a quem paga. Ou seja, vai porque sim. Há-de continuar a ir porque lhe apetece. E, quanto a contas, que se lixem a Madeira e os contribuintes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O dr. Cunha e Silva mimetiza a roda livre do seu chefe. Saltita de disparate em disparate com a paquidérmica ligeireza de quem não reconhece limites ao poder que lhe puseram nas mãos. E fá-lo, ainda por cima, com a sonsa hipocrisia dos falsos moralistas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mal trepado à sua condição de vice, desatou logo a lançar peçonha sobre aqueles que o antecederam. O mínimo que disse de Paulo Fontes, de quem herdou algumas competências, foi que ele tinha um interesse qualquer na compra de um imóvel (ali para os lados do Mercado) para a instalação da Loja do cidadão. Sobre Pereira de Gouveia, que o precedeu na superintendência da economia, o mais brando que sua excelência conseguiu foi fazer constar que a megalomania e um interesse particular qualquer terão estado na origem da ideia de se instalar no Parque das Nações uma representação da Madeira em Lisboa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É claro que o dr. Cunha sabia que as suas graves acusações nunca seriam devidamente investigadas. Da mesma forma que adivinhava que as decisões que mais tarde viria a tomar, relativamente aos mesmíssimos dossiers, haveriam de passar sem o democrático escrutínio político. E o resultado está à vista de todos. A "sua" Casa da Madeira em Lisboa transitou para o Restelo (zona de embaixadas) e não passa de um espaço votado ao abandono. A "sua" Loja do Cidadão ocupa um espaço nobre da cidade e é um caso de sucesso em termos de procura. Mas, como canibalizou os clientes das repartições, conservatórias, e restantes serviços que alberga (alguns deles situados a duas escassas centenas de metros), e como já vai estando congestionada, em consequência desse e doutros pequeníssimos problemas de planeamento, não tarda nada e ainda assistiremos à necessidade de aquisição de um novo espaço para a abertura de uma nova Loja. A única diferença, claro está, será a ausência (obviamente, porque sim) de qualquer interesse por parte do actual comprador. É que o cavalheiro, acreditem, está aqui só para servir. Como bem o demonstram os Penedos e os parques da sua excelentíssima criação. E como o comprovam as promenades e as marinas que levaram o que tínhamos e até o que não tínhamos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora, uma vez que os instrumentos de fiscalização não existem ou são ineficazes, vamos ter de esperar que o cavalheiro seja um dia removido. Pode ser que nessa altura o seu sucessor se dê também ao trabalho de lhe revelar os erros e denunciar os interesses. Em nome, claro está, desta democracia de intragável qualidade que não há maneira de se regenerar.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-734349075347331963?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/734349075347331963/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=734349075347331963' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/734349075347331963'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/734349075347331963'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/12/qualidade-da-coisa-ou-ausncia-dela.html' title='A qualidade da coisa, ou a ausência dela'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-8432189170390424582</id><published>2008-12-03T14:10:00.046Z</published><updated>2008-12-03T23:09:58.773Z</updated><title type='text'>Uma dezena de votos secretos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O PSD é dono da consciência dos seus deputados. E estes, imagine-se, convivem bem com a situação. Ou porque são desprovidos de vontade. Ou porque são destituídos de ideias próprias. Ou porque simplesmente aceitaram alienar a sua autonomia individual a troco de um qualquer prato de lentilhas. Como nenhuma das hipóteses é susceptível de merecer um laivo sequer de compreensão ou simpatia, que venha o diabo e escolha a que mais acertada for.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quem acompanha a política madeirense, percebe que me preparo para comentar a notável saga parlamentar construída à volta da eleição do vice-presidente socialista da mesa da Assembleia. O PS insiste em candidatar Bernardo Martins. O PSD aceita emprestar (coisa notável!) à volta de uma dezena de votos para viabilizar a eleição. Mas como, ao que parece, o deputado do Partido da Terra tem atravessadas coisas de outros tempos, o candidato socialista vem somando chumbo atrás de chumbo, num processo que não prestigia o parlamento, e que, no plano individual, só dignifica, afinal, os que assumem a ousadia das posições claras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Falemos claro. Estou longe de simpatizar pessoal ou politicamente com o indivíduo em questão. Não obstante, reconheço a João Izidoro o direito de votar como muito bem quer e entende. Nesta como em todas as restantes matérias com dignidade parlamentar. Só acho lamentável que não lhe repugne participar na rábula anunciando antecipadamente o sentido do seu voto secreto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Continuemos a falar claro. Como o PS não há-de ter deputados de primeira nem deputados de segunda, é evidente que lhe assiste o direito de escolher livremente, sem exclusões ou outras reservas, o nome do seu candidato à mesa do parlamento. Decidiu escolher Martins. Faz questão de insistir em Martins. E resolveu que não candidata mais ninguém a não ser o dito Martins. Nada a objectar. As opções do PS são legítimas. Mesmo tendo optado pelo caminho do confronto. Só não percebo que reivindique para si um direito que certamente não reconheceria aos outros. Quer continuar a candidatar Martins, pois faça o favor de continuar a candidatá-lo. Não pode é esperar que os outros se sintam coagidos e obrigados a aceitar uma escolha exclusivamente sua. Ou será que o PS ponderaria sequer a hipótese de viabilizar algum dia uma subida de Jaime Ramos à mesa do parlamento? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ainda e sempre com a clareza que se impõe. Martins não é um nome politicamente neutro para o PSD. Bem pelo contrário. Carrega consigo uma carga muito particular de acrimónia, de conflito, de antagonismo. Tanto no plano político como no plano pessoal. E isso é tão evidente que nem vale a pena perder muito tempo a explicá-lo. De maneira que compreendo que o PSD não queira viabilizar a sua eleição. Mas há, no entanto, um aspecto que tenho dificuldade em compreender. Essa coisa de emprestar uma dezena de votos (ainda por cima secretos) só para fazer de conta é algo que anda algures entre o lamentável e o execrável. Porque não passa de uma triste paródia. E porque nem sequer respeita a consciência individual dos deputados que aceitaram passivamente a expropriação do sentido do seu voto. Palavra que ainda gostava de saber como, e com que tipo de argumentos, é que foram recrutados os "voluntários" nomeados pela direcção do grupo parlamentar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No meio desta vil tristeza tiro o chapéu a Miguel de Sousa. Ao que dizem as notícias foi dar uma volta na altura da votação. Isto é, ficou de consciência intacta. Ao contrário daquela indigente dezena de correlegionários seus, que se prestam, pelos vistos, a todo o tipo de fretes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma nota final para dizer que me enganei num vaticínio alvitrado há semanas atrás. O PS não negociou com o PSD a eleição de Bernardo Martins. Nem isso teve a arte de fazer. Participou na sessão de branqueamento das ilegalidades praticadas pelo PSD sem a mais leve sombra de cálculo político. Isto é, foi o que costuma ser. E ainda quer que o levem a sério...!&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-8432189170390424582?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/8432189170390424582/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=8432189170390424582' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/8432189170390424582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/8432189170390424582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/12/indignidade-de-uma-dzia-de-votos.html' title='Uma dezena de votos secretos'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-945499239163623109</id><published>2008-12-02T18:55:00.044Z</published><updated>2008-12-08T14:51:20.506Z</updated><title type='text'>A roda dos milhões</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;E pronto. Como quase sempre o mérito compensa, o mundo da bola lá se rendeu aos feitos desportivo-contabilísticos do "nosso" Cristiano Ronaldo. A distinção, reconheça-se, é mais do que justa. Porque ninguém jogou tão bem como ele na época que passou. Em golos. Em habilidade técnica. Em capacidade atlética. Em espectáculo puro. E também ninguém como ele pôs a girar a roda dos milhões de que se alimenta a não sei quantas vezes milionária indústria futeboleira. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acontece, de facto, que Ronaldo é hoje uma das marcas mais impressivas e rentáveis do negócio global que é o futebol. Vende como ninguém. Em &lt;em&gt;merchandising&lt;/em&gt;. Em páginas de jornais. Em capas de revista. Em &lt;em&gt;gadgets&lt;/em&gt; diversos. E o negócio, claro, está-lhe grato. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A bem dizer, este Ronaldo já nem é propriamente "nosso". É deles. Ele já descolou há muito da sua condição original de simples madeirense jogador de futebol. Como os negócios planetários se alimentam de vedetas planetárias, foi dada a Cristiano Ronaldo a condição de ícone que a indústria faz render e a publicidade amplifica. Para glória do desporto-rei. E para enormíssimo proveito da máquina por trás da qual se encontra um exército de personalidades sem rosto, sem afectos, sem emoções. Estes, os afectos e as emoções, ficam por nossa conta, por conta dos espectadores. Que todos os dias discutem, discutimos, a bola que estoura na barra. Que diariamente se perdem, nos perdemos, em horas de conversa sobre o fora-de-jogo que não era, sobre as apitadelas suspeitas da equipa de arbitragem, sobre a entrada arrepiante do facínora do defesa da equipa adversária.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não quero enfatizar, podem crer, o lado cínico e assumidamente contabilístico que todos sabemos existir no mundo da bola. Não é o momento próprio. Aliás, mesmo que o quisesse, bastava lembrar-me de cada um dos momentos de puro virtuosismo com que Ronaldo nos brindou na época passada para logo decidir arrepiar caminho. Ainda assim, manda a lucidez que me esforce por perceber que até com o merecimento de um prémio se joga muitas vezes no tabuleiro em que jogam os gestores do futebol-&lt;em&gt;business&lt;/em&gt;. É raro haver batota na escolha? Acredito piamente que sim. Mas isso não é virtude. É apenas condição de sucesso. Uma actividade que vive de paixões acaba por ficar refém delas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não pretendo, de igual modo, entrar na demagogia barata de colocar frente-a-frente o futebol-&lt;em&gt;glamour&lt;/em&gt; de que hoje se fala e o seu parente pobre feito de jogadores com ordenados em atraso e construído de coisas obscuras e traficâncias várias. Isso seria, convenhamos, uma nota de mau gosto. Que Ronaldo não merece. E que o nosso orgulho insular certamente reprovaria. Fico-me, pois, pelo registo de um prémio de amplificação planetária que um meu conterrâneo mereceu e ganhou. Sem, no entanto, poder deixar de pensar o que seria deste Ronaldo, ou de um outro qualquer que por aí ande, se tivesse optado por ficar cá na terra. O mais certo é que nunca passasse de uma terceira ou quarta escolha atrás de um daqueles futeboleiros do Brasil que por cá vão desembarcando às carradas para sorte deles e lucro de uns quantos.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-945499239163623109?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/945499239163623109/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=945499239163623109' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/945499239163623109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/945499239163623109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/12/roda-dos-milhes.html' title='A roda dos milhões'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-7755174243052373861</id><published>2008-11-29T11:43:00.034Z</published><updated>2008-11-30T13:16:38.767Z</updated><title type='text'>O fim do jogo de sombras</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Estou cada vez mais convencido de que a latitude das imunidades que entre nós se pratica ameaça matar a democracia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não me compreendam mal, por favor. Não sou contra todas as democráticas prerrogativas que devem ter determinados titulares de cargos de políticos. É democraticamente útil que um deputado nunca se sinta constrangido quando, em nosso nome, exerce as suas funções. É perfeitamente entendível que um conselheiro de Estado não deva actuar com a reserva de uma qualquer limitação de cada vez que, nessa qualidade, for chamado a pronunciar-se sobre um problema do país. Não obstante, parece-me claro que o perfil das imunidades deve ter como destinatário e beneficiário único a democracia e não o interesse particular e pessoal de quem por elas possa estar abrangido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Creio igualmente que as imunidades devem ser reguladas. E posso até compreender que a auto-regulação possa e deva funcionar como uma espécie de crivo primeira instância. Parece-me, no entanto, absolutamente perverso que a regulação do exercício das imunidades possa ficar refém da vontade mais ou menos corporativa dessa primeira instância. Eu sei que, no limite, o Tribunal Constitucional pode ter uma palavra a dizer quanto à forma como é interpretado e aplicado o regime de imunidades. Todavia, todos sabemos que, em termos práticos, o terreno onde se abriga esse regime é assim uma espécie de caixa-forte ciosamente guardada por quem dele beneficia. Julgo, pois, chegada a altura de alguém de bom senso ser capaz de propor medidas que restrinjam as interpretações demasiado extensivas do regime de protecção de alguns titulares de cargos políticos. Do mesmo modo que me parece evidente que é chegada a hora de se introduzir no sistema de verificação das imunidades um mecanismo regulador de natureza externa, que seja capaz de combater os tropismos corporativos que levam a que, no final de contas, todos se protejam uns aos outros. Tudo isto, em suma, para dizer que considero a todos os títulos obsceno que um político qualquer se considere no direito de barricar os eventuais desmandos da sua vida pessoal e profissional atrás de um regime que deveria ter como única finalidade proteger a política.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como se tem visto, a pertinência do tema é mais do que muita. Porque as notícias que circulam não são tranquilizadoras. E porque a imunidade que a democracia exige parece estimular a formação de um inaceitável ambiente de impunidade para práticas de ética ausente e eventualmente delituosas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Falemos claro. A opacidade é inimiga da legalidade. É atrás dela que se esconde tanto o grande crime como o pequeno delito. E uma sociedade, qualquer sociedade, só tem a perder quando os seus instrumentos de repressão criminal esbarram em zonas de sombra que certas práticas e costumes tendam a erigir. Ora, não há nada mais demolidor de um regime de imunidades do que a suspeita de que, paredes-meias com o que de positivo e estimável tem, possa também servir para abrigar a falta de transparência.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como o tema é recorrente na discussão pública portuguesa, devo esclarecer por que razão o trago novamente a terreiro. Pois bem, faço-o por causa do chamado caso BPN. Mas faço-o sobretudo porque me parece inqualificável que um conselheiro de Estado não possa ser investigado e eventualmente constituído arguido apenas porque goza do estatuto especial que a sua função política lhe confere. Do mesmo modo que considero inaceitável que seja com a especificidade desse estatuto que se contenham na Madeira as eventuais ondas de choque que esse caso nos faça chegar. As notícias sobre as eventuais ligações de deputados da maioria a práticas menos regulares ou mesmo ilegais, no âmbito deste caso, merecem um esclarecimento cabal. Até porque já saturam as zonas de sombra que enevoam a nossa vida social.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-7755174243052373861?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/7755174243052373861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=7755174243052373861' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/7755174243052373861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/7755174243052373861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/11/o-fim-do-jogo-de-sombras.html' title='O fim do jogo de sombras'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-5395668211075760780</id><published>2008-11-26T09:39:00.060Z</published><updated>2008-11-27T22:57:44.179Z</updated><title type='text'>Madeira über alles</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O dr. Jardim anda angustiado com o futuro do partido que lidera. Não sei se é da casa onde tem instalado o trono, ou se, pelo contrário, anda por aí uma sibila qualquer sussurrando desgraças aos ouvidos de sua excelência. Mas isso, reconheça-se, também pouco importa. O facto vale por si. De modos que se o senhor presidente se quer consumir em angústias com o futuro, é lá com ele. Não só tem esse direito, como lhe fica bem dar pública nota das suas apreensões. Até porque, como se sabe, ninguém conhece como ele essa magnífica vaga de herdeiros que, com visível impaciência, aguardam a sua hora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Registem-se, pois, as agonias presidenciais. Quanto mais não seja, como sinal premonitório das fatalidades que lá à frente nos esperam. E, já agora, juntemos-lhes as nossas. Se não como expressão da nossa solidariedade, ao menos como atestado da nossa gratidão - é enternecedor ver como um presidente de partida se preocupa, não com o futuro dele, mas sim com o nosso futuro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Antes de prosseguir, uma nota de esclarecimento. O presente escrito reporta-se ao artigo doutrinário que o senhor presidente faz o favor de publicar no número que aí vem do órgão oficial do seu partido. É nele que estão contidas as actuais apreensões de Jardim. É ele que nos dá conta da natureza das suas presidenciais agruras de alma. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se bem li a prosa, o dr. Jardim receia que o PSD venha a abandonar a sua condição de partido-vanguarda para se transformar num partido de interesses. Coisa séria, como se vê. Tão séria que quase nos faz esquecer que é igualmente reveladora e tardia. Reveladora, porque nos permite perceber que valor tem, para o dr. Jardim, a dialéctica partidária democrática - absolutamente nenhum. Tardia, porque basta olhar para o parlamento e para a maioria dos empresários da Madeira Nova para se perceber que o PSD é já, desde há muito, um partido de interesses com aspirações a, ou travestido de, partido-vanguarda.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O dr. Jardim farta-se de gozar com a nossa ignorância. Como sabe que nós sabemos que ele leu umas coisas, é useiro e vezeiro no recurso a um expediente que ele adivinha ter tanto êxito como habitualmente nenhum escrutínio. Impinge-nos grandes teorias e brilhantes raciocínios sabendo que os assenta em premissas falsas. E há-de divertir-se que nem um perdido cada vez que consuma um tal brilharete.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vejamos. No texto pretensamente doutrinário a que venho aludindo, o dr. Jardim defende que o partido que lidera deve continuar a ser a vanguarda que tem sido. Único porta-voz das aspirações do Povo. Executante único da soberana vontade do Povo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A palavra, como se calcula, provocou-lhe algum embaraço. Ele sabe, como nós sabemos, que a subida ao poder das auto-proclamadas vanguardas conduziu sempre à emergência de ditaduras. Mas como o dr. Jardim lida bem com os embaraços, sobretudo os de natureza filosófico-política, despachou o problema com a afirmação de que o poder exercido por um partido-vanguarda é perfeitamente compatível com o normal funcionamento de uma democracia liberal. É verdade que não ilustrou tão magnífica tese com a comparação de um único exemplo. Mas isso deve ter sido para poupar no papel, que a palavra de sua excelência vale mais do que qualquer teoria de ciência política. Ainda assim, atrevo-me a esperar que o excelso líder que temos nos possa um dia esclarecer. Quanto mais não seja, para percebermos que modelo de democracia inspira os gloriosos sonhos de sua excelência. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Admito que isto possa soar a bizantinice. Mas palavra que me incomoda saber que ocupa o poder alguém que parece não ter percebido ainda que as vanguardas encerram em si mesmas um fermento de totalitarismo. Pelos vistos, o dr. Jardim não sabe que em democracia os partidos não passam de instrumentos de acção política de projectos, de ideologias, de correntes de opinião. Que podem estar hoje no poder e amanhã na oposição. Que não esgotam o leque possível nem de sensibilidades nem de formas de participação colectiva. E que, por isso mesmo, nunca poderão representar a totalidade do povo soberano. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ou seja, com o seu perverso desejo de chefiar uma vanguarda, o dr. Jardim revela estar-se nas tintas para o facto (que um simples olhar para a História comprova) de a confusão forçada entre um partido e um povo ser avessa à divergência e refractária à diferença. Do mesmo modo que evidencia não perceber que a democracia só o é, de facto, se for inclusiva e praticar a tolerância. Mas isso, como é evidente, só acontece a quem pode ou julga ter uma vanguarda por conta. &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-5395668211075760780?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/5395668211075760780/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=5395668211075760780' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/5395668211075760780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/5395668211075760780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/11/madeira-ber-alles.html' title='Madeira über alles'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-3412561701699407373</id><published>2008-11-23T22:58:00.065Z</published><updated>2009-05-01T18:46:03.521+01:00</updated><title type='text'>A incontinência do senhor Representante</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ele há pessoas assim. Calam-se quando as circunstâncias exigiam que falassem. Mas falam pelos cotovelos quando deveriam ficar calados. Uma vez que não sei se a ciência tem nome para isto, peço desculpa por classificar prosaicamente a coisa como um síndrome da incontinência verbal conjugado com uma desordem de descompasso com o bom senso e com o sentido do &lt;em&gt;timing&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O senhor conselheiro Monteiro Diniz é o caso mais recente do cúmulo destas duas padecências. Durante a crise de legalidade que o partido do poder impôs ao parlamento regional, refugiou-se no recato do palácio que habita. Porém, agora que a legalidade formal regressou à casa da nossa representação política, aí está ele num corrupio de declarações e entrevistas. Dizendo disparates que, sorte dele, nenhuma entidade sindica. Exibindo uma parcialidade que as suas obrigações de Estado não deveriam tolerar. E denotando uma leviandade absolutamente incompatível com o luzente currículo que ostenta e, pior do que isso, com a função que desempenha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A insigne criatura deu neste fim-de-semana uma entrevista ao Sol. Embora sua excelência nada de jeito tenha dito, permito-me recomendar uma leitura às parvoíces que disse. Podem crer que são interessantes. Quanto mais não seja, porque revelam a inutilidade perniciosa das funções que desempenha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vejamos então o que disse o senhor representante. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Procurando justificar a ruidosa omissão do Palácio de Belém perante os factos parlamentares recentes, o conselheiro Diniz declarou &lt;em&gt;ipsis verbis&lt;/em&gt;: "&lt;em&gt;Não sou eu nem o senhor Presidente da República quem pode resolver estas crises. É o povo madeirense. E o povo madeirense, quando chega às eleições, não tem alternativas e mantém o mesmo partido no poder&lt;/em&gt;".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sem o devido respeito, apetece-me responder a este arremedo justificativo. Para dizer, em primeiro lugar, que ele nada justifica. Para sublinhar, em segundo, que ninguém está à espera de ver o conselheiro Diniz a resolver o que quer que seja, muito menos as crises que possam ocorrer no nosso parlamento. E para explicar ao senhor representante da República que o facto de o povo madeirense votar assim ou assado não dá o direito a ninguém, muito menos ao chefe de Estado, de furtar-se aos deveres de intervenção que as leis admitem e as circunstâncias exigem. Pelo contrário. Num quadro político como aquele que descreveu o conselheiro Diniz, todas as omissões perante o arbítrio da ilegalidade jogam sempre a favor de quem o pratica. Constituem uma prova de indecente parcialidade. E a ausência de censura política beneficia sempre quem prevarica só porque quer e pode. Porém, e pelos vistos, a vida ociosa que o ex-senhor ministro leva no palácio já nem lhe permite enxergar aquilo que a razão parece dar como óbvio e tem como evidência.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Diz depois sua excelência que, no final de contas, a culpa do despautério que ocasionalmente se instala na política regional reside, cito, numa "&lt;em&gt;cultura comportamental que se vem acumulando ao longos dos anos&lt;/em&gt;". Ora, só faltava mesmo o recurso à sociologia de trazer por casa! Então o agente político que o senhor representante também é não compreende que o que deve escrutinar-se na política são os comportamentos de indivíduos ou de grupos de indivíduos? Não percebe que é perversamente desresponsabilizador explicar o relapso desvario de alguns enfiando toda a gente no saco da mesma "&lt;em&gt;cultura comportamental&lt;/em&gt;"? Não enxerga, em suma, que justificar dessa forma a emergência de uma crise como a que ocorreu recentemente só dá jeito a quem a provocou? Pelos vistos, não. Nem o ex-senhor ministro, nem quem lhe deu autorização para tal profusão de disparates.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas a pérola mais interessante da entrevista pode ser encontrada já quase no fim. Diz o conselheiro Diniz que a Madeira não é uma terra sem lei. Tem razão. De facto, não é. Em bom rigor, a Madeira é só uma terra onde às vezes (sempre que lhe apetece) o poder se marimba para a lei. Mas isso, claro, a insigne criatura não foi capaz de dizer. O brilho embaciado do seu raciocínio só o deixou ir a este ponto, e cito de novo: "&lt;em&gt;Criou-se a ideia de que aqui faz-se tudo o que se quer. Não é assim. O presidente do Governo Regional controla muita coisa, mas, na área legislativa, o controlo é feito por mim&lt;/em&gt;". Valha-nos o Altíssimo. Mais um bocadinho e o representante enfatuado ainda reconhecia que tem um pacto com o dr. Jardim. Um controla tudo. O outro controla as leis. Todas? Claro que não. Como é sabido, só as que o parlamento democraticamente eleito se dá ao ao trabalho de produzir e aprovar. As outras, isto é, as que são sistematicamente violadas por quem manda, ficam por conta da &lt;em&gt;cultura comportamental &lt;/em&gt;vigente. Abençoada República que tal representante tem! E bendita Autonomia que tal cargo consente!&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-3412561701699407373?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/3412561701699407373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=3412561701699407373' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/3412561701699407373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/3412561701699407373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/11/incontinncia-do-senhor-representante.html' title='A incontinência do senhor Representante'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-6137203573550240291</id><published>2008-11-21T14:27:00.058Z</published><updated>2008-11-23T22:57:47.101Z</updated><title type='text'>A elegante reforma do dr. Jardim Ramos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não sei porquê, mas sinto que tenho um fraquinho especial pelo ímpeto reformista do secretário regional dos Assuntos Sociais. Às vezes, diverte-me. Noutras, confesso que me assusta. Mas, como o homem parece gostar de mexer com as coisas, que se lixe o susto e viva a diversão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já deu para perceber que o dr. Jardim Ramos é um político de muitos méritos. Com a simples substituição de um director regional conseguiu a proeza de erradicar a pobreza da nossa querida terra. E, agora, com a remoção pura e simples de duas dúzias de médicos acomodados (de acordo com a terminologia do seu corajoso e perspicaz diagnóstico) prepara-se para elevar os padrões dos serviços hospitalares ao patamar da excelência.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bem haja, pois, dr. Jardim Ramos. Graças a vosselência, a expressão "ovo de Colombo" ganha uma dimensão inusitadamente nova. E são, podem crer, políticos da estirpe deste intrépido e insigne reformador que me reconciliam com a política e me fazem ter esperança de que há-de haver (é imperioso que haja) um dia de amanhã.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se bem repararmos, o dr. Jardim Ramos transporta consigo a marca do governo a que pertence. Tal como os outros, tem uma reconhecida capacidade de produzir uma ou duas (admito sem esforço que, por junto, possam ser assim tantas) boas ideias abstractas. E, exactamente como os seus iluminados parceiros, é capaz de montar completos desastres a coberto e na esteira dessas duas magníficas ideias. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É necessário dar exemplos? Ok, pensem nas marinas e nos parques industriais. Já agora, acrescentem-lhe a tola utilização de um PIB empolado. E, de caminho, juntem-lhe também a liberalização mal estudada dos nossos transportes aéreos. Chega? Estou certo que sim. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Retome-se então o entrecho. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De modos que o dr. Jardim Ramos traz consigo esta indelével marca. Age mais depressa do que pensa. Pensa pouco e quer fazer muito. É assim uma espécie de Lucky Luke da organização da nossa Saúde. Chega a ser mais rápido do que o próprio pensamento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sua excelência há-de ter lido num livro qualquer que todas as organizações necessitam de injecções ocasionais de sangue novo e ideias novas. Como o hospital é a organização mais apetecível e visível à sua mercê, o dr. Ramos centrou nela o seu experimentalismo mal estudado. E como o seu negócio é a saúde, decretou-lhe a aplicação de um choque terapêutico: altera-se a orgânica; remove-se a gente antiga; rejuvenesce-se a equipa dirigente. E um dia, pensou ele, o povo há-de agradecer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pois bem, o resultado está à vista: alterou-se a orgânica à revelia dos médicos; removeu-se a gente antiga, num processo marcado pela deselegância e pelo ressentimento; e rejuvenesceu-se a equipa dirigente, em muitos casos, com gente recém-formada que um dia há-de lamentar ter sido alienada prematuramente da prática médica. E tenho dúvidas de que o povo possa estar grato a um processo que, para já, mais não fez do que levar a instabilidade e o ressaibo pessoal a uma classe e a uma instituição que tem a nossa saúde nas mãos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como não sou médico nem conheço o currículo das pessoas envolvidas no choque terapêutico do dr. Ramos, é evidente que não me pronuncio sobre a bondade ou maldade da coisa. Para já, a minha preocupação é outra. Tem mais que ver com aspectos formais do que com questões de substância (a despeito de saber que, nestas coisas, a forma é sempre substantiva). Não compreendo, por exemplo, como é que se pode justificar a mudança agora operada com a necessidade de combater o eventual acomodamento dos médicos que até agora dirigiram os serviços hospitalares. Do mesmo modo, compreendo mal que se ponha na rua gente qualificada pela via indigna de uma notícia de jornal. Finalmente, faz-me impressão que se faça tudo isto sem a prévia elaboração de um relatório de &lt;em&gt;performance&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A primeira das três questões enunciadas leva-me a concluir que o governo do PSD anda há vários anos a pactuar com a inércia do acomodamento instalado nos nossos hospitais. Isto é, o governo é objectivamente responsável por todas as nefastas consequências decorrentes dessa situação de acomodamento. Jardim Ramos dixit.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A segunda das minhas objecções leva-me a pensar que o secretário regional dos Assuntos Sociais pretende obter na praça pública, ou seja, na rua, a cobertura que porventura lhe falta, ou perdeu, no seio da instituição que pretende reformar. Interessante.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A terceira constatação que os factos conhecidos permitem é que se fazem reformas sem estudo prévio, abrem-se novos ciclos sem a avaliação antecipada daquele que se fecha, tira-se uns e põe-se outros assim como quem manipula um brinquedo qualquer. Significativo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É claro que é tão prematuro vaticinar desgraças como augurar desejáveis êxitos. Mas há uma coisa que é visível para já: o dr. Ramos fez as coisas com um tal tacto que até parece que o hospital se encontra em estado de sítio. As notícias não mentem. E delas o que se percebe é que a nossa saúde se encontra entalada no meio de uma refrega que tem um governo contra médicos, e que, pior do que isso, acaba de pôr médicos contra médicos. Ora, não é assim que se reformam as organizações. E um dia o dr. Ramos há-de percebê-lo.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-6137203573550240291?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/6137203573550240291/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=6137203573550240291' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/6137203573550240291'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/6137203573550240291'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/11/o-reformismo-elegante-do-dr-ramos.html' title='A elegante reforma do dr. Jardim Ramos'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-9075038413431146896</id><published>2008-11-19T17:57:00.022Z</published><updated>2008-11-20T13:00:20.503Z</updated><title type='text'>As duas faces da mesmíssima moeda</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O dr. Jardim reduziu a uma trica de comadres o público desaguisado ocorrido no interior do grupo parlamentar do seu partido. Era de esperar. De um modo geral, o líder do PSD costuma classificar dessa forma todas as tensões que, num dado momento, parecem ameaçar a coesão interna do partido do poder. De um modo particular, o dr. Jardim classifica dessa maneira os conflitos que pode controlar. E, com o cuidado que lhe merecem as situações verdadeiramente especiais, é a isso que reduz todas as pequenas ou grandes querelas que fazem o favor de eclodir por determinação da sua presidencial vontade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nada de novo, portanto. Nem quanto aos termos utilizados, manifestamente já mais do que gastos. Nem quanto ao ar patriarcal com que se pretende colocar acima da turbulência plebeia em que por vezes se envolvem os que no partido lhe estão abaixo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não nos iludamos, porém. Um simples exercício de memória mostra-nos bem o que acontece à dissensão pública destituída de aval presidencial. E nem será necessário recuar assim tanto para recuperarmos do passado as cobras e lagartos que se disseram de Virgílio Pereira a propósito de uma sua discordância ocasional. Ora, é evidente que o mesmo não vai acontecer a Coito Pita. Não porque tenha um peso político específico superior ao que tinha Virgílio Pereira. Muito menos porque o PSD possa precisar mais dele do que então precisava do ex-presidente da Câmara. Nada disso. Nada vai acontecer a Coito Pita por uma cristalina, simples e nada extraordinária ou especial razão: o súbito e quase improvável opositor de Jaime Ramos é, na actualidade, um dos homens de mão do presidente do partido. A sua voz é, na maioria das vezes, a voz de Jardim. Os seus alvos internos são, praticamente sempre, os alvos dilectos do chefe de todos os pequenos chefes que por aí andam.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Insisto no que escrevi há dias atrás. Só a Jardim interessa ter Jaime Ramos debaixo de fogo. É uma forma de lhe minar as forças. O problema é que o facto de isso ser cada vez mais notório tem o efeito perverso de elevar internamente o estatuto de Ramos. Compreenda-se. Um líder só perde tempo com alguém da sua igualha, mesmo que recorra ao mal disfarçado expediente das interpostas pessoas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Temos assim os primeiros passos de uma novidade na política madeirense. Pelos vistos, o PSD prepara-se para iniciar um período interessante e novo da sua já longa história. De definição de uma nova estrutura de poder. De redefinição dos seus alinhamentos internos. Porém, ainda é cedo para muitas conjecturas. Porque se é verdade que, nesta espécie de cara ou coroa, parece de mais aviso continuar a apostar na coroa, não deixa de ser igualmente verdadeiro que as moedas lançadas ao ar têm por vezes caprichos inesperados. Para não falar, já se vê, da união umbilical a que o destino e a força das coisas as condenou. Ou será que alguém pensa que Ramos é homem para se deixar descartar ou ir sozinho ao fundo?&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-9075038413431146896?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/9075038413431146896/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=9075038413431146896' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/9075038413431146896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/9075038413431146896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/11/dupla-face-da-moeda.html' title='As duas faces da mesmíssima moeda'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-8731987133230750324</id><published>2008-11-18T09:52:00.035Z</published><updated>2008-11-18T14:42:09.117Z</updated><title type='text'>De uma maneira ou de outra</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Gostava de saber se o cidadão Rui Alves, e não o presidente de um clube de futebol, era capaz de prometer duas estaladas a alguém. Gostava também de saber se o cidadão Jardim, e não o chefe daquela coisa que aparenta ser um governo, era capaz de trovejar ameaças frequentes, tal como faz constantemente a sua versão presidencial. Gostava, enfim, de saber se toda essa notável cadeia de comando, que vem por aí abaixo desde a Quinta Vigia até chegar à Junta de Freguesia ou à associação de bombeiros, se dava algum dia ao atrevimento da costumeira bravata de disparar ameaças a torto e a direito, caso não estivesse acoitada na loca do poder.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não pretendo especular muito sobre a miserável indigência do fenómeno. Mas todos sabemos que, sem as vestes institucionais de que toda esta fauna se apropriou, o mais certo é que andassem de rabinho entre as pernas, desdobrando-se em carentes palmadinhas nas costas de todos os que habitam o seu triste espaço de convívio, rasgando-se em insinuantes sorrisos para aqui e para acolá, num permanente e surdo apelo à consideração alheia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uns desgraçados, em suma. Uns cobardes. Que exibem com despudor uma força usurpada ao cargo que ocupam. Que ameaçam com uma ousadia que individualmente não têm.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De uma forma geral, todos nos lembramos deles antes e depois. Antes de serem o que são, não passavam de uns pobres diabos à espera da atenção da fortuna. Depois de serem o que são, voltam à lúgubre condição de pobres diabos. A única diferença é que regressam mais ricos, mais gordos, porventura inchados pela fartura da gamela.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Convém esclarecer, no entanto, que compreender o fenómeno não é, não pode ser, relevar-lhe a culpa ou desculpar-lhe a gravidade. O poder não há-de ser assim tão mau que consiga dar a volta à cabeça dos que por ele possam passar. O problema, parece-me claro, reside muito mais na qualidade pessoal de quem a ele acede do que na perversa capacidade que possa ter de transformar gente vulgar em refinados filhos da mãe (sem qualquer ofensa às senhoras suas progenitoras). Acho muito bem, portanto, que as vítimas que fazem lhes vão dando o troco que merecem. Na Justiça, já se vê, apesar da imensa desproporção de acesso e de meios. Mas sem descurar, como há alturas em que é preciso, outras formas, digamos, mais criativas de oposição e resistência. Até porque a Justiça não chega a todo o lado, sendo que, por vezes, só chega onde lhe convém. Ao passo que a criatividade, por enquanto, ainda não conhece limites. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como a nossa mente nos surpreende por vezes com associações tramadas, ao pensar nas prepotentes diatribes de Jardim, de Rui Alves, e de todas as outras personalidades, correlativas ou afins, que os acompanham na proa que ocupam, lembro-me sempre de um episódio da bola. (Faz todo o sentido. Afinal, o pretexto da prosa foi, na circunstância, uma coisa da bola.) &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora, acontece que uma vez foi perguntado ao central Mozer, que defendeu com brio o emblema, as cores e o orgulho do Glorioso, como é que tencionava travar os atacantes adversários. Pois bem, com a simplicidade um bocado safada de quem se rala pouco com estados de alma, o defesa limitou-se a retorquir, sorrindo. É simples. Há-de ser de uma maneira ou de outra. E nem ele sabia que as suas palavras encerravam, afinal, todo um programa de legítima defesa.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-8731987133230750324?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/8731987133230750324/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=8731987133230750324' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/8731987133230750324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/8731987133230750324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/11/de-uma-maneira-ou-de-outra.html' title='De uma maneira ou de outra'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-8091929072625693183</id><published>2008-11-15T20:22:00.051Z</published><updated>2008-11-17T16:25:48.892Z</updated><title type='text'>Uma sucessão sem sucessor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Se calhar porque sou céptico, só agora começo a acreditar que o dr. Jardim prepara, de facto, a sua sucessão. Porém, se os sinais não me enganam, parece-me ainda prematuro admitir que alguém venha mesmo a receber em breve o testemunho. Creio mesmo, aliás, que o mais certo é que venhamos a ter, provavelmente no final da legislatura, uma sucessão sem sucessor. Porque o dr. Jardim não brinca em serviço. E porque se sabe que, para ele, a democracia e os votos só têm piada se se puder antecipadamente saber quem ganha as eleições.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Concluído o intróito, permitam-me que ponha um pouco de ordem nas ideias. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como acontece com a generalidade dos cidadãos desta terra, estou muito longe de dar por adquirida a ideia de que o presidente do Governo vai calçar as pantufas, por sua iniciativa, no final do presente mandato. Admito que possa estar farto do que faz e de quem o rodeia. E sou até capaz de dar de barato que a descompressão de uma reforma dourada possa estar a sorrir-lhe de uma forma, digamos, tentadora. Creio, no entanto, que o vício do poder será mais forte do que o manifesto desprezo que a criatura já nem esconde que nutre, tanto por adversários, como por companheiros de partido. O que me leva a pensar que o dr. Jardim há-de continuar por aí, parafraseando o outro de má memória, pelo menos até conseguir o lugar de recuo que o seu elevado auto-conceito considere mais adequado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desgraçadamente para ele, Bruxelas não passou de uma idílica miragem. Felizmente para o seu instinto de sobrevivência, a política do rectângulo, para além de lhe não ser actualmente favorável, fascina-o muito menos do que por vezes nos tenta fazer crer. Ora, tudo isto somado (ou melhor, subtraído) dá como resto a necessidade imperativa de ter de ficar por cá. Por muito que isso lhe custe. A despeito de todas as maçadas e enjoos que o futuro lhe possa trazer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O dr. Jardim sabe que se não tivesse dito e redito, jurado e tornado a jurar, que este seria o seu último mandato, as coisas ser-lhe-iam francamente mais fáceis. Recandidatava-se, e pronto. Fazia um novo mandato, porque sim. E toda a gente engolia a coisa sem discussão que se visse ou problemas de maior. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A chatice é a eterna mania que tem de fazer política como quem anda no arame. Um dia finge que cai. Num outro faz de conta que se equilibra. Num terceiro ameaça que se estatela. Num seguinte volta a fingir que se apruma. E assim sucessivamente até fartar toda a gente com o espectáculo. Até, imagine-se, a que sempre considerou sua.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De maneira que, sem lugar de recuo à medida das exigências do ego, e com toda a gente mais ou menos saturada de ter continuamente mais do mesmo, o dr. Jardim percebeu que é chegado o momento de sacar do reportório uma última cartada. Vai, pois, voltar a fazer de conta. Vai sair, porém, vai ficar. Vai deixar o governo, mas não vai deixar o poder.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como sei que a ideia assim expressa pode soar a coisa estapafúrdia, avanço desde já a leitura que faço dos últimos sinais visíveis. Na minha modestíssima opinião, todos eles, os sinais, parecem indicar que o dr. Jardim se prepara para, no final do mandato, e sempre como hipótese de recurso, recolher à retaguarda aparente do cargo de presidente da Assembleia Regional. Foi provavelmente por isso que decretou uma alteração ao regimento, por forma a que o presidente volte a ser eleito por legislatura e não por sessão legislativa. E terá sido também em obediência a esse plano que deu carta branca a Coito Pita, nesta espécie de rebelião larvar que parece estar em curso no seio do grupo parlamentar do PSD, contra Jaime Ramos. É que só um presidente forte do parlamento precisa de um Ramos fraco, ou até mesmo, quem sabe, de um Ramos ausente. E só a um presidente autónomo, com força e com poder efectivo, o dr. Jardim daria o direito de libertar-se da sujeição ao voto anual dos deputados eleitos. Ora, digam-me lá quem é que no PSD reúne o cúmulo de todas estas condições?&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-8091929072625693183?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/8091929072625693183/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=8091929072625693183' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/8091929072625693183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/8091929072625693183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/11/uma-sucesso-sem-sucessor.html' title='Uma sucessão sem sucessor'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-419115897353250688</id><published>2008-11-13T23:15:00.046Z</published><updated>2008-11-15T23:08:40.826Z</updated><title type='text'>Os acólitos da contrição</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não quero passar por desmancha-prazeres. Mas, palavra que está mesmo a apetecer-me atirar uma pedrada à unanimidade pia e congratulatória que reconduziu o parlamento madeirense ao trilho da legalidade. A razão é simples. Considero que os actos de contrição devem ser pessoais. E entendo que os ofendidos deveriam ser capazes de se dar ao respeito. Como nada disso aconteceu, receio bem que a dita normalidade tenha sido conseguida à custa de uma negociata qualquer. Como se a legalidade democrática, insisto numa tecla já tocada em textos anteriores, pudesse algum dia ser objecto da traficância de uma qualquer transacção.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um bocado confuso, o que precede? Já se verá que não.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O PSD merecia, tinha esse direito, de desfazer sozinho o imbróglio jurídico e político em que leviana e prepotentemente meteu a Assembleia Legislativa Regional. Deveria ser capaz de subir sozinho ao plenário cujos trabalhos havia suspenso. E, num acto de penitente solidão, revogaria, com a exclusividade da sua iniciativa e votos, o que a força bruta da sua maioria havia anti-democraticamente imposto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Isto é, a oposição não deveria ter-se intrometido no recolhimento alheio. Nem para lhe apoiar as dores. Nem para dar solenidade à indigência da rábula. A situação criada na Assembleia era um problema do PSD. Deveria, em consequência, ser resolvido &lt;em&gt;a solo&lt;/em&gt; pelo PSD.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se bem repararem, verão que não há ponta de radicalismo neste entendimento que expresso. Embora reconheça que os mais apressados tentarão encontrar aqui um laivo qualquer de incitamento à prática nada cristã do ajuste de contas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora, o que defendo é tão simples quanto isto. Por vontade exclusiva da maioria social-democrata, a legalidade democrática na Assembleia ficou dependente e refém da revogação, pura e simples, de uma decisão arbitrária, ilegal e inconstitucional. Acontece que essa deliberação foi dirigida contra um deputado de uma das minorias com assento parlamentar. O que quer dizer que, enquanto se não verificasse tal revogação, nenhum partido da oposição com um apurado sentido de dignidade política e democrática deveria permitir-se participar em qualquer sessão plenária. Por não haver condições políticas para o fazer. Por subsistirem as razões jurídicas que levaram à suspensão da actividade parlamentar. E pela razão mais mundana e prosaica de que se não deve dar confiança à prepotência dos que sistematicamente se marimbam para as regras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pois bem, o que vimos foi outra coisa. Toda a oposição, com a digna ressalva do deputado directamente ofendido, aceitou acolitar a tardia contrição da maioria parlamentar. E, o que é mais surpreendente, aceitou emprestar o seu voto, que habitualmente de nada conta, a uma votação só tornada necessária pelo arbítrio da maioria. Perdeu assim uma oportunidade. Mais uma. De se dar ao respeito. E de confrontar o PSD com a indignidade da sua prepotência. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A oposição, e, em particular, o PS, lá saberá com que linhas se há-de coser. Mas depois de todas as omissões que se conhecem, por parte de quem tinha o dever ético e político de pronunciar-se sobre o acontecido, é inquietante perceber que os deputados da maioria tenham conseguido passar incólumes por entre os pingos da chuva que provocaram. No mínimo dos mínimos, deveria ter-lhes sido dado o direito de subirem ao plenário sozinhos, e de, com o imenso quórum que têm, assumirem sozinhos que erraram, no pelourinho da praça pública. Sem acólitos à volta a emprestar dignidade política à coisa. E sem ninguém a segurar as velas de uma contrição que deveria ficar como exemplo. Só espero é que, por detrás deste aparente erro de cálculo de tão cordata e prestável oposição, não tenha ficado uma negociata qualquer. Mas isso há-de ver-se quando um dia destes se reeditar a votação para a escolha do vice-presidente que falta à mesa da Assembleia.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-419115897353250688?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/419115897353250688/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=419115897353250688' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/419115897353250688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/419115897353250688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/11/os-aclitos-da-contrio.html' title='Os acólitos da contrição'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-7634041836337699506</id><published>2008-11-11T21:07:00.026Z</published><updated>2008-11-12T15:57:12.716Z</updated><title type='text'>Cavaco, a Autonomia e o ademais</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O senhor presidente da República tem coisas mais importantes com que se preocupar. Os atropelos à legalidade democrática verificados no parlamento madeirense não passam de um exacerbamento, de grau escasso da escala cavaquista, da tensão inerente ao confronto político. E, ademais, a República tem na Madeira um senhor que a representa com capacidade para lidar com as excentricidades locais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Manda o rigor que reconheça que não estou a citar &lt;em&gt;ipsis verbis&lt;/em&gt; as declarações proferidas pelo senhor presidente da República. Porém, espremidinho o que disse, a coisa não passa desta indigência de raciocínio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É evidente que o desemprego e a crise financeira são muito mais importantes do que quaisquer afloramentos totalitários ocorridos, ou em curso, na pérola do Atlântico. Os primeiros dizem respeito a todo o país. Os segundos não passam de mero folclore local.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Do mesmo modo, é claro para todos que os efeitos da intensidade do confronto político da RAM já fazem parte do anedotário nacional. O chefe de Estado tem assim carradas razão. Presidente da República que se preze não deve ceder à sedução da anedota.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quanto ao ademais, a pátria não ignora que a Madeira alberga, por obra e graça do legislador constituinte, uma vetusta figura com poderes de representação da República. Não o ignora a pátria dos magnos problemas. Nem, muito menos, o exotismo folclórico desta pequena parcela. Às vezes é mais patusca do que vetusta? É sim senhor. Porém, compreenda-se. Entre a relevância dos cargos e o perfil particular de quem os ocupa deve haver sempre uma correspondência apropriada e visível. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De maneira que, meus amigos e caros concidadãos, a Madeira acaba de ser declarada em estado de autonomia total, tal como têm vindo a reclamar os mais fervorosos e radicais autonomistas, a começar, já se vê, por esse heróico espadachim autonómico que dá pelo nome de dr. Jardim. Porque o presidente da República não quer saber de nós, mesmo quando é atropelada a legalidade democrática. E porque, como se tem visto em todo este nada surpreendente processo, o representante regional da dita é mais expedito a comentar comentadores e políticos da oposição regional do que a condenar a prática deliberada de ilegalidades.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estamos finalmente entregues a nós próprios, é o que é. Que é como quem diz que estamos entregues ao arbítrio de um poder a quem é dada a indecente indulgência dos casos perdidos. Dêmos, pois, graças ao Altíssimo. E, de caminho, agradeçamos a um presidente da República que, no intervalo dos seus inúmeros afazeres, é capaz de reconhecer a existência de ilegalidades, embora prefira deixá-las ao sabor dos caprichos de quem as pratica. E, já agora, tributemos também ao senhor presidente do Governo regional (e, em seu nome, à clique que chefia) o reconhecimento sincero que lhe devemos por &lt;strong&gt;só&lt;/strong&gt; fazer o que faz, apesar da rédea solta que tem. Não fosse ele um campeão da democracia e estaríamos todos bem arranjados... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que mal fizemos nós?!&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-7634041836337699506?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/7634041836337699506/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=7634041836337699506' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/7634041836337699506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/7634041836337699506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/11/cavaco-autonomia-e-o-ademais.html' title='Cavaco, a Autonomia e o ademais'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-6341506236017035575</id><published>2008-11-08T15:19:00.036Z</published><updated>2008-11-09T13:07:30.012Z</updated><title type='text'>A democracia negociada</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Entendamo-nos. Não me move qualquer perverso desejo de ver a Madeira falada por más razões e envolvida em polémicas lamentáveis. Não obstante, e ao contrário do que possa imaginar o conformismo dos que se preocupam mais com os efeitos do que com as causas, considero que seria de extrema utilidade para a saúde da nossa vida democrática que o presidente da República fosse capaz de colocar no patamar devido o mais recente caso da política madeirense.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma democracia responsável não se refugia em subterfúgios. E os titulares responsáveis das suas instituições políticas não se escondem nem fogem dos problemas. No entanto, a sensação que se tem é que praticamente toda a gente aceita passar bovinamente a vida fazendo de conta que a normalidade e a legalidade são negociáveis. Como se as leis não fossem imperativas. Ou como se à Madeira tivesse sido outorgado um estatuto de excepção. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora, é óbvio que em democracia a legalidade não pode ser susceptível de transacção. De maneira que o mínimo que se poderia esperar de um presidente da República é que tivesse a decência política de enviar uma mensagem ao parlamento regional. Condenando, sem tibiezas nem ambiguidades, a reiterada indecência que a Assembleia quase diariamente alberga. E dizendo, sem medo das palavras, que as rupturas institucionais chegam sempre que os representados deixam de rever-se nos comportamentos e nas práticas dos seus representantes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como os factos falam por si, não vou entrar novamente na descrição da ocorrência. O que me interessa hoje é outra coisa. É explicar por que é que penso que o presidente da República não tem o direito de reduzir o problema criado a coisa que se resolve com umas quantas conversas de bastidores. E é procurar reter o que considero haver de verdadeiramente significativo nestes últimos atropelos cometidos à normalidade da nossa vida democrática. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então, é assim. Ficou à vista de todos que o PSD convive mal com a crítica e reage mal à diferença de opinião. Encontra-se de tal maneira refastelado na sua obesa maioria que já nem consegue pensar. As suas reacções são, no mais das vezes, primárias e instintivas. E têm, quase sempre, a mimosa particularidade de se marimbar para o freio das regras, de mandar às urtigas os limites da decência e do império da lei, e de privilegiar o primarismo da força bruta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A ocorrência recente é paradigmática. Em vez de procurar enquadrar democraticamente as invectivas políticas de que foi alvo, o poder que temos reagiu com a cegueira da intolerância: um deputado anda para aí a maçar-nos com fantochadas pseudo-políticas que dão notícias, pois cale-se o deputado, mande-se a política àquela parte e tente-se dar um jeito nas notícias; as críticas ganham uma visibilidade acrescida por serem feitas no parlamento, pois que se feche o parlamento; a democracia é um empecilho para um poder que se julga absoluto, pois que se dane a democracia; as pessoas julgam estar na posse do direito de opinião, pois que se lixem os direitos, mande-se passear as pessoas e vão à fava as opiniões. E um dia, sem darmos por isso, viveremos sem críticas nem opiniões. Sem política nem parlamento. Sem democracia nem regras. Apenas com as notícias que interessam. Apenas com a opinião que conta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aos que acham que a caricatura exagera, direi simplesmente que reagimos exactamente como somos. Os tolerantes reagem com tolerância. Os intolerantes nem chegam a perceber onde fica a fronteira da intolerância. Ora, foi nisto que se transformou o poder que nos manda.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O PSD não é todo assim, farão o favor de dizer os que não querem ser metidos em semelhante saco. Têm razão. É claro que não é. Individualmente considerados, os seus militantes não passam, quase todos, de estimáveis pessoas. Mas vão perguntar o que pensam os que são diariamente humilhados, os que são sistematicamente perseguidos, os que são criminosamente marginalizados. Eles lhes dirão que poder é este que é capaz de levar gente decente à prática reiterada e sobranceira do atropelo de regras, de direitos, de pessoas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora, é por tudo isto que o presidente da República não devia ficar novamente calado. Porque se o fizer torna-se objectivamente cúmplice do desmando. E porque ao fazê-lo dá um público sinal de que a esta gente tudo é permitido. &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-6341506236017035575?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/6341506236017035575/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=6341506236017035575' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/6341506236017035575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/6341506236017035575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/11/legalidade-no-negocivel.html' title='A democracia negociada'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-3174869598110135202</id><published>2008-11-06T21:18:00.017Z</published><updated>2008-11-07T10:27:36.434Z</updated><title type='text'>O arauto da legalidade inexistente</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O senhor Representante da República considera que está reposta a legalidade democrática na Assembleia Legislativa da Madeira. O parlamento não se reúne por vontade expressa do grupo parlamentar do PSD. Mas isso, para o conselheiro Diniz, traduz um quadro de legalidade. Mais um bocadinho e ainda nos diria que o clima parlamentar é de normalidade. Demos graças ao Senhor!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já se percebeu que falo da mais recente episódio da nossa vida parlamentar. O deputado do costume fez o número do costume. E o PSD resolveu rasgar as vestes de tola indignação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Corrijo. A bem dizer, a provocação não foi a do costume. Desta vez, o deputado do PND chamou nazi a Jaime Ramos e assassino a João Jardim. E resolveu alindar a cena com uma suástica de todo o tamanho em forma de bandeira. Isto é, o dito deputado conseguiu ir desta vez mais longe do que lhe é habitual. No espalhafato da cena. Na gravidade das acusações. No contumaz desrespeito pela dignidade da instituição parlamentar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Do mesmo modo, a indignação do PSD não foi propriamente tola. Foi absolutamente legítima. Tolos foram, isso sim, os mecanismos de retaliação que utilizou: suspendeu ilegalmente o mandato de um deputado legitimamente eleito; impediu-o, com recurso a segurança privada(!), de entrar numa casa que é sua de direito político e legal; e, quando alguém lhe explicou a enormidade anti-democrática do feito, mandou fechar o plenário até que os tribunais entendam dizer de sua justiça. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Temos assim que, por este andar, só lá para as calendas teremos de novo em regular funcionamento a casa dos nossos representantes políticos. Não obstante, isso não parece ser coisa que perturbe o senhor conselheiro Monteiro Diniz. Deu rédea à solta ao formalismo legal que lhe caracteriza o pensamento e explica a acção. E ei-lo a comprazer-se com aquilo a que apelida de legalidade democrática. Haja clemência!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se calhar, sua excelência nada mais pode fazer. O mais certo é que isso seja assim. Mas, com franqueza, podia ao menos ficar calado ou medir o que diz. Como nada disso fez, fica associado, também por más razões, a um dos episódios mais negros da vida parlamentar da Região.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma vez que o fundamentalismo legalista do senhor ex-ministro resolveu botar faladura, é de presumir que o presidente da República vai permanecer calado. Pelo menos, por enquanto. E assim se fica a perceber para que servem os representantes da dita. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu confesso que não acho bem. Já vai sendo tempo de a República se dar ao respeito também aqui nesta sua parcela. E já que temos um presidente tão cioso dos seus poderes (como se viu no recente episódio do estatuto açoriano), percebe-se mal que continue a recusar-se a utilizá-los. A menos que a ideia seja a de continuar a alimentar, com finalidades porventura didáctico-políticas, o exotismo político da ilha. Será? &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-3174869598110135202?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/3174869598110135202/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=3174869598110135202' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/3174869598110135202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/3174869598110135202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/11/o-arauto-da-legalidade.html' title='O arauto da legalidade inexistente'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-5507438681990109834</id><published>2008-11-06T09:39:00.021Z</published><updated>2008-11-06T13:37:48.080Z</updated><title type='text'>As contas de sumir e o estádio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A máquina da propaganda político-futebolística aí está na sua máxima força. Afinal, diz ela, o estádio do Marítimo vai ficar mais barato ao nosso erário. E o povo regozija-se. E o dr. Jardim pisca o olho, em mal disfarçado gozo, ao presidente Pereira dos assuntos futebolísticos do governo da RAM. E o nosso querido e escasso orçamento lá vai fazendo contas à fatia que vai ter de dispensar para a manutenção do lucrativo e dispendioso divertimento de alguns.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um estádio mais barato! Palavra que gosto da ideia. Em período de crise, nada há mais estimável do que poupar e cortar nos gastos. Sobretudo nos desnecessários. O problema, e é com humildade que o confesso, é que não a percebi. Mais barato do que quê? Do que se não fosse feito? Do que pura e simplesmente se dissesse ao senhor Marítimo que já recebeu do erário mais do que o suficiente para ter feito estádios, obras, campos de treino, academias e outras coisas quejandas? Palavra que estou confuso. Como não é disso que se trata, juro que não percebo que raio de poupança é essa que o DN nos serve num dia e o dr. Jardim nos assegura no outro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A minha dificuldade em perceber como é que vai ser mais barata uma despesa imoral, e a todos os títulos inútil, assenta ainda num outro tipo de considerações. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Passo a explicar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há dias, antes ainda deste mimo propagandístico que nos quer convencer da bondade de uma coisa manifestamente ruim, vi na têvê que temos um cavalheiro do IDRAM declarar o que um zeloso aplicador dos nossos dinheiros nunca poderia aceitar. Disse ele, num debate a propósito deste famigerado estádio do Marítimo, que a análise de solos e o estudo geotécnico, que as leis da engenharia exigem que se faça, serão executados pelo empreiteiro depois da adjudicação da empreitada. E no ar, como se calcula, ficou a simpática ideia de que a RAM assim furtaria os seus exauridos cofres a uma desnecessária despesa (mais uma, já se vê, que, pelos vistos, esta operação do estádio do CSM só tem contas de subtrair).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A maçada da coisa é que tanta poupança deixa a gente a matutar. Ora, acontece que eu também matutei. E, se calhar, mais do que devia. De tal modo que dei por mim confrontado com a seguinte dúvida de leigo: como é que se pode determinar um valor-base de adjudicação de uma obra pública, sem se apurar antecipadamente a dimensão e o custo da totalidade da intervenção?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como não sou engenheiro, confesso que ainda hoje a coisa me aflige. Será que só vai ser adjudicada a obra acima do solo? Será que há alguma empresa de construção civil disposta a partir para uma obra como quem parte para a compra de um melão (o tal que só depois de aberto se sabe se valeu o que custou)? E os trabalhos abaixo do solo? Quem vai fazê-los e pagá-los? Serão um presente envenenado, salvo seja, dado ao empreiteiro? Tenho a certeza de que a singeleza complexa destas dúvidas dá bem a nota do tormento reflexivo em que me encontro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É verdade que, a dada altura, pensei ter chegado à resposta para todas estas dúvidas. Visualizei então a palavra derrapagem. E a coisa pareceu fazer algum sentido. Na verdade, não há obra que não derrape financeiramente neste país e nesta região. Só que, logo a seguir, recordei-me que, não há muito tempo, entrou em vigor um diploma legal que limita a uma percentagem irrisória o valor dos trabalhos não previstos no caderno de encargos. E aqui, para meu desespero, regressaram as dúvidas. Será que alguém pode ajudar-me a desfazê-las? É que, com tantas contas de subtracção, às tantas ainda teremos um estádio real assente em fundações virtuais. Ou será que a virtualidade da coisa vai ficar-se apenas pelas contas da dita? &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-5507438681990109834?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/5507438681990109834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=5507438681990109834' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/5507438681990109834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/5507438681990109834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/11/o-estdio-e-as-contas-de-sumir.html' title='As contas de sumir e o estádio'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-3327993551644103496</id><published>2008-11-05T10:29:00.021Z</published><updated>2008-11-05T21:27:26.894Z</updated><title type='text'>God bless America</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Primeiro o registo de interesses. Não sou nem pró-democrata, nem pró-republicano. Considero que a política dos Estados Unidos só me diz respeito na sua vertente externa. E, desse ponto de vista, considero-me um pró-americano. Porque simpatizo mais com as democracias do que com as ditaduras. Porque não ignoro que o mundo pós-guerra fria necessita de um mínimo de regulação e ordem que organizações como a ONU não estão em condições de assegurar. Porque não sou indiferente ao cinismo dos que reclamam essa regulação sem nada fazerem para que ela seja efectiva. Porque não esqueço o que a Europa tem feito, a si própria e ao mundo, sempre que os EUA se limitam a tratar da sua casa e dos seus problemas. E porque depois do 11 de Setembro, por todas as razões trágicas, civilizacionais e simbólicas que lhe são inerentes, não posso deixar de fazer minhas, com as necessárias adaptações, mas com a mesma intenção solidária, as palavras imortalizadas do presidente Jack Kennedy: &lt;em&gt;Ich bin ein american.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi com este distanciamento que acompanhei as eleições nos EUA. Predispus-me a assistir ao espectáculo mediático global como o terão feito biliões de espectadores. Não tive favoritos. E procurei resistir a todas as lendas e &lt;em&gt;clichés&lt;/em&gt; que sobre os candidatos se contaram. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porém, passadas as eleições, não posso deixar de dizer que me sinto literalmente esmagado pela extrema dignidade do candidato derrotado, pelo imenso sentido de Estado que em todos os momentos exibiu, pelo tocante patriotismo de que sempre deu mostras, pela genuína humildade com que reconheceu os méritos do adversário. Senti-me reconfortado, em suma, por poder verificar que a lenda McCain, que ideólogos e estrategos de campanha tão bem construíram e enfatizaram, corresponde à pessoa concreta que é. Não tivemos o plástico do marketing. Estivemos perante a autenticidade de um político de verdade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Obama, claro, impressionou-me também. Por tudo isso. Mas também por outros predicados. Pedindo desculpa pelo exagero, fez-me lembrar Mandela. Não apenas por ter ganho, mas por ter ousado acreditar que podia ganhar. Não apenas pela eloquência, mas pela serenidade, bom senso, e simplicidade com que sempre se dirigiu aos americanos. Não apenas por ser quem é, mas pela forma como conseguiu mobilizar um país de abstencionistas para uma participação eleitoral a todos os títulos impressionante - a maior dos últimos cem anos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Obama mexeu nas estruturas da política americana. Ele e McCain foram capazes de opor a força dos eleitores ao conservadorismo dos aparelhos partidários. Honra lhes seja, pois. E que &lt;em&gt;may God bless America,&lt;/em&gt; porque se o fizer também nos abençoará certamente a todos nós&lt;em&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas há uma nota final que não posso deixar de fazer. O simbolismo e dimensão da vitória de Obama trazem consigo um ónus de responsabilidade a que ele e a América não podem furtar-se. O tempo novo prometido é esperado por todos. Tanto na América como fora dela. Oxalá consiga a próxima administração americana corresponder ao clima de ruptura e esperança que Obama teve a arte de criar. Oxalá estejamos todos, americanos e não-americanos, à altura dos desafios que presentemente se nos colocam. E viva a Democracia do voto limpo, livre de coacções, isento de máculas.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-3327993551644103496?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/3327993551644103496/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=3327993551644103496' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/3327993551644103496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/3327993551644103496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/11/god-bless-america.html' title='God bless America'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-4838231555974162164</id><published>2008-11-04T10:29:00.023Z</published><updated>2008-11-04T17:01:06.381Z</updated><title type='text'>No entanto, ela move-se...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quem se dá ao prazer de observar e comentar a política madeirense precisa às vezes de andar de lupa à procura de novidades. As coisas por cá movem-se lentamente. Apesar do frenesi da vozearia episódica. A despeito da roupagem nova com que se vão vestindo as coisas velhas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Descontemos alguns pequenos episódios que emergem da espuma dos dias e nos dão a sensação de que, afinal, a política move-se. Se o fizermos, veremos que o resultado deste exercício de uma aritmética a todos os títulos fastidiosa, não será mais do que a constatação de que hoje, tal como ontem, exactamente como anteontem, e muito provavelmente como amanhã ou depois de amanhã, há linhas de continuidade e permanência que não mudam.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ainda bem que assim é, dirão os conservadores no respaldo da grande maioria que têm. Nada melhor para a confiança do que o conforto da previsibilidade. É lamentável que assim seja, retorquirão os auto-denominados progressistas. Não há nada mais benéfico para um pântano do que a espessura viscosa das águas paradas. E entre uns e outros vai-se movendo o dr. Jardim, cem por cento fiel aos ensinamentos de Lampedusa. É preciso mudar sempre qualquer coisa para que tudo possa ficar mais ou menos na mesma. E como ele tem mudado as coisas! E como ele tem conseguido a proeza de fazer com que tudo vá estando na mesma!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sem prejuízo do que precede, há duas notas que me ocorre fazer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A primeira é a de que nunca como agora a oposição conseguiu fazer tanta mossa. Não vou ao exagero de sugerir que o PSD possa estar encurralado com a questão dos quinhentos milhões que se terão perdido da UE à conta da irresponsabilidade de reivindicar para a Madeira um PIB que todos sabemos irreal. Mas posso assegurar que não me lembro de alguma vez ter visto o partido do poder tão à defesa, tão exposto ao ataque político certeiro, tão vulnerável a uma crítica que toda a gente seja capaz de entender.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É claro que falta ainda muito para se perceber o impacto futuro deste pequeno milagre que agora se surpreende na política madeirense. É necessário esperar pelos efeitos. Do mesmo modo que é preciso verificar se a oposição (e, em particular, o PS) está em posição de continuar a embaraçar o poder da forma como neste caso tem feito. Aguardemos, pois. Porém, com a atenção que se deve dispensar aos momentos e factos susceptíveis de apressar o futuro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enquanto esperamos, permitam-me que sugira o acompanhamento de um folhetim que, pelos vistos, está já em curso. Refiro-me ao recrudescimento da querela entre o dr. Jardim e o DN. A coisa desta vez parece séria, independentemente de poder vir a acabar com mais um costumeiro armistício. Mas posso também jurar que nunca vi o dr. Jardim utilizar a linguagem que vem utilizando como forma de atingir o actual director do Diário de Notícias. Do mesmo modo que não me lembro de algum dia ter visto o dito cujo director ser tão frontal na resposta à incontinência presidencial. Pelos vistos, o tempo agora é diferente do das meias-verdades e das prosas às avessas de um passado não muito longínquo. Agora é a sério. E como a utilização perversa do JM para atingir o DN (por via, entre outros mimos, da prática de &lt;em&gt;dumping&lt;/em&gt; na comercialização da publicidade) é coisa ainda bem viva, chamo a atenção para os próximos capítulos de uma novela que tem como protagonistas dois "queridos inimigos" novamente desavindos. É que às vezes o diabo tece-as. E até às querelas de trazer por casa se pode aplicar a máxima de que se sabe como começam, mas só no fim delas se pode saber como terminam. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Observemos, pois. Até porque, em bom rigor, nada mais poderemos fazer.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-4838231555974162164?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/4838231555974162164/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=4838231555974162164' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/4838231555974162164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/4838231555974162164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/11/no-entanto-ela-move-se.html' title='No entanto, ela move-se...'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-3429121113891687355</id><published>2008-10-29T11:41:00.030Z</published><updated>2008-11-01T08:43:15.737Z</updated><title type='text'>A Constituição e a guerrilha</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Como autonomista que me prezo de ser, li com a atenção possível o receituário prescrito pelo dr. Jardim no ultimo número do seu boletim partidário. Concordo com a generalidade das objecções que faz ao sistema que a actual Constituição cristaliza. E estou cem por cento de acordo com alguns dos caminhos alternativos que aponta. A razão é simples: tudo o que escreve o dr. Jardim tem como ponto de partida a rejeição desse anacronismo político que a Constituição designa por estado unitário.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Queira ou não queira o estado central, a verdade é que a construção e consolidação do projecto europeu reclama um &lt;em&gt;aggiornamento&lt;/em&gt; dos processos de participação dos cidadãos desta casa comum que é a Europa. O que conduz inevitavelmente à consideração de que as regiões europeias têm um papel que já não se compadece com fórmulas políticas que tenham no seu centro exclusivo os estados centrais. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que se passa, de facto, é que a denominada Europa dos Estados já não é mais do que um referencial político do passado. Se quisermos construir e sedimentar uma efectiva cidadania europeia, teremos de mudar o actual paradigma para um outro que afirme e execute, sem margem para tibiezas ou meias-tintas, o princípio da subsidiariedade e uma Europa de Regiões. Até lá, andaremos a navegar num mar de impasses, de equívocos, de anacronismos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É verdade que a crise planetária actual é capaz de ter vindo em má altura para este desígnio de promoção e reforço do estatuto das comunidades regionais e das suas instituições políticas. Em alturas destas, as forças centrípetas e centralizadoras costumam acentuar-se no interior de cada estado. Não admira. Dada a sua condição de único e exclusivo detentor dos meios, só ele pode funcionar como chapéu de chuva protector das desgraças que nos possam vir a cair em cima. Mas isso não quer dizer que se deva adiar ou deixar cair o debate em torno da questão regional. Pelo contrário. Entendo que nestas alturas ele deve acentuar-se. Para memória futura. E para manter vivos objectivos de longo prazo que nem as crises devem fazer esquecer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dito isto, não posso passar ao lado de algumas considerações de carácter político. O dr. Jardim prometeu relançar este debate antes ainda da eclosão da crise. A sua preocupação não foi a de procurar combater as supracitadas forças centrípetas. Foi, isso sim, a de procurar deslocar o debate político regional para uma área que pouco ou nada tem que ver com os resultados concretos da sua governação. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Explico. Não é a Constituição a culpada da ausência de resultados visíveis no combate à pobreza. É a ausência de políticas sociais devidamente sustentadas e orientadas. Não é o centralismo que resta no texto constitucional que deve responder pelas dificuldades do nosso tecido empresarial. As contas devem ser pedidas às opções políticas do governo regional que sempre se traduziram pelo açambarcamento do crédito bancário disponível por parte do sector público. Não é na escassa afectação de verbas do PIDDAC para a Região Autónoma que reside a culpa de termos o custo de vida dos mais caros (se não mesmo o mais caro) do país. É na política de transportes, entre várias outras reguladoras da nossa vida económica, que deveremos tentar encontrar a culpa de nem sequer conseguirmos materializar de forma consistente a discriminação positiva que sempre merecemos por parte da União Europeia. Do mesmo modo, não é apenas ao aperto financeiro que nos restringe a capacidade de endividamento que devemos assacar a escassez de recursos para o investimento. É ao esbanjamento ciclópico que está à vista de todos que devemos pedir responsabilidades. Não é, em suma, por causa da Constituição que temos tanto insucesso escolar. Do mesmo modo que não é por causa do texto fundamental que a qualidade da nossa democracia deixa tanto a desejar; que a capacidade negocial entre o Funchal e Lisboa bateu completamente no fundo; que o amiguismo tem os seus arraiais escandalosamente assentados na nossa vida económica e social; que temos fama de ricos mas não passamos de uns tesos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O dr. Jardim, não obstante tudo isto, prefere discutir a Constituição. É lá com ele. É pena é que não perceba que não pode pedir um dia mais competências para uma Assembleia Legislativa que sistematicamente desacredita nos dias restantes. Assim como é lamentável que não tenha ainda percebido que a revisão das constituições não se faz à pedrada mas sim em consenso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ou seja, o que é verdadeiramente lastimável é que o dr. Jardim não tenha ainda percebido que o aprofundamento da Autonomia não deve ficar refém dos seus caprichos ou da sua estratégia de confronto. A dialéctica política é apanágio da vida democrática. A tensão política é-lhe também inerente. A guerrilha política nada tem que ver com ela. Ora, é aqui que reside o nosso principal problema: o guerrilheiro Jardim continua a subjugar o político Jardim. E assim a governação vai andando a monte.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-3429121113891687355?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/3429121113891687355/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=3429121113891687355' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/3429121113891687355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/3429121113891687355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/10/constituio-e-guerrilha.html' title='A Constituição e a guerrilha'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-690437625685935974</id><published>2008-10-25T23:43:00.018+01:00</published><updated>2008-10-26T01:15:26.605+01:00</updated><title type='text'>A metáfora da Madeira Contemporânea</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um escaravelho! Uma praga de escaravelhos! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A verdade é que, de repente, a Madeira tornou-se um pequeno paraíso para bicharocos de espécies exóticas várias. Primeiro, foram os mosquitos. A contemporaneidade chegou com eles. O destino atlântico que sempre fomos começou a ceder o passo a uma tropicalidade irritante e sem ponta de sentido. Pouco depois, vieram lacraus, centopeias e outros animalescos quejandos. Chegaram embrulhados em areia. E foram-nos apresentados como efeitos secundários dessa coisa notável que é o progresso. Não nos disseram, é claro, que raio de progresso é esse que nos adultera a paisagem e rebenta a ecologia. Não precisaram. Do alto do seu voluntarismo, a um tempo idiota e soberbo, estão convencidos de que o progresso se basta e justifica a si próprio. Um dia, como é evidente, acabarão por descobrir, com o espanto que é próprio dos tolos, que as coisas não são bem assim. E agora, como se não bastassem os mosquitos e os lacraus, eis-nos confrontados com mais um sinal do exotismo sem freio que vem acompanhando as praias amarelas de recarga periódica, e as promenades apalmeiradas que nos homogeneizam e normalizam a frente-mar. Uma praga de escaravelhos às cavalitas da pressa de plantar palmeiras em tudo quanto é sítio! Era mesmo só o que nos faltava...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não pretendo brincar com coisas sérias. Mas juro que não me lembro de ver coisas destas na Madeira Velha. E posso até garantir que nem a Madeira Nova produziu coisa semelhante. É verdade que esta última brincou um bocado com a solidez dos nossos solos, divertiu-se bastante a comprimir leitos de ribeiras, e rebolou-se de gozo a desviar cursos de água, à conta de dezenas de quilómetros de túneis. Mas foi preciso esperar por essa era notável de prosperidade e progresso, que é a Madeira Contemporânea, para se perceber em toda a sua plenitude o delírio de quem nos governa. Transformámo-nos num paraíso para os entomólogos. Não passamos agora de um insalubre pasto para hordas de insectos importados.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Exagero, gritarão os devotos dessa nova religião local que tem como sumo sacerdote o dr. Cunha das sociedades de desenvolvimento. Não há progresso sem efeitos perversos, dirão com fé. E só os reaccionários aceitam sacrificar as bênçãos tangíveis do dito cujo só para lhe fugir aos efeitos colaterais indesejados, hão-de certamente também argumentar. Di-lo-ão, é claro, no intervalo da comichão ou da pulverização do repelente. Ou então, para dar um toque feérico à coisa, dispará-lo-ão à braseira da incineração das palmeiras infestadas. O problema é que os agnósticos como eu são pouco permeáveis a semelhante argumentário. Porque entendemos que o desenvolvimento deve construir e não destruir. E porque temos a mania de pensar que quando há planeamento, estudo e cautela, não há efeitos bons nem efeitos maus. Há apenas efeitos. Que podem ser previstos. Que podem, portanto, ser controlados. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma porcaria de um escaravelho não merece a maçada deste escrito? Uma praga de mosquitos ou a singeleza de um lacrau também não? Depende do que estivermos a falar. Ora, o que nos diz esta execrável bicharada é que andam por aí uma forma errada e inculta de fazer política, e um modo imbecil e arrogante de construir o futuro. Se ao menos o repelente resolvesse isso também...&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-690437625685935974?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/690437625685935974/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=690437625685935974' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/690437625685935974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/690437625685935974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/10/metfora-da-madeira-contempornea.html' title='A metáfora da Madeira Contemporânea'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-6630762108139769448</id><published>2008-10-23T16:00:00.023+01:00</published><updated>2008-10-25T14:16:52.849+01:00</updated><title type='text'>O medo da paixão clubística</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O representante político de duzentos e cinquenta mil accionistas resolveu dizer de sua justiça. A empresa de que somos todos sócios não acerta nas opções. O &lt;em&gt;core business&lt;/em&gt; que era suposto que tivesse ocupa um lugar secundário nas preocupações da administração. E, em resultado disso, os desaires começam a ser mais do que muitos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No caso, o dito representante é o dr. Jardim. Os accionistas somos nós, os contribuintes da Madeira. A empresa é o Marítimo. E a administração da coisa é aquela simpática malta que, por vontade expressa do mandatário do sócio pagante, alimenta a vaidade e os bolsos à custa dos impostos de todos e da paixão clubística de alguns.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora, pelos vistos, o dr. Jardim acaba de descobrir que a sua relação com o futebol profissional não é coisa que se recomende por muito mais tempo. Façamos um esforço e entendamos o facto. Essa relação só lhe serve se lhe puder render qualquer coisa. Mas como o futuro se afigura mais ou menos negro, a rendibilidade do investimento que faz com o dinheirito do zé pagode ameaça parecer nula. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chamo a atenção para o verbo que utilizei. O dr. Jardim não ignora que o retorno da despesa que obriga o nosso erário a fazer com o futebol profissional é totalmente inexistente, absolutamente nulo. O seu problema é que agora, para além de ser, passou também a parecer. O que quer dizer que para além de nulo está agora a chegar ao ponto de lhe ser politicamente inconveniente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sabem. O dr. Jardim pertence à escola cínica da política. Se às aparências puder acrescentar resultados, óptimo, que assim todos lucram. Mas se os resultados se revelarem incompatíveis com as aparências, pois então que se lixem os ditos, que a sobrevivência política depende muito mais da subjectividade de quem vê do que da objectividade do que está à vista.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Façamos um pequeníssimo exercício. Todos os anos são descarregados na Madeira umas boas mãos cheias de jogadores de bola. Ninguém, em bom rigor, conhece os critérios de recrutamento. Do mesmo modo que ninguém conhece o saldo resultante das constantes idas e vindas desses aspirantes a profissionais de futebol. Diz quem sabe que esse movimento gera comissões mais ou menos avantajadas. Mas não há quem seja capaz de garantir que o Marítimo esteja a ganhar o que quer que seja com a prática continuada desse tipo de operações. Nem financeira, nem desportivamente. Ao ponto de se poder dizer, sem exagero, que as carradas de jogadores, que por cá arribam todos os anos, outra coisa não fazem que não seja a transferência de recursos financeiros que são nossos sabe-se lá para que destino.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não obstante tudo isto, o dr. Jardim veio agora a público demarcar-se &lt;strong&gt;apenas&lt;/strong&gt; da política desportiva posta em prática pelos gestores públicos que legalmente são os administradores do Marítimo. Pelos vistos, não se preocupa com a gestão financeira. Como se alguma empresa futebolística pudesse desenvolver uma política desportiva sólida assente numa base financeira pouco clara, gelatinosa, e eternamente dependente de recursos que não lhe pertencem, como são, no caso em apreço, os nossos queridos e suados impostos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu não quero cometer a injustiça de pensar que o dr. Jardim não percebe que a aventura político-futebolística em que nos meteu tresanda a coisa pouco sã. O problema é que ao evitar essa injustiça arrisco-me a cair numa outra porventura ainda maior. Como é, por exemplo, a pouco simpática ideia de que a participação da Região na Marítimo SAD pode ter objectivos que pouco ou nada têm que ver com o desporto ou com o fomento da prática desportiva. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dito isto, não posso deixar de acrescentar uma nota final. No fundo, para constatar a ausência de uma posição clara dos partidos da oposição sobre a matéria. É curto e vago arremeter de vez em quando contra o financiamento público do futebol profissional. Gostava de ver aplicada nesta questão a acutilância que todos revelam relativamente ao desvario despesista das sociedades ditas de desenvolvimento. Não é isso que ocorre, porém. Como se a paixão clubística lhes metesse medo. Ou como se o esbanjamento em obras inúteis não fosse tão condenável como outro esbanjamento qualquer.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-6630762108139769448?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/6630762108139769448/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=6630762108139769448' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/6630762108139769448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/6630762108139769448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/10/o-medo-da-paixo-clubstica.html' title='O medo da paixão clubística'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-7342430858121359525</id><published>2008-10-20T13:52:00.029+01:00</published><updated>2008-10-21T21:11:41.809+01:00</updated><title type='text'>O tempo novo cada vez mais velho</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há uma espécie de regra não escrita da prática política que impõe aos governos a necessidade de renovarem periodicamente a legitimidade de que são portadores. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não me refiro, como é evidente, à legitimidade formal que o estado de direito exige que tenham. Não há democracia sem eleições. Logo, não há governos democráticos sem a unção do voto popular. Mas como a democracia não termina nem se esgota no mero cumprimento dos seus próprios formalismos, não há chefe de governo democrático que não precise de mais qualquer coisa para se sentir permanentemente legitimado. A menos que se esteja nas tintas para os cidadãos que o elegeram.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como já se percebeu, este qualquer coisa de que falo é o cuidado que têm os governantes de verdade de auscultarem em permanência os sinais dos tempos que passam. É verdade que, no nosso caso, se governa para quatro anos. Mas é igualmente verdade que os ciclo políticos nem sempre correspondem ao tempo de duração de uma legislatura. É por isso que qualquer sistema democrático salvaguarda a possibilidade de se poder interromper esses ciclos. E é por isso também que que os mecanismos informais de escrutínio da actividade governativa têm ganho, nos últimos anos, um lugar cada vez mais importante nas sociedades hipermediatizadas em que vivemos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em suma, para além da legitimidade formal que qualquer sistema reclama que tenham, os governantes necessitam do conforto e do amparo de uma outra. Há quem a designe por legitimidade de exercício. E, em termos práticos, não é mais do que a percepção clara de que, em todos os momentos da legislatura, as medidas de quem governa têm o aval e vão ao encontro das expectativas e necessidades dos governados.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não há governo democrático que se permita dispensar esse aval. E isto é de tal modo verdade que por todo o lado vemos multiplicar os barómetros e os estudos de opinião. Do mesmo modo que é cada vez mais frequente a antecipação de eleições, tanto por iniciativa de quem governa, como em resultado de uma decisão nesse sentido por parte de quem tem o poder supremo de interromper os ciclos eleitorais. A demissão de Santana Lopes e a convocatória antecipada de eleições regionais na Madeira são exemplos recentes do que se acaba de dizer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porque já vai longo o intróito, passo já aos finalmentes. O que pretendo colocar sobre a mesa é uma questão muito concreta. A seguinte. Não havendo dúvidas de que o governo do dr. Jardim tem toda a legitimidade formal para se manter em funções, até que ponto tem actualmente o amparo da outra de que acima falei?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como não estou na cabeça do dr. Jardim, desconheço por inteiro o que é que, sobre a matéria, sua excelência acha ou deixa de achar. Mas por analogia com o que se passou há um ano e pouco, atrevo-me a presumir o que é que ele deveria achar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Explico. Por meras razões de interesse político pessoal, o dr. Jardim decidiu interromper a meio a última legislatura. Mas como era feio confessar o egoísmo da sua decisão, o presidente do governo resolveu oferecer como razão o entendimento de que a Madeira estava a ser estrangulada pelo Terreiro do Paço. De maneira que ele (pobre dele!), colocado entre a espada e a parede, não teve outro remédio se não optar galhardamente pela espada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os resultados da manobra são conhecidos. A mensagem foi convincente. E a Madeira em peso entronizou o seu excelso presidente, seguramente à espera de um novo tempo, de uma nova governação, de um novo modo de driblar as dificuldades. Debalde, como todos os dias se percebe. Porque o tempo continua exactamente o mesmo. Porque a governação mantém exactamente os mesmos traços e as mesmas caras. E porque as únicas coisas que todos vemos virtuosamente dribladas são as expectativas dos madeirenses.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estarei a defender com isto uma nova ida às urnas antecipada? Podem crer que não, sem embargo de constatar que as presidenciais razões de há mais de um ano atrás continuam a ser, tanto no tom como na substância, invocadas até à náusea. Mas julgo que não exagero se me sentir no direito de exigir a quem me governa que tenha ao menos a decência de um gesto de refrescamento da sua legitimidade de exercício.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu sei que o dr. Jardim se diz avesso a remodelações. Isso não passa de fita, como se sabe, porque todos temos ainda presente o chuto no traseiro que um dia levaram os drs. Lélis e Gaudêncio (essa história, aliás, ainda está por contar em todos os seus deliciosos detalhes). Mas se a economia se afunda, se o desemprego sobe, se o desperdício está patente, se a desconfiança alastra, se a falta de um rumo é uma clara evidência, de que espera o presidente do Governo para emitir um sinal, por muito ténue que seja, de que, tal como há ano e pouco atrás, se preocupa com o futuro da Madeira e dos madeirenses? Ou será que não se preocupa? Ou será que para ele é indiferente que a política posta em prática pela equipa que o acompanha desde 2000 se tenha traduzido no imenso fracasso que já ninguém consegue esconder?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como se imagina, as respostas cabem-lhe a ele. E mesmo que o não queira, elas serão dadas todos os dias. Se não em palavras, seguramente nas acções e omissões com que a sua cada vez mais notada falta de pachorra nos vier a brindar. &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-7342430858121359525?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/7342430858121359525/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=7342430858121359525' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/7342430858121359525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/7342430858121359525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/10/o-cada-vez-mais-velho-tempo-novo.html' title='O tempo novo cada vez mais velho'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-9057440087201374827</id><published>2008-10-16T10:23:00.021+01:00</published><updated>2008-10-18T12:44:06.681+01:00</updated><title type='text'>Uma questão de estado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É extraordinário como nem as crises são capazes de gerar novidades que se vejam na política madeirense. Uma pessoa sai por uns dias desta santa terrinha. Regressa quatro ou cinco dias mais tarde. E constata com aliviado desalento que, mais coisa menos coisa, está tudo mais ou menos na mesma. Jardim vocifera nos intervalos das suas cada vez mais frequentes deslocações a Bruxelas. Cunha e Silva lacrimeja e protesta por tocarem nas suas queridíssimas SD's. Ventura Garcês, participante acidental deste filme, promete nem ele sabe bem o quê. O director das nossas regionalizadas Finanças selecciona os seus alvos segundo critérios que só ele e os senhores que serve conhecem. A oposição esgadanha-se toda nessa estimável competição que consiste em ver quem consegue dar o tiro mais certeiro num porta-aviões que já parece um queijo suíço, tal a quantidade de rombos que tem. A têvê que temos mantém-se imperturbável na sua mui meritória função de nos entreter com programas assumidamente ridículos e cómicos, embora pretensamente informativos. O "nosso" Marítimo, por obra e graça do dr. Jardim, e o meu Nacional, por afecto imperativo de vários anos, não desistem desse magnífico propósito de se aniquilarem um ao outro. E, no meio disto tudo, a malta que observa vai tocando a vida para a frente. Como pode. Como deixam. Como consegue. Entretanto, lá de fora chegam continuamente notícias de uma crise que passa notoriamente ao lado dos nossos governantes. De todos os lados chovem apreensões várias que nos apertam os bolsos perante a bonomia impávida dos que, em proveito próprio, ostentam o mandato de representação que colectivamente lhes outorgámos. E, cá em baixo, a malta continua à espera das boas notícias que nunca chegam, bem como das medidas que já nem os crédulos acreditam que algum dia possam chegar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O CDS tem razão: apesar da legitimidade reforçada nas últimas legislativas, este governo não foi, não é, nem nunca há-de ser capaz de anunciar uma medida de ataque aos efeitos da crise. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Carlos Pereira tem razão: com alguma capacidade técnica, com interesse pela coisa pública, com vontade de produzir ideias e governar de facto, é possível engendrar uma boa meia dúzia de medidas práticas susceptíveis de darem alguma respiração à nossa economia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O PS tem razão: Cunha e Jardim só têm de queixar-se de si próprios por terem conduzido a Madeira por atalhos pouco recomendáveis.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Todos, afinal, temos razão: esta coisa já se tornou demasiado cansativa para ser minimamente suportável.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No entretanto, porém, o dr. Jardim vai despachando as maçadas em que nos meteu com a notável afirmação que está cada vez mais farto do estado. O dr. Cunha confessa que ocultou dos contribuintes e dos eleitores, durante quatro meses, o relatório demolidor do Tribunal de Contas sobre as meninas dos seus olhos já certamente cansados, as famigeradas Sociedades de Desenvolvimento. E se não é o sol que ainda nos deixa ir à praia, estávamos mesmo bem arranjados: isto não teria mesmo ponta por onde se pegasse.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já agora, e a propósito: o dr. Jardim ainda continua por cá? Se sim, porque não aproveita para visitar o estado dessa coisa notável que é o legado material do seu já desacreditado vice? Já que tanto gosta de falar do estado, porque não experimenta falar desse?&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-9057440087201374827?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/9057440087201374827/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=9057440087201374827' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/9057440087201374827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/9057440087201374827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/10/uma-questo-de-estado.html' title='Uma questão de estado'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-7099386059800738665</id><published>2008-10-10T21:59:00.023+01:00</published><updated>2008-10-11T19:28:20.416+01:00</updated><title type='text'>A rebendita</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Convenhamos. O dr. Jardim merece que lhe coloquem dificuldades atrás de dificuldades. A prepotência que já não consegue esconder está mesmo a pedir que lhe batam sistematicamente o pé. A insolência convencida e tola com que gosta de aviar receitas governativas aos outros, como se pertencesse ao escol dos governantes de verdade, só merece como resposta o prazer da contradita. O maquiavelismo de trazer por casa de que gosta de fazer alarde até parece que reclama resposta equivalente. E o modo arrogante com que trata os súbditos já há muito que pedincha o tormento da humilhação pública. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O pensamento é pouco cristão. Não me custa admitir que sim. Porém, compreenda-se: não se dá a outra face a quem passa a vida a agredir. E não se deve tratar com indulgência quem parece já ter perdido por completo a noção dos limites.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Mutatis mutandis&lt;/em&gt;, até porque um é histriónico enquanto o outro é sonso ou contido, coisa semelhante pode dizer-se do dr. Cunha. Ao esbanjamento politicamente delituoso que não se cansa de dar mostras (partindo do princípio de que só existe esse) sou capaz de jurar que apetece contrapor um quadro de penúria. À forma como abusa do poder só para perseguir os seus ódios de estimação é capaz de dar algum gozo apontar a suprema evidência do seu incompetente desgoverno. Ao voluntarismo idiota que pariu marinas destruídas, parques vazios, promenades sem uso e em permanente conserto, e outras coisas quejandas que só serviram para nos gastar a paciência e os recursos, apetece dizer que já basta de megalomania, já chega de desvario. E à forma politicamente cobarde como agora se esconde atrás das Sociedades de Desenvolvimento é imperioso que se diga que a falta de pudor tem limites.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dito tudo isto, impõe-se uma explicação. A prosa precedente foi motivada pelo chumbo dado pelo PS na Assembleia da República à alteração da Lei de Finanças Regionais. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora, acontece que tenho a ideia de que os deputados socialistas fizeram assentar o seu chumbo em argumentos semelhantes aos acima expostos. Que são tudo menos políticos. E tão falhos de racionalidade como cheios de desejo de ajuste de contas. Ora, isso parece-me ser coisa de pouco aviso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não é que considere que a lei em vigor asfixia as finanças da Madeira. Não é isso. Entendo, aliás, que aquilo que verdadeiramente asfixia a Madeira é a incompetência governativa, o despesismo sem freio nos dentes, a ausência de critério na selecção das prioridades, a roda livre, em suma, em que andam o nosso presente e futuro ao sabor dos caprichos do dr. Jardim e do dr. Cunha. Considero, porém, que é errado fazer assentar as transferências financeiras do estado central num PIB que se sabe ser irreal e empolado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É claro que sei que os culpados da graça foram os dois sobreditos senhores. Se não se tivessem apresentado em Bruxelas com um PIB de fantasia, o Terreiro do Paço nunca teria a lata de fazer de conta que somos uma região rica. E se não tivessem sobreposto o despudor da propaganda à iniludível realidade da nossa vida, a esta hora ninguém teria tido o atrevimento de desconsiderar a pobreza relativa que ainda evidenciamos. Nem em Bruxelas, nem em Lisboa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não têm, portanto, legitimidade moral para reclamar aqueles que conscientemente nos empurraram para um prejuízo objectivo de várias centenas de milhões de euros. Não posso, todavia, deixar de notar que me parece mal que o partido que mais tem denunciado o empolamento do PIB da Região tenha sido capaz de impedir a revogação de uma lei errada porque assenta em pressupostos também eles errados. Fico com a ideia de que o PS caiu no engano lançado por Jardim. Votou, de &lt;em&gt;rebendita&lt;/em&gt;, contra o ditadorzeco que nos governa, sem perceber que quem estava em causa eram (e são sempre) os madeirenses. E assim o dito cujo ganhou fôlego.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-7099386059800738665?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/7099386059800738665/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=7099386059800738665' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/7099386059800738665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/7099386059800738665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/10/rebendita.html' title='A rebendita'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-5480105051534611491</id><published>2008-10-06T23:21:00.032+01:00</published><updated>2008-10-09T21:04:44.711+01:00</updated><title type='text'>A nova terceira via</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Bem vindo, dr. Sérgio Marques, ao redil dos delfins vigiados. Se bem percebi o que o JM diz que disse, o PSD acaba de ganhar mais um candidato à sucessão do dr. Jardim. Demos graças ao Altíssimo. Já era tempo de aparecer um aspirante suficientemente distante das tricas domésticas em que andam entretidos o vice-presidente do Governo e o presidente do maior município da Região. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Diga-se, no entanto, que, em boa verdade, Sérgio Marques não chegou propriamente agora aos lugares da frente da linha de partida. Bem longe disso. No final de contas, sem nunca precisar de assumi-lo, o eurodeputado do PSD foi sempre um dos mais fortes candidatos à sucessão de Jardim. O que o distinguia dos restantes era o facto de ter feito da discrição um estilo e um método. Uns, os outros, iam-se esfalfando em pouco sensatas correrias debaixo das luzes da ribalta. Sérgio Marques, ao contrário, optou por correr pelo lado de fora. Fez bem. Evitou um desgaste prematuro. E fez o favor a si próprio de recusar o espectáculo deprimente em que incorrem os candidatos putativos que se acham portadores de um grande &lt;em&gt;pedigree&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Surpreende por isso que tenha decidido abandonar o registo &lt;em&gt;low profile&lt;/em&gt; que lhe permitiu marcar pontos sem necessidade de queimar os dedos. Terá soado, sem nós termos percebido, o verdadeiro tiro de partida? Francamente, custa-me admitir que sim. E apesar de achar que faz todo o sentido a tese do dr. Carlos Pereira, segundo a qual poderemos estar perante uma mera manobra de diversão, fico com a ideia de que o voo picado que Sérgio Marques aceitou iniciar tem um alcance político que escapa ainda à nossa compreensão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há uma coisa, porém, de que não tenho dúvidas: o presidente do Governo está seguramente por trás deste movimento do eurodeputado. Erra quem pensar o contrário. Porque, sendo cauteloso, o dr. Sérgio Marques nunca diria em voz alta o que toda a gente já admitia, afinal, em voz baixa. E porque se sabe que, sendo maquiavélico, o dr. Jardim já mostrou do que é capaz a todos os que meteram na cabeça que lhes assistia o direito de desenvolverem uma estratégia pessoal e autónoma. Veja-se o caso de Miguel de Sousa. Atente-se no percurso de Virgílio Pereira. E, para citar um exemplo mais recente, tenha-se em conta a vida cada vez mais difícil de Miguel Albuquerque.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aposto, em suma, que Sérgio Marques articulou com Jardim o &lt;em&gt;timing&lt;/em&gt; do seu desnecessário e redundante anúncio. Ou por alguém lhe ter feito pensar que, entre Albuquerque e Cunha, o seu nome pode passar a funcionar como uma espécie de terceira via. Ou, então, por alguém lhe ter feito sentir a necessidade de ser dado um público sinal de que, em matéria de candidatos à sucessão, o PSD deve preparar-se para um tempo novo com novos protagonistas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ignoro se Sérgio Marques foi simplesmente incauto ou se se muniu previamente de garantias de protecção. Essa é uma dúvida que só o tempo nos há-de um dia esclarecer. De uma forma ou de outra, fica no ar a convicção de que Jardim tem um novo favorito. Pelo menos, até ao lançamento do próximo. &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-5480105051534611491?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/5480105051534611491/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=5480105051534611491' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/5480105051534611491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/5480105051534611491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/10/nova-terceira-via.html' title='A nova terceira via'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-2186508828545751028</id><published>2008-10-06T20:29:00.011+01:00</published><updated>2008-10-06T23:20:54.284+01:00</updated><title type='text'>Que o TC nos valha</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Daqui a quinze dias, o dr. Cunha e Silva há-de dizer qualquer coisa sobre as denominadas sociedades de desevolvimento. Para não variar, há-de fazê-lo de raspão e em prosa situada algures entre o enfadado e o lacrimejante, já que sua excelência entende ter sido ungido pelo dom da intocabilidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Podem apostar. Daqui a duas semanas, tê-lo-emos a dizer umas baboseiras quaisquer no espaçozito que o DN faz o favor de lhe conceder. Falará certamente das obras que impulsionou. Há-de esforçar-se por enganar o óbvio. Terá com certeza o atrevimento de sugerir que os seus palpites são mais fiáveis do que as contas feitas pelo tribunal das ditas. E, antes do ponto final, acabará por despedir-se dos leitores com uma citação qualquer a propósito de coisa nenhuma.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acontece que, tal como os restantes notáveis deste regime, o dr. Cunha é inimputável. Gasta milhões sem critério perante a complacência geral. Manda fazer obras só para encher os olhos aos incautos (antes dizia-se "para inglês ver") apenas e só porque lhe apetece brincar aos governantes. Numa triste tentativa de emulação do chefe, desatou a polvilhar a nossa santa terra com cartazes que hão-de imortalizar a fúria despesista e irresponsável com que sua excelência nos quis brindar. E, não contente com isso, tem vindo a passar tranquilamente ao lado dos relatórios do Tribunal de Contas, como se o dito nem sequer existisse.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como sistematicamente sucede, o dr. Cunha engana-se. O TC existe mesmo. Valha-nos isso. Já que temos de aturar os Cunhas deste mundo, ao menos que haja alguém com a suficiente competência técnica e a necessária capacidade legal para lhes pôr a incompetência à mostra.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-2186508828545751028?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/2186508828545751028/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=2186508828545751028' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/2186508828545751028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/2186508828545751028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/10/que-o-tc-nos-valha.html' title='Que o TC nos valha'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-2436053391657819760</id><published>2008-10-02T09:58:00.023+01:00</published><updated>2008-10-02T18:30:10.243+01:00</updated><title type='text'>A nova estratégia socialista</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Parece que a política regional vai voltar a animar-se. Boas notícias. É do que a malta andava mesmo a precisar. Não há nada como uma boa cena de pancadaria política para espevitar os espíritos mais sossegados. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então é assim. O PS acaba de anunciar que está finalmente disponível para fazer oposição ao partido do poder. Abençoada hora. Já era tempo de alguém no PS perceber que, por definição, missão democrática, e eventual proveito da colectividade, quem está na oposição deve fazer oposição. Que seja, pois, muito bem-vindo à função que deve ter, e que nunca deveria ter abandonado, no quadro da nossa vida política. E, já agora, votos de que as maçadas internas que têm vindo a dispersar-lhe as atenções lhe permitam deixá-lo totalmente liberto para uma acção centrada naquilo que verdadeiramente conta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É claro que uma coisa são palavras e intenções, e que outra bem diferente são as acções. O crivo da prova dos factos há-de estabelecer as verdadeiras distâncias que separam umas das outras. E só ele vai demonstrar se o PS percebeu finalmente que o verdadeiro adversário está lá fora e não intramuros como tem estado até agora. É que, para mal dos pecados do PS, não basta que venha o deputado Vítor Freitas anunciar que o seu partido vai imprimir uma nova dinâmica à sua acção política, que pode passar pela possibilidade de pedir ao Presidente da República a dissolução da Assembleia Legislativa Regional. Como ele próprio certamente compreenderá, é preciso muito mais do que uma declaração sua para podermos ficar com a certeza de que o PS ganhou finalmente juízo e vai passar a fazer o que o seu estatuto lhe reclama que faça. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ainda assim, vale a pena levar a sério o anúncio feito por Vítor Freitas em recente entrevista ao DN. O PS quer, pelos vistos, tomar a iniciativa e marcar a agenda política. Faz muito bem. E parece querer igualmente exercer alguma pressão sobre o Presidente da República, o que aparenta ser uma ideia inteligente. Mas como não há estratégia inatacável em todos os seus pressupostos lógicos, é bom que o PS-Madeira esteja preparado para responder à suspeita de que pode estar conluiado com o PS nacional numa manobra de ataque ao Presidente da República. No estado a que chegaram as relações entre Cavaco e o governo da República, essa hipótese faz sentido. E ganha uma verosimilhança adicional se considerarmos que o primeiro ponto de fricção entre o palácio de Belém e os socialistas do rectângulo assumiu a forma de uma intensa polémica sobre o estatuto autonómico dos Açores. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Embora não passe de um curioso destas coisas, suponho não errar se disser que quem planeia uma estratégia tem de ser capaz de integrar no seu plano todas as possíveis medidas de retaliação (as chamadas &lt;em&gt;counter measures&lt;/em&gt;), sob pena de poder ser surpreendido por escusados e evitáveis imprevistos. E como não tenho a pretensão de ensinar o padre-nosso ao vigário, estou firmemente convencido de que o PS há-de saber o que dizer se um dia lhe atirarem à cara que um eventual aumento de pressão sobre o Presidente da República nada tem que ver com a política regional propriamente dita. Sinto-me por isso bastante curioso relativamente a todos os desenvolvimentos da anunciada manobra socialista. É que a avaliar pelo que disse Vítor Freitas, a política madeirense pode vir a ocupar brevemente um lugar central no debate político nacional. Ora, convenhamos que isso não é nada pouco para um partido que, pelos vistos, quer mostrar que tem um novo modo de fazer oposição.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-2436053391657819760?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/2436053391657819760/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=2436053391657819760' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/2436053391657819760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/2436053391657819760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/10/nova-estratgia-socialista.html' title='A nova estratégia socialista'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-8935066666904641734</id><published>2008-09-29T15:11:00.017+01:00</published><updated>2008-09-29T21:07:18.352+01:00</updated><title type='text'>A peixeirada punida</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;De repente, uma pequena notícia suspendeu-me o cepticismo. Passo a explicar. Soube há instantes que o dr. Jardim foi condenado a pagar uma indemnização à dirigente socialista Edite Estrela. Vinte mil euros. A decisão foi tomada pelo tribunal Judicial do Funchal, que não achou bem que o presidente do governo tivesse tratado uma sua adversária política ao arrepio das regras de urbanidade a que todos os cidadãos estão obrigados. Vinte mil euros é pouco? É verdade que sim. É quase nada. Mas é, porém, o suficiente para explicar ao dr. Jardim que há limites que não podem ser ultrapassados. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É claro que o cavalheiro em questão não há-de ter aprendido nada com a lição. Não por que seja um malcriado compulsivo. Nem, muito menos, por lhe ter eventualmente faltado em pequeno a dose recomendada de chá. Pensando bem, o problema do dr. Jardim é de natureza diversa. Tem que ver com a percepção que tem dos resultados da dialéctica política que escolheu. E está directamente relacionado com a prudente distância a que preferem situar-se os alvos potenciais da língua de sua excelência.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Permitam-me que explique. O dr. Jardim é como uma criança a quem nunca foram ensinados limites. Sempre que berra, obtém o que quer. E como os seus berros têm sempre recompensa, não encontra razão para mudar de conduta. Trata-se, no fundo, de um problema decorrente da relação existente entre o estímulo e a resposta, nos termos dos mais elementares processos de aprendizagem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Directamente relacionado com este, há um segundo aspecto. Depois de largos anos a berrar, o dr. Jardim deu-se conta de que a generalidade das pessoas de bem receiam a sua língua. Não pela substância do que possa dizer. Mas sim pela grosseria useira e vezeira de que é portadora. Compreenda-se. Nem toda a gente tem pachorra para descer ao nível das presidenciais peixeiradas com que sua excelência já nem consegue surpreender ninguém. De modos que o cavalheiro em questão acabou por perceber que a sua já crónica e relapsa boçalidade, para além de materialmente compensadora, funcionava com sucesso como estratégia de intimidação. Afastando da política algumas pessoas qualificadas que eventualmente lhe pudessem fazer frente. E inibindo os seus adversários directos de firmemente se lhe oporem com pública veemência.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ou seja, o dr. Jardim aprendeu em trinta anos de vida política como tornar toda a gente refém do seu destempero. E só há-de um dia mudar se porventura o que aprendeu acabar por tornar-se ineficaz. Espero por isso que esse dia esteja a chegar. E quero acreditar que a sentença de que hoje tive conhecimento pode constituir a demonstração de que há um meio de suster as diatribes do dr. Jardim. Esse meio tem nome. Chama-se Justiça. E, pelo menos na aparência, conseguiu desta vez proteger uma vítima. O problema é se tal desfecho só ocorre quando vítima e agressor se movimentam num patamar de idêntico poder. Mas como isso é coisa que só adiante se verá, tenho o prazer de declarar que me considero a partir de hoje um pouco menos céptico. Em relação à Justiça, claro está.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-8935066666904641734?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/8935066666904641734/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=8935066666904641734' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/8935066666904641734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/8935066666904641734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/09/peixeirada-punida.html' title='A peixeirada punida'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-1418024032684335761</id><published>2008-09-26T10:18:00.021+01:00</published><updated>2008-09-26T22:55:49.914+01:00</updated><title type='text'>Maritimismo por decreto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A Quinta Vigia mobilizou-se para o evento. O senhor Pontes veio da reforma dar uma mãozinha aos preparativos. As araras enfunaram as penas à medida da ocasião. O Machadinho andou para cima e para baixo de papelinho na mão como prova da sua indiscutível utilidade. E dos outros não falo porque, em bom rigor, ainda ninguém lhes percebeu a função. Foi-me garantido, no entanto, que nada foi deixado ao acaso. Não admira. A solenidade da acontecência não admitia desleixos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sede absoluta de todo o poder que imaginar se possa, a casa cor-de-rosa revolveu-se, pois, para acolher uma reunião magna da família verde-rubra. Do presidente ao roupeiro. Do treinador ao capitão da equipa. Do massagista ao tratador da relva. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aliás, a bem dizer, aquilo foi mais do que uma reunião. Foi um momento de comunhão. Um verdadeiro momento de excitação maritimista. O dr. Jardim na sua função de sacerdote supremo. O factótum Carlos Pereira no seu papel de primeiro acólito. Um tal Lori Sandri estarrecido com o ritual. E os jogadores de joelhos, à espera da bênção taumatúrgica que lhes há-de trazer a vontade, as vitórias, os golos. Diz quem viu que foi arrepiante. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cumprida a parte litúrgica, os circunstantes passaram às contas. Que foram de subtrair, no que respeita aos pontos que vão faltando no campeonato. Mas que foram de somar no que diz respeito ao despudor e ao escândalo. É a Marítimo SAD a braços com processos de evasão fiscal. É o dr. Jardim a desvalorizar ostensivamente o facto, como se aldrabar o fisco fosse coisa que um governante responsável pudesse incentivar. E é, pelo meio, a confirmação de que a zona dos Barreiros vai deixar de ser nossa em proveito de projectistas e empreiteiros, bem como das negociatas que é costume detectar à volta dos elefantes brancos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Falemos a sério. Ao ter apadrinhado ontem as manobras de evasão fiscal do clube de que é presidente de facto, o dr. Jardim desceu ao nível da delinquência. E ao ter deliberadamente arremetido contra a administração fiscal em defesa de um eventual infractor, o cavalheiro que faz de conta que nos governa revelou a verdadeira face do estadista que não é, do conselheiro de Estado que um Estado a sério deveria poder dispensar, do político medíocre que se permite outorgar à tribo que dirige o direito, que mais ninguém tem, de prevaricar e mandar às urtigas os mais elementares deveres de cidadania.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se o Marítimo fosse um clube igual aos outros, estava-me nas tintas para os seus problemas fiscais. A sua direcção e a administração fiscal tratariam do caso segundo os ditames dos tribunais e da lei e era assunto arrumado. Só que não é. Para mal dos nossos pecados, o Marítimo confunde-se com a Região. Todos nós somos sócios forçados de semelhante agremiação. A todos nós o dr. Jardim nos impõe o dever de sermos contribuintes líquidos de um clube que resolveu, porque assim o quiseram os seus actuais dirigentes, alienar o património de respeitabilidade (desportiva e não só) que ao longo do seu século de vida granjeou. O que significa que a Quinta Vigia se confunde com a sede do Marítimo. O que quer dizer, em suma, que o &lt;em&gt;chairman of the board&lt;/em&gt; da dita agremiação é, para todos os efeitos, o dr. Jardim. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Corrijo. Para todos os efeitos não. Ele tem o direito de meter o bedelho nas tácticas e de definir a estratégia. Não abdica da prerrogativa de mandar despedir treinadores quando não engraça com eles. Como é ele que paga o desvario com o nosso dinheiro, não se coíbe de puxar as orelhas em público ao lugar-tenente que escolheu para tomar conta do clube. Porém, em matéria de impostos, ele acha mais prudente que sejam os outros a fazer as falcatruas. Ele fica de fora. Limita-se a subscrevê-las e a, pelos vistos, incentivá-las.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-1418024032684335761?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/1418024032684335761/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=1418024032684335761' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/1418024032684335761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/1418024032684335761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/09/maritimistas-fora.html' title='Maritimismo por decreto'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-954760869553797290</id><published>2008-09-23T09:46:00.011+01:00</published><updated>2008-09-23T14:14:20.945+01:00</updated><title type='text'>Conversas da treta</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O dr. Miguel Albuquerque anda desaparecido. O dr. Jardim andou ontem por aí, mas é como se já não andasse em lado nenhum. O dr. Cunha e Silva aparece quinzenalmente na revista do DN. A gente olha para os jornais, sintoniza a rádio, liga o televisor, e nada. Nem uma palavrinha sequer sobre as negociatas alegadamente feitas por membros ou ex-membros do executivo municipal do Funchal. O mais próximo que andámos disso foi uma curta e escassa declaração de Bruno Pereira. Declarou-se solidário com Rui Marote. E, pela enésima vez, foi ele que deu a cara em substituição de um executivo que só gosta de aparecer nas inaugurações e nas festanças. Não quero tentar interpretar o facto. Limito-me a registá-lo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É claro que os munícipes merecem muito mais do que isso. Merecem que o presidente que lhes pediu os votos lhes venha agora dizer qualquer coisa. Merecem que o dr. Jardim deixe de se entreter com os seus odiozinhos de estimação de lá, e resolva centrar-se nos pequenos ou grandes escândalos de cá. E precisam de saber se o dr. Cunha e Silva já foi ou vai ser ouvido pelo Ministério Público na qualidade de testemunha privilegiada das tais famigeradas negociatas a que ele próprio aludiu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ou seja, os eleitores têm o direito de ser informados. E como aos direitos de uns correspondem deveres de outros, parece claro que alguém há-de ter a obrigação moral e política de abandonar por momentos a pomposa secretária que ocupa. Sob pena de ela se começar a parecer mais com um local de refúgio do que com um espaço de trabalho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A palavra, pois, para o dr. Albuquerque, para o dr. Silva, para o dr. Jardim. Não necessariamente por esta ordem, entenda-se. Nestes casos ela, a ordem, é meramente arbitrária. O que é preciso é que alguém fale. O dr. Albuquerque porque é o presidente da Câmara. O dr. Silva porque foi o delator público das negociatas. E o dr. Jardim porque é o presidente do governo e do partido que governa, mas também, e esta é uma nota de mera subjectividade analítica, por ser o autor moral do fratricídio em que o presidente da Câmara e o vice do governo desde há muito se consomem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não obstante, o silêncio pesa. O dr. Albuquerque consome o tempo e as meninges em prosas estafadas sobre coisa nenhuma que religiosa e quase diariamente publica no JM. Ele escreve sobre os males da pátria, sobre as referências e valores políticos que diz ter, e sobre as maldades ocasionais de que ele e a família se dizem vítimas. É um exercício interessante, sem dúvida. Mas, sendo ele o presidente do executivo de uma cidade que faz quinhentos anos, permito-me pensar que deveria aproveitar a ligação directa com os munícipes para reflectir sobre os problemas do município. Não o faz, porém. Porque não quer. Se calhar, porque nem os conhece. Provavelmente porque tem mais que fazer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O dr. Silva escreve também. Cita gente que conhece, a par de outra que nada lhe diz. Manda recados cujos destinatários só ele identifica. E quando toda a gente esperava que voltasse ao tema das negociatas de que diz ter conhecimento, sua excelência faz-nos a partida de partilhar connosco a elevada admiração que passou a nutrir pela obesa estatura de Gungunhana. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para além de escrever, o dr. Jardim também fala. Sobre Sócrates. Sobre o centralismo. Sobre a Europa. Sobre o mundo. Só a Madeira lhe passa ao lado. O que quer dizer que é mais um a desconversar. E a oposição, onde é que ela anda?&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-954760869553797290?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/954760869553797290/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=954760869553797290' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/954760869553797290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/954760869553797290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/09/conversas-da-treta.html' title='Conversas da treta'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-3553912212671566775</id><published>2008-09-20T12:48:00.029+01:00</published><updated>2008-09-23T09:46:24.120+01:00</updated><title type='text'>O espectáculo vai começar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Se o Ministério Público estiver certo, teremos um dia de felicitar o dr. Cunha e Silva. Falou da existência de negociatas na Câmara Municipal do Funchal e elas aí estão. Ainda por cima, já em forma de acusação judicial.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É claro que somos todos inocentes presumidos até prova em contrário. E é igualmente verdade que as acusações do MP valem pouco em si mesmas. Sem a confirmação de um juiz não passam de uma peça relativamente inócua. E se nem sequer chegam a uma audiência de julgamento não passam muitas vezes de um mau exercício de Direito aplicado. A verdade, porém, é que no exigente terreno da notícia e da política uma acusação formal conta. Mesmo que nunca venha a passar disso mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Interessam-me pouco os detalhes da notícia. Basto-me com a informação de que o ex-vice-presidente da CMF e ex-responsável pelas Finanças da autarquia anda a contas com a justiça por ter alegadamente beneficiado um familiar em prejuízo do interesse da cidade. É o pior que se pode dizer de um autarca. Tanto a nível pessoal, como da equipa que integrou. Só que no caso há uma gravidade acrescida. Foi o vice-presidente do Governo quem denunciou a existência de negociatas na Câmara do Funchal. E foi um serviço por si tutelado quem conduziu a sindicância que terá estado na origem da acusação agora formulada. De maneira que o Ministério Público não fez mais do que confirmar as denúncias públicas do dr. Cunha e Silva. Apesar de o presidente da Câmara ter posto a cabeça no cepo em abono da equipa que lidera. E a despeito de os seus colaboradores mais chegados (os políticos e os não políticos) terem procurado reduzir as denúncias do dr. Cunha e Silva à guerra particular em que ambos andam envolvidos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Insisto. O cidadão agora acusado pelo MP não pode ser considerado culpado de nada até que um juiz tal o declare de forma irrevogável. Porém, o político que Rui Marote foi já não se livra do ónus que sobre si acaba de cair. Nem ele, nem o presidente da Câmara, nem os restantes envolvidos no caso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É claro que o mais certo é que ninguém se sinta obrigado a dar explicações. Na Madeira, ao contrário do que acontece em qualquer democracia civilizada, não há responsabilidade política. Só há responsabilidade penal, ou outra com ela aparentada. Aqui, as suspeitas são sempre tratadas ao nível da má-língua. Mesmo que se apoiem em indícios fortes. Ou mesmo que um órgão de investigação vá ao ponto de transformar esses indícios numa acusação formal. Vale a pena, no entanto, insistir numa verdade insusceptível de ser desmentida. As suspeitas, desta vez, vieram do lado de dentro. São fogo amigo, como se diz em linguagem militar, já que foram lançadas pelo vice-presidente do Governo regional. E não passa pela cabeça de ninguém que o dr. Cunha e Silva não saiba de ciência certa o que é que a casa gasta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que nos vale, em nome da verdade, é que a fogueira só agora começou a arder. As explicações que não teremos serão certamente substituídas pela retaliação dos que foram agora acusados. De maneira que o melhor é procurarmos todos uma posição cómoda para o espectáculo que há-de vir a seguir. Ou será que alguém pensa que isto vai ficar por aqui?&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-3553912212671566775?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/3553912212671566775/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=3553912212671566775' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/3553912212671566775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/3553912212671566775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/09/o-espectculo-vai-comear.html' title='O espectáculo vai começar'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-1358715436479108579</id><published>2008-09-18T22:02:00.010+01:00</published><updated>2008-09-19T09:33:02.062+01:00</updated><title type='text'>Política pós-moderna</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O dr. José Miguel Mendonça fez o favor de anunciar à Região que é partidariamente assexuado. Julgo que não exagero se disser que adorámos todos saber que sua excelência olha para a política com o mesmo distanciamento com que os anjos olharão para o pecado da carne. Já era tempo de um dos nossos políticos mais proeminentes ser capaz de brindar-nos com a surpresa de uma revelação original. Bem haja por isso, dr. Miguel. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não é que o sexo político do dr. Mendonça fosse coisa que algum dia pudesse interessar a alguém (a não ser talvez a quem ainda acalentasse a esperança de um qualquer devaneio político-partidário com sua excelência). Não é, de facto, isso. Mas a circunstância de tão desassombrada revelação ter partido de alguém que é sobretudo conhecido pela pose e pelo silêncio, muito mais do que pela substância ou frequência do verbo, faz a meu ver toda a diferença. De maneira que ao ler no jornal a impúdica exposição da sexualidade partidária do dr. Mendonça, tive a sensação de que estava perante um daqueles raros momentos que definem o tempo histórico. A partir de agora, pensei, haverá seguramente um tempo antes e um tempo depois da freudiana confissão do presidente do nosso parlamento. E tudo porque, de repente, fiquei (ficámos) a saber que os partidos têm sexo, que as ideologias provavelmente também, e que os campos políticos deixaram de dividir-se em direita e esquerda, como vinha sendo uso desde o 14 de Julho dos franceses e de quase todo o mundo. Se calhar sem o saber, o dr. Mendonça inaugurou um novo tempo político. Um tempo político pós-moderno. Em que há partidos machos e partidos fêmeas. E em que há políticos eunucos destituídos de pulsão político-sexual. Como serão, presumo, todos os partidariamente assexuados.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Palavra que me agrada e diverte a grelha analítica que resulta da tese. Por exemplo, o dr. Mendonça, que já foi do PS e agora é do PSD, já terá sido macho e fêmea. Como saltitou de um lado para o outro, ou foi travesti ou foi um transsexual partidário. Pode até acontecer, no limite do raciocínio, que tenha sido &lt;em&gt;gay&lt;/em&gt; antes de se decidir pela masculinidade de um partido ou pela feminilidade do outro. Mas isso agora também pouco importa dada a sua presente, anunciada e assumida condição de politicamente assexuado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Veja-se bem a importância das coisas que integram o discurso político da terra! Não se discute o sexo dos anjos. Discute-se o sexo partidário dos políticos. Ora, com gente desta a mandar só nos resta ter esperança. De quê não sei bem. Mas juro a pés juntos que a minha esperança se renova de cada vez que ouço alguém dizer pérolas similares às que proferiu o dr. Miguel Mendonça. E quando conjugo tudo isso com a certeza de que a política madeirense se prepara para mais uma guerra dos sexos centrada na transcendente questão de saber se Bernardo Martins vai ou não ser eleito vice-presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, nessa altura não só tenho esperança como passo a confiar ainda mais no futuro. Ou não fosse verdade que a candente querela entre o PS e o PSD (já agora, qual deles será o macho e qual dos dois será fêmea?) é tão importante para o futuro da política madeirense que até arregimenta essa formidável agremiação política que dá pela sigla MPT, e esse notável político do oeste insular que responde pelo nome de João Izidoro. Ora digam lá se isto não tresanda mesmo a coisa pós-moderna...&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-1358715436479108579?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/1358715436479108579/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=1358715436479108579' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/1358715436479108579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/1358715436479108579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/09/poltica-ps-moderna.html' title='Política pós-moderna'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-7250278054677189872</id><published>2008-09-15T10:42:00.010+01:00</published><updated>2008-09-15T20:29:00.702+01:00</updated><title type='text'>A política e o mausoléu</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Depois de uma patética disputa sobre direitos de autor com Luís Filipe Menezes, o dr. Jardim desapareceu. Se calhar, estamos perante uma inflexão táctica. A presença continuada no espaço mediático cedeu o lugar ao toca e foge da guerrilha. Mas algo me diz que o mais certo é o homem andar enfadado com a vida. Desde logo porque deve estar fartinho até dizer chega das criaturas que por seu intermédio chegaram ao governo ou são deputados. Depois porque não ignora que o fim do seu prazo de validade está aí não tarda nada. E o ambicionado lugar de recuo não há maneira de aparecer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O dr. Jardim parece viver um drama existencial. E sendo ele a figura central da nossa política doméstica, as agruras desse drama acabam por fundir-se com ela. Condicionando-a. Impondo-lhe os ritmos. Marcando-lhe a agenda. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A verdade é que quem olha para o dr. Jardim não pode deixar de pensar na melancólica cantiga do falecido e igualmente exótico António Variações. Ele está aqui mas apetece-lhe estar acolá. Faz isto mas gostava mais de fazer aquilo. Tem uma vidinha assim, mas adoraria ter uma vida assado. De maneira que a política madeirense anda ao sabor dos estados de alma do senhor presidente. Quando cá está todos se esforçam por fingir que as coisas funcionam. Mas, como as ausências são cada vez mais frequentes, a paralisia vai tomando conta da governação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já se percebeu que nos dava jeito que alguém pusesse isto a mexer. Com vontade de fazer coisas apontadas ao bem comum. E com a intenção genuína de atalhar e resolver problemas. Mas isso, já se viu, não parece ser coisa que possamos ver ao virar da esquina. De modo que o resultado é assim um cocktail onde se cruzam, em mistura explosiva, o estatismo puro e duro, uma curiosa, serôdia e indizível espécie de leninismo laranja, e um liberalismo à moda da casa que dá rédea solta a uns e aperta os calos a quase todos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se me permitem a confissão, quase tenho saudades do tempo em que o jardinismo chegou a ser projecto, foi acção determinada, e deu um safanão no modo de vida da ilha. Sejamos, no entanto, realistas. Essa coisa já não existe. Há por aí um cadáver político que se esforça por aparentar semelhanças, mas que, desgraçadamente para ele e para nós, não consegue ir além disso. Nada, é claro, que a vida não venha um dia a resolver. O pior é que até lá vamos tendo a nossa política transformada em mausoléu.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-7250278054677189872?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/7250278054677189872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=7250278054677189872' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/7250278054677189872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/7250278054677189872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/09/poltica-e-o-mausolu.html' title='A política e o mausoléu'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-8383800167067141906</id><published>2008-09-12T12:07:00.029+01:00</published><updated>2008-09-13T02:03:49.776+01:00</updated><title type='text'>A insularidade e a inércia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O que se segue pode soar a coisa pueril. Admito que sim. Mas como entendo que a autonomia deve ser muito mais do que um mero instrumento de consumo interno ao serviço de meia dúzia de notáveis do regime, aceito fazer figura de simplório. As coisas a que a gente tem de sujeitar-se em nome do inconformismo!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não percebo grande coisa do assunto, mas julgo ter informação suficiente para saber que a economia madeirense se encontra engasgada. Para manter níveis de ocupação interessantes, o sector hoteleiro deprecia preços e serviços. Porque não há industria não há exportação. Importamos praticamente tudo o que consumimos. Os preços estão pela hora da morte. Os salários encurtam a cada dia que passa. O consumo interno encolhe. Os orçamentos familiares, pobres deles, andam vergados ao peso de compromissos e mais compromissos, de juros e mais juros, de despesas e mais despesas. O quadro, enfim, é aquele que as estatísticas revelam, mas que os governantes se esforçam por iludir. Temos fama de ricos, mas não passamos de uns tesos. Ainda que a propaganda se dedique a criar alegremente a ilusão de que já temos um PIB muito próximo da média europeia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Adoro conversas sobre PIBs e outras coisas macroeconómicas quejandas. Posso mesmo dizer que tenho uma admiração ilimitada pelos detentores desse sacrossanto saber que adivinha as crises, que percebe os ciclos, que lida com as variáveis como quem usa um talher, que se delicia com estatísticas, e que avia receitas com uma cientificidade só ao alcance dos sábios. A maçada é que a dita admiração não consegue sobrepor-se ao incómodo que me causam as queixas de praticamente toda a gente. Ou, dito de outro modo, o aborrecimento é perceber que entre a dimensão mais ou menos estratosférica das congeminações sobre a macroeconomia e a realidade pura e dura da micro economia vai muitas vezes a distância que separa a abstracção do terreno do concreto. Porque a primeira lida com teorias, fórmulas, grandes números e cérebros notáveis. E porque a segunda, que é a nossa, trata de pessoas concretas, de problemas reais, de empregos que diariamente se perdem, de trabalhadores e empresários sistematicamente à beira de um ataque de nervos, de carência, de dificuldades.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por mais voltas que alguns pretendam dar, a realidade é esta. E não há parques, túneis, marinas, ou praças financeiras que sejam capazes de ocultá-la, independentemente dos méritos ou deméritos que se lhes conceda a título de crédito ou de débito. Não obstante, a gente olha à volta e nada: não só não há qualquer política económica que vá além do subsidiozito, como não se vislumbra a mais pequena vontade ou capacidade de lutar contra as dificuldades.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É claro que sei que o estado unitário que teimosamente somos não nos concede os instrumentos de que precisaríamos para a definição de políticas susceptíveis de mexer a sério na economia. Porém, sei também que a autonomia de que dispomos dá-nos margem bastante para irmos além da obra pública que já quase se esgota em si própria.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um exemplo. Um pouco por todo o país é visível o esforço de internacionalização que fazem as empresas que já perceberam que a globalização é também uma oportunidade. Há gabinetes que abrem caminhos. Multiplicam-se as empresas de serviços vocacionadas para o desenho e montagem de projectos de investimento no exterior. Todos os dias se ouve falar de empresários interessados nas economias emergentes com as quais temos relações de proximidade e de afectos. Mas na Madeira anda tudo mais ou menos na mesma, porque a insularidade é um constrangimento que poucos ousam enfrentar, e porque quem governa está-se nas tintas para o papel que deve ter. E assim, apesar do sistema de auto-governo que temos, não se vê qualquer trabalho de prospecção e facilitação de mercados, de identificação de oportunidades, de procura de novos negócios. Como se a ilha aceitasse, sem sobressalto visível, o quadro de limitações decorrentes do seu circunstancialismo geográfico. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há três ou quatro honrosas excepções a este panorama de inércia? Todos sabemos que há. O problema é a infeliz regra que as faz sobressair.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-8383800167067141906?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/8383800167067141906/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=8383800167067141906' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/8383800167067141906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/8383800167067141906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/09/insularidade-e-inrcia.html' title='A insularidade e a inércia'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-9093582323620372904</id><published>2008-09-07T10:27:00.009+01:00</published><updated>2008-09-11T23:02:10.062+01:00</updated><title type='text'>A constituição e a gazeta</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Conheço, como todos os leitores de jornais conhecem, alguns dos aspectos da proposta de revisão constitucional que o dr. Jardim elaborou no Porto Santo nos intervalos vespertinos das animadas sessões etílico-políticas do bar do Henrique. Ou seja, sei apenas o que foi divulgado. Não sei se haverá mais qualquer coisa de natureza substantiva que tenha escapado ao crivo jornalístico. Do mesmo modo que ignoro se o dr. Jardim mantém ainda em aberto o documento que tão laboriosamente elaborou. Ainda assim, permitam-me o atrevimento de escrever qualquer coisa sobre o assunto. Mesmo que um dia venha a revelar-se insuficiente a informação de que disponho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Primeira nota. Insisto no que não há muito tempo escrevi no Terreiro da Luta. Pretender transformar umas eleições legislativas num plebiscito constitucional é coisa com sabor a passado. A um passado com mais de trinta anos de vida democrática em cima, mas cujos tiques e truques não foram, pelos vistos, ainda esquecidos. A memória é assim. No fundo, somos aquilo de que nos recordamos. E o dr. Jardim não é mais do que aquilo que aprendeu. Ora, como ninguém o ensinou a fazer uma coisa tão simples e útil como um programa de governo, o cavalheiro limita-se a replicar em democracia o que viu fazer nos seus verdes anos. Sejamos indulgentes. Façamos um esforço por compreender o fenómeno. Ainda que a Região, atentas as dificuldades por que passa, precise muito mais de um bom governo dos nossos cinzentos dias do que do folclore de uma discussão sobre constituições, estatutos e outras estimáveis e importantes coisas afins.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Segunda nota. Quem se tenha dado à maçada de frequentar este blogue perceberá que só posso estar de acordo com a generalidade das propostas políticas apresentadas pelo dr. Jardim. Concordo com a extinção do cargo de representante da República. Agrada-me que possa acabar a proibição constitucional de criação de partidos regionais. E subscrevo o entendimento de que a representação política não pode ficar na disponibilidade exclusiva dos partidos políticos. Só não percebo por que razão o dr. Jardim não quis ir um pouco mais longe. Pelos vistos, esqueceu-se do direito que a Madeira não tem mas deveria ter, enquanto região dotada de capacidade legislativa própria, de eleger directamente os seus representantes ao Parlamento Europeu. Terá sido isto um mero lapso ou estaremos perante uma opção política consciente? Em todo o caso, aqui fica uma brecha que os autonomistas dos outros partidos podem eventualmente explorar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Terceira nota. Como sempre acontece a pretexto de tudo e de nada, a oposição política madeirense não faz mais do que comentar. Anda sempre a reboque, é o que é. E ainda não percebeu que em política a iniciativa conta. Como não quiseram nem souberam antecipar-se, agora vão ter pela frente um ano inteirinho dominado pela agenda política do dr. Jardim. A despeito, insisto, de precisarmos com urgência de um programa a sério para a governação que nos falta.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-9093582323620372904?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/9093582323620372904/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=9093582323620372904' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/9093582323620372904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/9093582323620372904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/09/constituio-e-gazeta.html' title='A constituição e a gazeta'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-6376285753631237414</id><published>2008-09-06T09:49:00.009+01:00</published><updated>2008-09-06T21:17:57.763+01:00</updated><title type='text'>Basta que sim!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hoje não me contive. Ri-me como há muito não acontecia, graças à prosa deliciosa, inimitável e levemente impenetrável desse grande vulto do socialismo da Madeira que reivindica a autoria do Basta que Sim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Francamente gostei do que li. Apesar, vou já dizendo de passagem, de um número apreciável de incongruências que não pude deixar de assinalar paredes-meias com uns quantos processos de intenção a que o dito recorre sempre que lhe apetece.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O cavalheiro em questão parece andar maçado com a forma como se apresenta o autor deste blogue. Como cada um se maça com o que quer, confesso que nem sei o que lhe diga. Por mim, pode continuar a maçar-se à vontade. Se não quiser fazê-lo, tem bom remédio. Como sei que gosta do que é genuíno da Madeira, recomendo-lhe um chá de alfavaca da serra. Dizem que faz bem. A quê não me pergunte. Mas, se experimentar, vai ver que é capaz de servir para alguma coisa. Faço questão, porém, de declarar desde já. Dispenso os agradecimentos. Só estou aqui para ajudar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Retomando o fio à meada, temos então que o dr. Fonseca considera que o autor destas linhas tem todo o direito de se apresentar aos frequentadores da blogoesfera como muito bem quer e entende. Porém (ele há sempre um porém nas cabecinhas moralistas e inquisotoriais), o dito cujo considera ter igual direito de me colar uma suposta identidade e de me atribuir uma hipotética intenção.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quanto à primeira, o dono do Basta que Sim, insinua uma imagem sugestiva. Eu terei andado um dia, no perclaro dizer de sua excelência, de caneta em riste. Pobre de mim! Gosto, é verdade, da sugestão quase épica - já me estou a ver cruzando montes, vales e terreiros da luta, montado em fogoso corcel e arremetendo contra os ímpios de caneta em riste. Enternece-me a deferência do dr. Fonseca. O problema (o meu, é evidente) é que se engana. O mais que até agora tive em riste chama-se outra coisa. E isso, como é bom de ver, não vem agora ao caso. Até porque (suspiro!!!) já foi há tanto tempo (que me seja perdoado o tom intimista e nostálgico da confissão) que quase nem dá para lembrar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Posto isto, passemos à intenção que me é atribuída. Eu terei, diz o meu ilustre leitor e crítico, um qualquer problema com o sistema. Engana-se mais uma vez. Até porque o único sistema que faço questão de cuidar é o hidráulico, e esse vai andando bem com a graça do Senhor, do Grande Arquitecto, ou do Altíssimo, se vosselência preferir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não tenho problemas com nenhum sistema, pode crer. Nunca tive e garanto que nunca hei-de ter. Até porque sei que preocupações dessas são um exclusivo seu. Pode crer que tenho plena consciência de que só você tem autoridade moral, política, cívica e cultural para falar do que quer que seja. Sobretudo do sistema. Sempre foi assim. E assim há-de ser sempre. De maneira que lhe peço e sugiro que nos brinde com as suas brilhantes e doutas análises e deixe de atribuir identidades e intenções a quem não tem o desprazer de conhecer. Não perca tempo. Pelo menos comigo. Pode crer que não mereço. No entretanto, espero que me conceda o direito de andar por aí a escrever despretensiosamente com o parco sentido crítico que infelizmente me foi outorgado. Agradecido.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-6376285753631237414?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/6376285753631237414/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=6376285753631237414' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/6376285753631237414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/6376285753631237414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/09/basta-que-sim.html' title='Basta que sim!'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-4557857473470531925</id><published>2008-09-05T11:20:00.007+01:00</published><updated>2008-09-05T15:51:08.556+01:00</updated><title type='text'>As adições subtractivas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sei que vou com alguns dias de atraso. Mas, que querem? A espessura do Verão retarda-nos por vezes a observação e a disponibilidade. E o pesado &lt;em&gt;capacete&lt;/em&gt; que a geografia e o tempo nos põem em cima convida muito mais à inacção do que a qualquer frenesim bloguístico-político. Porém, mesmo retardatário, acho que ainda vou a tempo de alinhavar três ou quatro frases a propósito de um facto da política madeirense muito menos inocente ou inócuo do que à primeira vista se poderia supor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quero falar então da presença, certamente querida, ternurenta e simpática, do deputado do PND na Festa da Liberdade do PS. Não para sublinhar o exotismo político da coisa. Mas para enfatizar o significado profundo de uma aliança objectiva que o PS de João Carlos Gouveia já nem é sequer capaz de disfarçar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desde o princípio que se sabe que o PS-Madeira vive uma espécie de esquizofrenia política. Para mal dos seus pecados, o partido continua a ser adiado e estrategicamente condicionado pelo chamado grupo do Éden, o qual actua por fora e mais ou menos na clandestinidade. Mas como entretanto é necessário dar pública nota de que existe enquanto partido, faz emergir periodicamente do vazio em que há muito caiu um porta-voz devidamente acolitado cuja degola todos esperam tranquilamente que um dia aconteça.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E isto é assim há anos. Há um PS oficial que faz barulho, oposição e leva pancada. E há um PS elitista, avesso às brigas públicas e dado aos negócios privados, que vive politicamente na repimpa da boa vida, que não se opõe a coisa nenhuma e que só dá a cara nos &lt;em&gt;happenings&lt;/em&gt; e nas entrevistas televisivas que por acaso derem jeito.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A coisa é de tal ordem que até a nossa têvê já reparou na dupla face socialista. A uma, à primeira, vai sendo concedido um tratamento consentâneo com a sua existência oficiosa. À outra, e ao contrário, vai-lhe sendo ocasionalmente dada uma presença luzidia nos telejornais sempre que é necessário equilibrar as contas dos tempos de antena.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É claro que o PS oficial exibe volta e meia o seu desconforto. O deputado Carlos Pereira atira-se à têvê que temos. O líder parlamentar socialista esbraceja contra a esperteza saloia da nossa televisão pública. João Carlos Gouveia, esse, vai-se consumindo em arengas que ninguém entende sobre o chamado sistema. Ao mesmo tempo que o PS do Éden se vai rindo da cena na companhia circunstancialmente amiga do companheiro Leonel (o de Freitas, entenda-se).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Onde é que entra nisto o PND? É simples. Percebeu que a direcção de Carlos Gouveia é-lhe politicamente útil, apesar de nem sequer conseguir mandar no seu quintal. Entendeu que o PS oficial só se consegue fazer ouvir quando fala forte e grosso. E tem clarinho como a água que pode vir a receber de herança todos os que virarem as costas ao PS quando João Carlos Gouveia acabar por estatelar-se. O pior é se acabarem todos por descobrir que em política há somas que às vezes subtraem. &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-4557857473470531925?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/4557857473470531925/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=4557857473470531925' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/4557857473470531925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/4557857473470531925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/09/as-adies-subtractivas.html' title='As adições subtractivas'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-6027669052339554365</id><published>2008-09-01T13:39:00.020+01:00</published><updated>2008-12-10T13:43:16.563Z</updated><title type='text'>Perplexidades de Verão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O insuspeitíssimo JM deu ontem um larguíssimo espaço ao discurso directo do conselheiro Monteiro Diniz. Nada a dizer quanto a este facto. Até os autonomistas mais empedernidos têm o direito de dar voz ao ex-senhor ministro. Sobretudo se o objecto da entrevista for a Autonomia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora, foi isso que aconteceu. O JM estendeu a passadeira vermelha ao senhor representante. E este não se fez rogado. Sentou-se na majestática e habitual condição de catedrático da matéria e vá de debitar doutrina autonómica a torto e a direito. O controlo das leis assim. A Assembleia regional assado. O estado unitário para aqui. Os poderes do representante para acolá. Uma lição, em suma. Tanto para os autonomistas, como para os não-autonomistas. Sobre a Autonomia? Claro que não. Isso já seria pedir de mais. Apenas e só sobre aquilo que a erudição do ex-senhor ministro entende que sabe sobre a matéria. E as coisas que ela sabe...! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É tão vasto e magnífico o conhecimento do senhor conselheiro que ele até concede que no futuro pode perfeitamente desaparecer, sem sobrevir qualquer mal ao mundo, o cargo que ocupa. Mas eu, que estou sempre no contra, dei por mim a apontar-lhe uma lacuna no pensamento. Em toda a entrevista foi incapaz de explicar o que é que a Autonomia ganha com a manutenção presente do elevadíssimo e por certo patriótico cargo que faz o favor de desempenhar. Mas isso, é claro, não há-de passar de um mero pormenor. Aliás, tão pequeno que o solícito e educadíssimo entrevistadeiro nem sequer se deu conta dele. Só isso, presumo, pode explicar a total ausência de perguntas jornalística e politicamente interessantes. Isso, claro, mais a posição de cócoras em que o dito jornaleiro se pôs perante tão magno entrevistado. Ele foi vossa excelência para aqui, sua excelência o senhor Representante para acolá, numa demonstração de subserviência que a palavra chocante nem é capaz de traduzir com suficiência bastante. Uma lástima.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Curiosamente, a mesmíssima edição do autonomista JM inclui um artigo do dr. Jardim. Não foi para contrabalançar, posto que o nosso líder não precisa de contrabalançar o que quer que seja: ele tem literalmente ocupadas as páginas de opinião do jornal, sem remorsos ou meias-tintas. Mas não deixa de ser quase irónico que o artigo doutrinário do dr. Jardim contivesse uma exortação à resistência autonómica! Querem ver que, afinal, ao contrário do que para aí com maldade se diz, não é o dr. Jardim quem define a orientação política do jornal que há-de continuar a pagar até ao dia em que o mandar encerrar! Se calhar, e pelos vistos, andamos todos enganados. Ou então anda tudo às avessas e sem rei nem roque, que há outros aspectos da nossa vida colectiva bastante mais importantes. Como a segunda derrota consecutiva da direcção regional futebolística que dá pelo nome de Marítimo. Ou, quem sabe, como a preparação da acção judicial anunciada e prometida contra o juiz abelhudo Baltazar Garzón. Alguma coisa há-de ter sido. Mas que isto já começa a entender-se mal, lá isso...&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-6027669052339554365?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/6027669052339554365/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=6027669052339554365' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/6027669052339554365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/6027669052339554365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/09/perplexidades-de-vero.html' title='Perplexidades de Verão'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-6362842773147198470</id><published>2008-08-31T12:39:00.015+01:00</published><updated>2008-08-31T13:49:51.827+01:00</updated><title type='text'>Teoria do condicionamento</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O juiz Baltasar Garzón anda metido em trabalhos. Meteu-se com a zona franca. O que quer dizer que se meteu com a Madeira. O que significa que se meteu com o dr. Jardim. Nada mais perigoso. Arrisca-se agora a levar com um processo judicial. Está na iminência de ser denunciado perante as instituições internacionais de justiça. Corre, enfim, o risco de provar a ira ofendida de sua excelência o nosso senhor presidente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se calhar, o juiz Garzón pensava que podia tratar o dr. Jardim como tratou o decrépito ex-ditador e já falecido marechal Pinochet. Pois enganou-se. O dr. Jardim está longe e bem longe da decrepitude. Ainda é vivo para sua e nossa alegria. E não é nenhum ex-ditador.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Troquemos então a história por miúdos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Informa a última edição do Sol que o célebre magistrado judicial espanhol persegue actualmente um determinado ramo da máfia russa. Ao que parece, as diligências que já efectuou levaram-no até à zona franca da Madeira. De maneira que pediu às autoridades portuguesas licença para investigar as eventuais operações da dita máfia no &lt;em&gt;off shore&lt;/em&gt; do nosso imenso orgulho e quase nenhum proveito. E aqui começaram as chatices. O dr. Jardim não gostou do abuso. Ficou furioso por lá fora não se ter ainda percebido que a Madeira não tem que prestar contas a ninguém. E, assim em jeito de final de conversa, foi advertindo que quem se mete com a zona franca leva.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Presumo que depois disto o juiz Baltazar Garzón há-de ter finalmente percebido que o alcance permitido das suas diligências pára na Ponta de São Lourenço e só é retomado para lá da Ponta do Pargo. Já não era sem tempo. Só foi pena ter sido preciso tirar do sério o nosso atento líder. Ainda por cima em tempo de férias. Francamente. Não havia necessidade...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É claro que a leitura da notícia do Sol não permite concluir que o magistrado espanhol esteja preocupado com a Madeira. Mas isso, claro, é um mero e insignificante pormenor. Porque, pelos vistos, qualquer criminoso que por cá passe goza daquela imunidade transitória que na Idade Média se concedia aos delinquentes em período de feira franca. Não se sabe por alma de quem. Mas goza. Pelo menos, a avaliar pela destemperada e imprudente posição do dr. Jardim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu tenho para mim que a reacção do nosso presidente tem um certo quê de pavloviano. Fala-se da zona franca e ele saliva. Pronuncia-se a palavra Madeira e ele morde. Não passa de um reflexo, em suma. Porém, condicionado. Só gostava era de saber por quê e por quem.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Bernardino da Purificação&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4433301231809651901-6362842773147198470?l=terreirodaluta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/feeds/6362842773147198470/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4433301231809651901&amp;postID=6362842773147198470' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/6362842773147198470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4433301231809651901/posts/default/6362842773147198470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terreirodaluta.blogspot.com/2008/08/teoria-do-condicionamento.html' title='Teoria do condicionamento'/><author><name>Bernardino da Purificação</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04691524946845244150</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4433301231809651901.post-7888586209494906289</id><published>2008-08-29T23:42:00.039+01:00</published><updated>2008-09-01T13:39:43.371+01:00</updated><title type='text'>O planeamento e o progresso</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Roberto Silva, presidente da Câmara do Porto Santo, tem um sonho. Não sei se cor-de-rosa ou apenas cor-de-laranja. Não sei se voluntarista se simplesmente disparatado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele acha que o desenvolvimento da ilha só pode ser sustentado se houver uma rápida duplicação da população residente. E, em conformidade com tal entendimento, definiu como prioridade da próxima década a importação massiva de mão-de-obra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Porto Santo vai, pois, esforçar-se para atrair gente. E, a concretizar-se o plano, a visão mais ou menos nostálgica que todos temos deste pequeno paraíso atlântico estará a um pequeno passo de esfumar-se.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Devo dizer que também eu sou um devoto do desenvolvimento. Não há nada de que goste mais. Sobretudo se todos puderem ganhar alguma coisa com ele. Sucede, porém, que a palavra me incomoda quando não passa de um substantivo dito à toa. Quando isso acontece, o vocábulo assusta. Basta atentar nos pequenos, médios ou grandes disparates que em seu nome todos os dias se cometem. Na Madeira. No Porto Santo. No mundo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tenho de Roberto Silva uma impressão globalmente favorável. Não me parece que seja particularmente dado ao disparate. E, tirando um ou outro frete que lhe há-de manchar o currículo para o resto da vida, não o tenho visto incorrer mais vezes do que lhe tem sido exigido no pecado da insensatez. Perturbou-me por isso a leveza com que disse o que disse. Como se fosse a coisa mais natural e incontroversa do mundo. Ou como se não tivesse o dever de explicar tintim por tintim os contornos do seu magnífico plano.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sendo ele um autarca experiente e sensato, há-de conseguir antecipar muito melhor do que nós os impactos tremendos na vida da ilha de uma eventual multiplicação por dois do número de residentes. Ele saberá com certeza que uma duplicação do número de moradias conduz à multiplicação dos problemas de saneamento básico. E muito melhor do que qualquer outro cidadão, ele há-de seguramente saber que a resolução dos dois citados problemas acarreta consigo uma significativa movimentação de gente, de máquinas, de terras, de materiais, coisa pouca, enfim, mas que poderá transformar a idílica paisagem porto-santense na imagem nada bucólica de um estaleiro de dimensões apreciáveis. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais. Porque conhece a burocracia pelo lado dos seus labirínticos e espessos corredores, Roberto Silva não há-de ignorar que os serviços técnicos e administrativos da Câmara a que preside dificilmente terão capacidade para despachar e acompanhar a preceito um tão grande volume de obras. Do mesmo modo, como ninguém como ele está em posição de imaginar a pressão que uma duplicação da população residente exercerá sobre os sistemas de produção e distribuição de energia eléctrica e de água potável, não creio que o assunto lhe possa ter igualmente escapado. Assim como estou seguro de que ele tem presente que dez mil almas colocam problemas aos sistemas de educação e de saúde a que os equipamentos actualmente existentes não serão capazes de responder. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como certamente terão reparado, nem sequer falei das maçadas adicionais relacionadas com os transportes e com o abastecimento. Passei ao lado dos aborrecimentos decorrentes dessa coisa dispicienda que dá pelo nome de duplicação da produção de lixo. E o mesmo farei relativamente ao problema de segurança pública que há-de ser encaixar dez mil almas de proveniências, credos e culturas distintas na exiguidade de quarenta e tantos metros quadrados de superfície, dos quais só metade ou pouco mais serão úteis. E nada disso fiz pela razão crente, simples e cristalina de que imagino que Roberto Silva terá tido tudo isso na conta devida. E notem. Só falo da população residente. Nem sequer estou a considerar a duplicação sazonal dessas tais dez mil almas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Insisto. O autarca sensato que Roberto Silva tem fama de ser sabe de tudo isto muito melhor do que eu. Há-de ter, estou certo disso, todas as respostas na ponta da língua para, com uma simples palavra, derreter as dúvidas imbecis que indigentes e simples mortais como este modestíssimo escrevinhador possam eventualmente levantar. Dirá que tudo o que atrás se disse quer dizer desenvolvimento e progresso. Há-de ter certamente a arte de provar, "por-á-mais-bê", que o ambiente (com letra maiúscula) da ilha há-de continuar, como deve, devidamente preservado. E há-de ter prontinhas para debitar todas as contas relacionadas com o aumento de despesa (subsídio de dupla insularidade devidamente multiplicado e ampliado) que os orçamentos da autarquia e da RAM terão naturalmente de suportar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porque tenho boa impressão a seu respeito (mesmo descontando os três ou quatro fretes d
